Lulinha, o filho do presidente Lula, vai ser investigado pela PL por trafico de influência
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Com agências
(Brasília-DF, 31/07/2026) O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a abrir um inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conhecido como "Lulinha".
Segundo informações divulgadas pelo jornal Folha de S. Paulo e pelo g1, na semana passada a PF pediu a abertura do inquérito para investigar Lulinha. Mendonça foi sorteado e será o relator do caso no Supremo — a investigação é para apurar se Lulinha cometeu os crimes de tráfico de influência e corrupção para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "careca do INSS".
Apontado pela PF como um dos principais operadores das fraudes no INSS, Antunes está preso preventivamente desde setembro
Em março, a proposta final do relatório da CPMI do INSS — comissão parlamentar que investigou fraudes no pagamento de aposentadorias — pediu o indiciamento e a prisão preventiva de Lulinha.
O documento foi votado pela CPMI e rejeitado por 19 votos a 12. No texto, o relator da comissão, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), afirmou que havia indícios de que o filho de Lula teria cometido quatro crimes: tráfico de influência; lavagem ou ocultação de bens; organização criminosa; e participação em corrupção passiva.
Gaspar integra a oposição ao governo Lula, e parlamentares da base o acusaram de agir politicamente, de olho em dividendos eleitorais nas eleições presidenciais de outubro.
À época, o advogado de Lulinha, Guilherme Suguimori Santos, disse à BBC News Brasil que o empresário foi incluído no relatório da CPMI do INSS por motivos políticos.
"A motivação é evidentemente política. Não há outra explicação. No que tange ao Fábio Luis, 95% de tudo o que é escrito no relatório é a reprodução de reportagens. A comissão não conseguiu trazer nada novo, dizendo que há, apenas, uma possibilidade de que Fábio Luis tenha ligação com os investigados", disse.
Santos afirmou ainda que seu cliente não teria recebido recursos de Antunes e que Lulinha viajou a Portugal a convite de Antunes a Portugal para conhecer um projeto sobre medicamentos à base de canabidiol, mas que os dois nunca tiveram qualquer negócio juntos.
A divulgação do relatório e as investigações da PF são os episódios mais recentes de uma longa história envolvendo os negócios de Lulinha que remonta pelo menos 21 anos.
Em 2005, outra CPMI, a dos Correios, investigava as denúncias de que o governo comprava o voto de parlamentares para aprovar projetos no Congresso, no caso que ficou conhecido como escândalo do mensalão. Naquele mesmo ano, os negócios de Lulinha vieram à tona e, por pouco, não entraram no relatório final da comissão.
Ao longo das duas últimas décadas, nem mesmo o perfil discreto adotado pelo filho de Lula foi capaz de tirá-lo das atenções das autoridades e da oposição. Ele foi alvo tanto de boatos quanto de investigações conduzidas pela PF e pelo Ministério Público Federal (MPF) durante a Operação Lava Jato.
Os inquéritos foram arquivados ao longo dos anos, mas agora, ele enfrenta uma nova leva de questionamentos.
CPMI do INSS
O nome de Lulinha começou a aparecer nas investigações sobre as fraudes no INSS depois que a PF passou a se debruçar sobre as atividades de Antunes.
Segundo as investigações, Antunes atuaria como intermediário entre sindicatos e associações e servidores do instituto, recebendo valores descontados indevidamente de aposentados e pensionistas e repassando parte dos recursos a funcionários do INSS, familiares e empresas ligadas a eles.
Já a empresária Roberta Luchsinger, também alvo das investigações, é apontada como amiga próxima de Lulinha e elo entre ele e Antunes, sendo suspeita de ter intermediado pagamentos para o filho do presidente.
De acordo com o relatório da CPMI, a testemunha Edson Claro, ex-empregado de Antunes, disse à PF que "o Careca do INSS fez um pagamento de 25 milhões (em moeda desconhecida) para Fábio Luís e pagava também uma 'mesada' de cerca de R$ 300 mil."
Além disso, aponta o relator da CPMI, a Polícia Federal identificou uma troca de mensagens entre Antunes e outro funcionário seu, Milton Salvador de Almeida Júnior.
Nessa conversa, diz o relatório, "Milton questiona Antônio [Camilo Antunes] acerca de quem seria o destinatário de um pagamento de R$ 300 mil, ao que Antônio responde de forma lacônica: 'o filho do rapaz'. Na sequência, Milton encaminha a Camilo o comprovante de transferência de R$ 300 mil para a empresa de Roberta Luchsinger".
Para a Polícia Federal, nota Gaspar, a expressão "o filho do rapaz" seria uma referência velada ao filho de Lula.
O relatório da CPMI também lista três viagens que Lulinha fez à Europa em datas coincidentes com o Careca do INSS, ao longo de 2024, segundo passagens aéreas no nome dos dois levantadas pela PF.
Eles teriam estado juntos em Lisboa em junho e novembro, e em Madri em setembro. Luchsinger teria participado da primeira viagem a Lisboa e da ida a Madri.
"Está provado que o dinheiro roubado de aposentados e pensionistas foi utilizado em benefício de Lulinha para a aquisição, por Careca do INSS, de passagens de primeira classe em voos internacionais, bem como hospedagens de luxo em países europeus", dizia o relatório de Gaspar.
O relatório cita ainda reportagem do jornal O Globo revelando que Antunes esteve cinco vezes no Ministério da Saúde entre 2024 e 2025, segundo registros obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. Em uma delas, estava acompanhado de Luchsinger.
"Os indícios apontam que Fábio Luís, valendo-se de sua posição de filho do Presidente da República, teria recebido valores periódicos de Antônio Camilo, por intermédio da empresa de Roberta Luchsinger, como contraprestação pela facilitação de acesso a órgãos federais, notadamente o Ministério da Saúde e a ANVISA, onde o lobista buscava viabilizar negócios no setor de cannabis medicinal e telemedicina", escreveu Gaspar.
Parlamentares da base do governo contestam o relatório de Gaspar e acusam o relator da CPMI de ter agido politicamente durante as investigações da comissão.
"O relator tá preocupado em ser [eleito em outubro] senador por Alagoas. Essa é a verdade", disse o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) na CPMI, chamando também a CPMI de "circo".
Assim como ele, outros parlamentares petistas afirmaram que a fraude no INSS começou antes do governo Lula e foi apurada em sua gestão por causa da autonomia garantida à Polícia Federal.
"No governo Bolsonaro, os bandidos entraram pra dentro do INSS pra roubar velhinhos aposentados. E, no governo Lula, deflagrou a operação [da PF] Sem Desconto", disse a deputada Dandara Tonantzin (PT/MG), antes da leitura do relatório de Gaspar.
No total, o relatório de Gaspar pedia o indiciamento de 216 pessoas, incluindo Antunes, Roberta Luchsinger e parlamentares, como o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE).
Entre os indiciados, estão também o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente acusado de fraudes no Banco Master, do qual era dono.
Apesar do foco no INSS, a CPMI acabou entrando no escândalo do Banco Master, com o argumento de apurar irregularidades em empréstimos consignados para aposentados.
Isso levou à PF a compartilhar material sigiloso da investigação do Master com a CPMI do INSS, conteúdo que acabou vazado para a imprensa, revelando a proximidade de Vorcaro com autoridades, como parlamentares e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Foi nesse contexto que a CPMI não teve sua prorrogação autorizada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Parlamentares interessados na continuidade da comissão pediram sua prorrogação ao STF, mas a maioria dos ministros negou o pedido por entender que essa decisão cabia ao Congresso.
( da redação com informações e textos da BBC Brasil. Edição: Política Real)