31 de julho de 2025
ECONOMIA

Após BC informar que Dívida Pública avançou a 82,9% na relação com o PIB, economistas comentam e avaliam que juros vão continuar alto no início de 2027

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Por Política Real com assessoria
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Juros Selic não devem cair com dívida pública em alta, dizem economistas Foto: Arquivo da Política Real

( reeditado) 

(Brasília-DF, 30/09/2026). Nesta quarta-feira, as Estatísticas Fiscais divulgada pelo Banco Central, a última antes do primeiro turno das eleições nacionais e presidenciais  revelou que novamente a dívida pública aumentou frente ao PIB, chegando a 82,9% do PIB. Chegou na redação da Política Federal algumas avaliações de economistas da chamada Faria Lima.

Os economistas avaliam que uma dívida pública deste tamanho garante que os juros vão continuar alta em 2027.

 

Veja os comentários dos economistas:

       "A economia global atravessa um período de transformação estrutural, com uma disputa crescente por investimentos em tecnologia, inteligência artificial e novos modelos de negócios. Nesse cenário, a previsibilidade econômica se torna um dos fatores determinantes para a atração de capital privado e para a construção de ciclos sustentáveis de crescimento. A capacidade de um país combinar estabilidade macroeconômica com estímulo à inovação influencia diretamente a disposição dos investidores em financiar empresas de longo prazo. No Brasil, esse debate ganha relevância diante do avanço da dívida bruta, que atingiu 82,9% do PIB em agosto, enquanto o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 10 bilhões no mês. A trajetória das contas públicas influencia variáveis como juros, câmbio e custo de capital, fatores que afetam o ambiente de negócios e as decisões de investimento. Caso o endividamento permaneça em trajetória crescente sem uma perspectiva clara de estabilização, o mercado pode exigir um prêmio de risco maior, alterando as condições para formação de capital. No mercado de inovação, empresas de alto crescimento dependem de um ambiente com regras claras, estabilidade institucional e disponibilidade de capital paciente para desenvolver novos produtos e conquistar mercados. Startups precisam de investidores dispostos a acompanhar ciclos longos de crescimento e apoiar negócios capazes de gerar produtividade e transformação econômica. O Brasil possui oportunidades relevantes em setores ligados à tecnologia e inovação, mas transformar esse potencial em crescimento sustentável exige a combinação entre empreendedorismo, produtividade e um ambiente econômico que estimule investimentos. O venture capital tem papel fundamental ao conectar capital e empresas capazes de criar soluções para novos mercados", Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest.

 

       “A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto e, mais do que o resultado de um mês, o que preocupa é a trajetória. Se o mercado enxergar dificuldade para estabilizar a dívida, tende a exigir prêmio maior para financiar o país. Isso pode pressionar juros longos e câmbio, dificultar a queda da inflação e limitar o espaço para cortes mais rápidos da Selic. Para as empresas, o efeito aparece principalmente no custo de capital. Podemos ter uma Selic menor em 2027 e, ainda assim, juros longos elevados se o risco fiscal continuar pressionado,. Isso reduz investimento, deixa o crédito mais seletivo e pesa principalmente sobre empresas mais alavancadas ou dependentes de refinanciamento. No longo prazo, menos investimento também significa menor produtividade e capacidade de crescimento. Em ano eleitoral, naturalmente aumenta a atenção sobre gastos e política econômica. Mas eu não colocaria a eleição, por si só, como problema. O que importa é a percepção sobre a trajetória da dívida e a previsibilidade das regras. Se houver aumento permanente de despesas sem fonte clara de financiamento, o prêmio de risco pode subir. Se houver maior previsibilidade fiscal, o efeito pode ser justamente o contrário”, Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra.

 

       "A elevação da dívida bruta brasileira para 82,9% do PIB em agosto, alcançando aproximadamente R$ 11,1 trilhões, reforça uma das principais preocupações dos investidores no cenário atual: a capacidade do país de equilibrar crescimento econômico, controle fiscal e previsibilidade de longo prazo. Em um ambiente global ainda marcado por juros elevados, ajustes nas políticas monetárias dos principais bancos centrais e maior seletividade na alocação de capital, a trajetória das contas públicas passa a ter papel relevante na precificação dos ativos. A evolução da dívida pública influencia diretamente variáveis como câmbio, inflação e curva de juros. Caso o endividamento continue crescendo sem uma trajetória clara de estabilização, o mercado tende a exigir maior prêmio de risco para financiar o país, o que pode afetar as condições financeiras da economia. Em um ano eleitoral, a atenção dos investidores aumenta diante da possibilidade de mudanças na condução da política econômica e de expansão de gastos, fatores que podem alterar as expectativas sobre juros e inflação. Para investidores e gestores de patrimônio, esse cenário reforça a importância de uma análise ampla dos riscos e oportunidades. A diversificação entre diferentes classes de ativos, a gestão ativa e o planejamento financeiro ganham relevância em momentos de maior incerteza, permitindo construir estratégias alinhadas aos diferentes ciclos econômicos. A sustentabilidade fiscal será um dos elementos centrais para a capacidade de crescimento do Brasil nos próximos anos. Uma trajetória mais previsível das contas públicas contribui para um ambiente de investimentos mais eficiente, com melhores condições para empresas, famílias e investidores tomarem decisões de longo prazo", Gustavo Assis, CEO da Asset.

 

       “O dado tem duas leituras e as duas precisam ser ditas. O déficit de agosto veio menor que o do mesmo mês do ano passado, então há melhora de fluxo, e isso é real. Só que a dívida bruta subiu para 82,9% do PIB, o maior patamar desde junho de 2020, no auge da pandemia, e é aí que está a contradição aparente. Ela se explica de forma simples, porque o que empurra a dívida hoje não é gasto novo, é carrego. É o custo de rolar um estoque muito grande com juro alto, e boa parte desse estoque é indexada à taxa básica, o que torna a conta imediatamente sensível a cada decisão do Banco Central. A própria medida da autoridade monetária mostra que cada ponto percentual de Selic acrescenta cerca de 60 bilhões de reais à dívida bruta. Por isso melhora de resultado primário sozinha não inverte a trajetória. As consequências para 2027 e para os anos seguintes aparecem por um único canal, que é o prêmio de risco embutido na parte longa da curva de juros. É essa parte longa, e não a Selic de amanhã, que define o custo de quem financia uma fábrica ou um projeto de infraestrutura, e é por isso que o investimento privado não reage mesmo quando o Banco Central começa a cortar. Sobre o risco eleitoral, eu diria que o mercado não precifica promessa, precifica execução, e o que ele vai observar depois da eleição é a agenda concreta de despesa, não o que foi dito na campanha”, André Matos, CEO da MA7 Capital.

 

       "O cenário econômico global segue marcado por maior cautela dos investidores, com bancos centrais avaliando o ritmo dos cortes de juros e os mercados monitorando a sustentabilidade fiscal dos países. Nesse ambiente, a previsibilidade das contas públicas se torna um fator relevante para a atração de capital e para o desenvolvimento dos mercados financeiros. No Brasil, a dívida bruta atingiu 82,9% do PIB em agosto, enquanto o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 10 bilhões no período, reforçando a importância da disciplina fiscal para a confiança dos agentes econômicos.  A trajetória da dívida pública influencia diretamente a percepção de risco, afetando juros futuros, câmbio e decisões de investimento. Caso o endividamento continue avançando sem uma perspectiva clara de estabilização, o mercado pode incorporar um prêmio de risco maior aos ativos brasileiros, elevando o custo de financiamento da economia e influenciando as condições de crédito. Em um ano eleitoral, mudanças na condução da política econômica ou aumento de gastos podem ampliar a atenção dos investidores sobre a trajetória fiscal do país.  Esse ambiente aumenta a relevância de estruturas financeiras baseadas em governança, transparência e eficiência operacional. Empresas, gestores e investidores precisam de soluções capazes de oferecer segurança, controle de riscos e maior precisão na tomada de decisões, especialmente em operações estruturadas e no mercado de capitais. O desenvolvimento financeiro brasileiro depende de instituições sólidas, regras claras e estruturas capazes de conectar investidores e empresas de forma eficiente. A combinação entre tecnologia, governança e qualidade operacional será cada vez mais importante para ampliar a confiança no mercado", Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

 

       "O Brasil encerrou agosto com a dívida bruta equivalente a 82,9% do PIB, enquanto o setor público registrou déficit primário de R$ 10 bilhões, mostrando que o equilíbrio das contas públicas continuará sendo um dos principais desafios econômicos dos próximos anos. A situação fiscal influencia não apenas indicadores macroeconômicos, mas também as condições de crédito disponíveis para empresas, famílias e setores produtivos. Uma trajetória crescente de endividamento pode pressionar variáveis como juros, inflação e câmbio, alterando o custo de financiamento e o planejamento financeiro dos agentes econômicos. Em um cenário eleitoral, a percepção sobre aumento de gastos públicos ou mudanças na condução econômica pode elevar a atenção do mercado em relação ao risco fiscal. Nesse ambiente, o crédito precisa ser analisado de forma mais estratégica, considerando capacidade de pagamento, garantias e estrutura adequada para cada operação. Soluções como crédito com garantia, home equity e financiamentos estruturados podem contribuir para uma tomada de decisão mais planejada. O crescimento sustentável da economia depende de um mercado de crédito eficiente, capaz de conectar recursos às necessidades reais de empresas e famílias. A qualidade da estrutura financeira das operações será cada vez mais relevante em um ambiente de maior seletividade", Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.

 

       “A dívida pública não é um problema apenas do governo, ela afeta toda a cadeia de financiamento da economia. Quando o mercado percebe uma trajetória fiscal menos previsível, a primeira reação costuma aparecer nos juros futuros e no custo de capital, antes mesmo de chegar diretamente na atividade econômica. O Brasil encerrou agosto com a dívida bruta em 82,9% do PIB e registrou déficit primário de R$ 10 bilhões no mês. Esse movimento mostra que o desafio fiscal continua sendo uma variável importante para os próximos anos. O ponto central não é apenas o nível atual da dívida, mas a capacidade de o país construir uma trajetória de estabilização, principalmente em um período de transição política e econômica. Para o mercado imobiliário, juros e confiança caminham juntos. Quando o custo do dinheiro permanece elevado por mais tempo, empresas e investidores passam a analisar com mais rigor a estrutura de cada operação, olhando principalmente para geração de receita, qualidade das garantias e capacidade de pagamento. Em um cenário eleitoral, uma percepção de aumento de gastos ou mudanças na condução econômica pode elevar a cautela do mercado e influenciar decisões de investimento de longo prazo. O crédito imobiliário continua dependendo de operações bem estruturadas e de uma análise técnica aprofundada. Em momentos de maior incerteza, não basta olhar apenas para o tamanho do projeto, mas para a consistência financeira da operação como um todo. A combinação entre governança, monitoramento de recebíveis e disciplina na estruturação será cada vez mais importante para viabilizar novos empreendimentos”, André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital.

 

       “A economia brasileira entra em uma fase em que empresas precisam buscar mais eficiência, produtividade e novas formas de geração de receita diante de um cenário global mais competitivo. Em diferentes mercados, companhias estão revisando modelos de negócio, utilizando tecnologia para reduzir custos e criando novas soluções para ampliar relacionamento com clientes e fornecedores. Esse movimento ocorre em paralelo ao desafio fiscal brasileiro. A dívida bruta alcançou 82,9% do PIB em agosto, enquanto o setor público consolidado apresentou déficit primário de R$ 10 bilhões no período, reforçando a importância da sustentabilidade das contas públicas para a trajetória econômica. Um cenário de endividamento crescente pode influenciar juros, câmbio e custo de capital, afetando decisões de investimento e expansão das empresas. Em ambientes de maior incerteza, organizações passam a buscar estruturas que ofereçam mais controle financeiro e eficiência operacional. O avanço do embedded finance representa uma mudança importante nessa dinâmica, permitindo que empresas de diferentes setores criem soluções próprias de crédito, pagamentos e serviços financeiros integrados às suas operações. A integração entre tecnologia, dados e serviços financeiros tende a ganhar espaço na economia brasileira. Empresas que conseguem estruturar novas soluções financeiras ampliam sua capacidade de gerar valor, melhorar a experiência dos clientes e criar modelos de negócio mais eficientes”, Letícia Moschioni, Sócia da Finscale.

 

       “A dívida bruta em 82,9% do PIB ainda ficou abaixo do nível projetado pelo mercado para o fim de 2026, mas o avanço em relação a julho confirma uma trajetória que continua preocupante. O problema, portanto, não é uma surpresa negativa no dado de agosto, mas a dificuldade de estabilizar o endividamento. Se essa trajetória persistir, o prêmio fiscal tende a permanecer elevado, pressionando juros longos, câmbio e custo de capital, com impacto direto sobre investimento privado e crescimento. Em um ano eleitoral, qualquer expansão de gastos sem compensação fiscal crível pode aumentar essa percepção de risco e dificultar inclusive uma queda mais consistente dos juros, criando um ambiente em que o próprio custo da dívida passa a alimentar seu crescimento”, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

 

       “O ambiente econômico global segue marcado por mudanças importantes na política monetária, com investidores acompanhando a trajetória dos juros nas principais economias e buscando maior equilíbrio entre retorno e risco. Nesse contexto, a diversificação geográfica e a exposição a diferentes mercados ganham relevância para investidores que desejam construir carteiras mais resilientes aos ciclos econômicos. No Brasil, a discussão sobre risco fiscal permanece como um dos principais pontos de atenção. A dívida bruta brasileira atingiu 82,9% do PIB em agosto, enquanto o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 10 bilhões no mês. A evolução das contas públicas influencia diretamente a percepção dos investidores sobre o país, podendo afetar câmbio, juros futuros e expectativas de inflação. Caso o Brasil mantenha uma trajetória crescente de endividamento sem uma sinalização clara de estabilização, o mercado pode incorporar um prêmio de risco maior aos ativos brasileiros. Em períodos eleitorais, a análise sobre a condução da política econômica e possíveis mudanças na trajetória de gastos públicos tende a ganhar ainda mais importância na tomada de decisão dos investidores. Para investidores brasileiros, esse cenário reforça a importância da construção de uma carteira global, com exposição a diferentes economias, moedas e classes de ativos. A diversificação internacional permite acessar oportunidades além do mercado doméstico e administrar melhor os diferentes ciclos econômicos. A construção de uma carteira global exige planejamento, controle de risco e visão de longo prazo. Em um ambiente cada vez mais conectado, compreender os movimentos da economia mundial é fundamental para decisões de investimento mais equilibradas”, Fábio Murad, Consultor da Wiser Asset.

 

( da redação com informaçòes de assessoria. Edição: Política Real)