31 de julho de 2025
PRODUÇÃO AGRÍCOLA

Produção agrícola do Brasil, antes dos efeitos do Super El Niño, teve o valor recorde de R$ 927,2 bilhões, um avanço de 18,4%, em termos nominais entre 2024 e 2025; Centro-Oeste supera Sudeste no valor da produção agrícola

Produçao de soja e milho avançou em 2025

Por Politica Real com agências
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Produção de milho e soja aumentou em 2025 Foto: Arquivo da Política Real

(Brasília-DF, 17/09/2026) Na manha desta quinta-feira, 17, o IBGE divulgou a pesquisa Produção Agrícola Municipal – PAM 2025.

Em 2025, o valor de produção das principais culturas agrícolas do país atingiu o recorde de R$ 927,2 bilhões, um avanço de 18,4%, em termos nominais, na comparação com o ano anterior. A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas foi de 345,4 milhões de toneladas, um crescimento de 53,4 milhões de toneladas. O número representa uma alta de 18,2% em relação ao ano de 2024, também representando um recorde da série histórica do IBGE.

O ano de 2025 foi marcado pelo aumento produtivo nas culturas de soja e milho, que juntas responderam por 88,7% da produção de grãos do Brasil, com aumento na produtividade média das lavouras. Foi constatada a ampliação das áreas plantadas da maior parte das culturas agrícolas, à exceção do feijão e do trigo, que apresentaram quedas significativas nos preços, tornando-se menos atrativas aos produtores, que investiram em culturas com melhor rentabilidade e menor risco.

Em 2024, o efeito climático do El Niño afetou, negativamente, importantes áreas produtivas do país, como as regiões Sul e Centro-Oeste, que sofreram com a baixa incidência de chuvas, enquanto o estado do Rio Grande do Sul perdeu parte de sua produção com o excesso de chuvas.

A área plantada do país, considerando todas as culturas levantadas na PAM 2025, totalizou 101,3 milhões de hectares. O número representa uma ampliação de 4,1 milhões de hectares em relação ao ano anterior, ou 4,2%, mantendo o crescimento observado ao longo dos últimos anos. Dentre os produtos que vêm ganhando mais espaço no campo, a soja se destaca com o acréscimo de mais 1,7 milhão de hectares da área colhida, seguida pelo milho (995,2 mil hectares) e o sorgo, com aumento de 203,4 mil hectares.

Já a área colhida do país, considerando todas as culturas pesquisadas, totalizou 100,6 milhões de hectares, 4,4% superior à safra anterior. Boa parte dessa ampliação deve-se ao consecutivo acréscimo de áreas destinadas à produção de soja, que registrou um acréscimo de 3,7%, com 47,6 milhões de hectares colhidos, e responde por 47,3% da área agrícola colhida no país. Em contrapartida, houve uma retração significativa nas áreas colhidas de feijão (-7,2%) e trigo (-13,9%) em virtude dos preços não atrativos ao produtor no período de plantio dessas culturas.

No ranking de valor de produção, os cinco principais produtos foram a soja, o milho, a cana-de-açúcar, o café e o algodão herbáceo (em caroço). Em relação a 2024, o milho e a cana-de açúcar inverteram suas posições. Os resultados variaram na comparação entre 2024 e 2025: soja (21,1%), milho (38,9%), cana-de-açúcar (3,6%), café (44,7%), algodão (29,50%)

Centro-Oeste supera Sudeste no valor da produção agrícola

O aumento de área, produção e valor da produção de soja, milho e algodão, em 2025, foi suficiente para colocar o Centro-Oeste no primeiro lugar no valor de produção agrícola. A região apresentou um crescimento de 31,8% em relação a 2024, totalizando R$ 288,0 bilhões.

O Sudeste, que em 2024 tinha sido líder, devido à produção de cana-de-açúcar, café e laranja, ficou em segundo lugar. A diferença atual observada entre ambas as Regiões foi de R$ 17,0 bilhões. Colaborou com este cenário o valor da produção de laranja ter retraído 23,4% em 2025, equivalente a uma queda R$ 5,6 bilhões no valor total da produção agrícola da Região Sudeste.

No entanto, o valor total de produção do Sudeste apresentou crescimento de 17,7%, sobressaindo-se na produção de café, cana-de-açúcar e laranja.

Dos 10 maiores municípios agrícolas, 08 estão no Centro-Oeste

Em 2025, os 10 Municípios com os maiores valores de produção agrícola geraram juntos R$ 65,9 bilhões, concentrando 7,1% do valor obtido no país com a produção agrícola. Dessa lista, todas as municipalidades apresentaram aumento no valor de produção. Cinco deles pertencem a Mato Grosso, enquanto Bahia aparece com 2 municípios e Goiás aparece com 3 municípios.

Sapezal, em Mato Grosso, registrou o maior valor de produção agrícola do país, com R$ 8,6 bilhões, aumento de 46,6% na comparação com o ano anterior. O Município destacou-se na produção de algodão herbáceo, obtendo o maior valor gerado com o produto, aproximadamente R$ 5,1 bilhões.

A segunda posição no ranking de valor de produção agrícola foi ocupada por São Desidério, na Bahia, que totalizou R$ 8,2 bilhões, aumento de 23,8% em relação ao valor gerado em 2024. O Município alcançou R$ 4,5 bilhões com a produção de soja, atingindo a primeira posição no ranking de valor gerado com a oleaginosa no país, acompanhada da produção de algodão, que obteve R$ 3,1 bilhões, ocupando a segunda posição no ranking desse produto.

Sorriso (Mato Grosso), que no ano passado estava em 1º lugar, esse ano aparece em 3º lugar. O que explica essa mudança foi a criação do Município de Boa Esperança do Norte (Mato Grosso), em 2025. Esse município foi constituído com terras de Sorriso (20%) e de Nova Ubiratã (80%). Ou seja, parte da produção foi dividida com o novo município.

O aumento na produção da soja e milho, também, contribuiu para esse melhor desempenho municipal.  Soja e milho, respectivamente, apresentaram um aumento no valor da produção nacional de 51,4% e 58,1%, sendo que a soja gerou R$ 2,8 bilhões e o milho R$ 656,9 milhões. O feijão, também, registrou um expressivo crescimento de área colhida, cerca de 43,5%, e contribuiu com R$ 13,8 milhões.

(da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)