Lula, antes de seguir para Juiz de Fora, disse em entrevista que Flávio Bolsonaro não tem biografia e esteve ligado ao crime organizado desde o início de sua vida pública
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(Brasília-DF, 30/09/2026). Nesta quarta-feira, 30, o presidente Luiz Inácio Lula Silva após uma terça-feira, 29, intensa de campanha por capitais do nordeste ele não teve agenda de rua e concedeu uma entrevista ao podcast Normose.
Em determinado momento ao falar de seu principal adversário, Lula afirmou que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não tem biografia e desde o início de sua vida pública esteve associado ao crime organizado.
“Qual é o compromisso que essa gente tem? Vamos pegar esse Flávio. Qual é o compromisso com qualquer seriedade que a Flávio tem? Nenhuma, nenhuma. Ele não tem biografia.
Ele nunca trabalhou na vida. Ele foi eleito vereador com 21 anos de idade, já apoiado pelo Crime Organizado Rio Grande de Janeiro, pelo Miliciano, e nunca mais parou, desde os 21 anos. O pai nunca trabalhou, o pai foi pro Exército, tentou estourar o quartel, foi expulso.
E foi fazer o quê? Foi ser deputado. 29 anos, vivendo de deputado. Eu fiquei 4 anos como deputado, eu só queria ser constituinte.
Quando terminou, falei, não quero mais, não quero mais. Mas ele vive a vida inteira disso. Ele fez até um filho disputar com a mãe, e o filho ganhou da mãe para vereador.
Ou seja, é uma coisa tão abominável. Eu queria que alguém me dissesse o que esse cara tem para oferecer, no presente e no futuro. Nada, não tem conteúdo, não tem nada para oferecer.”, disse.
Pontos principais da conversa no podcast:
No geral, a fala teve mais foco na questão da educação.
Ao falar sobre políticas de expansão e acesso ao ensino superior e técnico, permanência dos estudantes e tempo integral nas escolas, Lula relacionou a ampliação das oportunidades à transformação na vida das famílias de baixa renda e à capacidade do Brasil de formar profissionais e produzir conhecimento.
O presidente afirmou que um dos relatos que mais ouve de mães, nas agendas que faz pelo país, é que os filhos conseguiram chegar à universidade e se formar em profissões como medicina, engenharia, psicologia e odontologia por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni).
“O que predominava na cabeça das elites brasileiras? Era que povo pobre, indígena, negro não precisava estudar. Tinha que trabalhar, cortar cana, capinar, colher algodão. Não tem explicação esse país esperar chegar um torneiro mecânico sem diploma universitário para ser o que mais fez universidades na história desse país”, pontuou.
A trajetória pessoal também apareceu como uma das razões apresentadas pelo presidente para colocar a expansão educacional entre suas prioridades. Lula afirmou que a falta de oportunidade de estudar na juventude orienta sua defesa de políticas que ampliem o acesso à educação para quem historicamente teve menos oportunidades. “Como eu não tive chance de estudar, eu quero que todas as pessoas tenham a chance que eu não tive. É simples assim”.
Nesse contexto, Lula também citou a expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. O presidente afirmou que recebeu 140 institutos federais e que a rede chegará a 802 unidades, com a meta de alcançar mil no próximo mandato. “Sem educação a gente não vai a lugar nenhum. Sem educação você não arruma emprego decente, não ganha um salário melhor, o país não fica competitivo na questão da produtividade, na questão da qualidade”, argumentou.
Para Lula, o desafio é fazer o país avançar de uma economia baseada na exportação de produtos primários para uma economia capaz de agregar conhecimento e tecnologia aos bens e serviços produzidos. “Então o Brasil precisa crescer, porque o Brasil é um país competidor de verdade. Não exportando minério de ferro, soja ou milho, que é importante exportar, mas a gente quer exportar conhecimento, quer exportar inteligência. E pra isso a gente tem que investir na educação”, declarou.
A ampliação da escola em tempo integral também está entre as prioridades apresentadas por Lula para os próximos quatro anos. Desde 2023, já foram criadas 1,8 milhão de vagas. O presidente defendeu que a jornada seja ampliada com uma formação que vá além do conteúdo tradicional e inclua cultura, arte, educação ambiental e formação para a convivência social.
“Eu tenho um compromisso. Nesses próximos quatro anos no Brasil não haverá nenhuma escola até o ensino médio que não seja de tempo integral”, disse. “A molecada não tem que aprender a questão do feminicídio, a questão ambiental, porque uma criança bem formada mentalmente ela vai chegar em casa e vai ajudar a mãe a escolher até qual é o lugar que vai jogar cada lixo. Tem que aprender música, tem que aprender dança, tem que aprender arte. Nós precisamos formar o nosso povo na sua plenitude.”
Outro ponto destacado pelo presidente foi a intenção de universalizar o Pé-de-Meia. Criado em 2024, o programa funciona como um incentivo financeiro-educacional destinado a estudantes de baixa renda matriculados no ensino médio público. A política prevê pagamentos vinculados à matrícula, à frequência e à conclusão dos estudos, funcionando como uma poupança para estimular a permanência dos jovens na escola.
O programa já alcançou 7,3 milhões de adolescentes e a taxa de abandono escolar no ensino médio caiu 61% entre 2022 e 2025.
“É mais fácil e mais promissor investir na educação do que ter que fazer a cadeia depois”.
Para sustentar a comparação, Lula citou a política de armas do governo anterior e contrapôs o número de munições vendidas à distribuição de livros pelo atual governo. “O governo passado vendeu mais de um milhão de armas e foi vendido 1,1 bilhão de balas. Sabe o que eu fiz? Sabe qual é a minha contapartida? Esse ano nós distribuímos 213 milhões de livros para as crianças.”
O contato com os livros não significa apenas ampliar o desempenho escolar, mas criar condições para que elas compreendam a própria história e possam formular outras possibilidades para o futuro. “É importante que as crianças aprendam a ler e gostem de ler. Porque se a gente não conhecer o passado, a gente não tem muita certeza de como construir um futuro melhor. Então é importante conhecer o passado para não cometer os mesmos e copiar os acertos, aprimorando eles.”
( da redação com IA e RT News. Edição: Política Real)