31 de julho de 2025
ECONOMIA

Economista avaliam reunião do Copom e estimam que Selic pode cair mais 0,50% até final do ano

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Por Política Real com assessoria
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Taxa Selic em queda. Será?! Foto: CashMe

(Brasília-DF, 17/09/2026) chegou à redação da Política Real análise de economistas de mercado sobre a reunião do Comitê de Política Monetária( Copom) finalizada nessa quarta-feira, 16, que apontou que a taxa Selic ficou em 13,75% neste ano. A próxima reunião será daqui 45 dias, após o segundo turno das eleições nacionais.

Economistas avaliam que novas quedas que podem ser verificadas e que poderia levar a taxa a 13,25%.

Veja as avaliações:

 

       “O dado mais importante da decisão não é a redução isolada da Selic para 13,75%, mas o fato de o Copom ter preservado a possibilidade de continuar o ciclo sem prometer sua duração. Essa postura mostra que o Banco Central enxerga melhora suficiente na inflação e na atividade para avançar, mas ainda não possui segurança para acelerar. O ambiente global estreitou essa margem: ao subir os juros e sinalizar preocupação persistente com a inflação, o Fed aumentou o custo de oportunidade do capital e prolongou um cenário no qual investidores internacionais podem exigir retornos maiores para assumir risco fora dos Estados Unidos. Novos cortes ainda podem ocorrer em 2026, sobretudo se a inflação de serviços perder força e os dados de atividade confirmarem a desaceleração. Entretanto, o ciclo pode ser interrompido se o dólar responder de forma intensa ao aperto americano, se o petróleo voltar a pressionar os preços ou se as expectativas de inflação doméstica se afastarem da meta. A ameaça não está em um indicador isolado, mas na combinação entre choque externo e perda de confiança interna. Em 2027, o fiscal tende a se tornar a principal variável para os juros de longo prazo. A Selic pode cair por decisão do Copom, enquanto o custo de capital de prazo maior permanece pressionado pelo risco associado à dívida pública. Para o venture capital, o início da flexibilização ajuda a reconstruir gradualmente as referências de valuation e amplia a disposição para investimentos de duração mais longa. Esse processo, porém, será seletivo: startups com receita consistente, eficiência no uso do capital e capacidade de crescer sem depender continuamente de novas rodadas devem ganhar mais espaço do que negócios sustentados apenas pela expectativa de liquidez abundante”, Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest.

 

       “A queda da Selic para 13,75% melhora a direção da política monetária, mas não resolve a origem do estresse financeiro acumulado nas empresas. Companhias que passaram um período prolongado com crédito caro, margens comprimidas e dificuldade de refinanciamento não recuperam liquidez após um único corte de 0,25 ponto percentual. O Copom reconheceu uma atividade mais fraca e inflação mais comportada, mas manteve cautela porque o ambiente externo e as expectativas domésticas ainda podem alterar rapidamente essa leitura. Novos cortes são possíveis em 2026, sobretudo se a desaceleração econômica se aprofundar sem nova pressão inflacionária. Ainda assim, o ciclo pode parar se o dólar se valorizar de forma persistente, o petróleo avançar ou a inflação de serviços resistir. A alta dos juros americanos acrescenta um obstáculo porque mantém o capital global mais caro e reduz a disposição dos investidores para assumir riscos fora dos Estados Unidos. O fiscal deverá ser a principal questão de 2027 porque condicionará o custo de refinanciamento de longo prazo. Se a dívida pública elevar o prêmio da curva, empresas poderão continuar encontrando crédito caro mesmo com a Selic em queda. Esse descasamento tende a prolongar processos de renegociação e a ampliar a oferta de ativos estressados. Para esse mercado, a questão não é apostar no insucesso das companhias, mas identificar ativos economicamente viáveis que perderam liquidez, separar dificuldades transitórias de problemas estruturais e reorganizar capital em operações complexas. Um ciclo de juros menores pode ajudar na recuperação desses ativos, mas a criação de valor dependerá da análise jurídica, financeira e operacional de cada caso”, André Matos, CEO da MA7 Capital.

 

       “O corte de 0,25 ponto percentual confirma o início de uma flexibilização cautelosa, não uma mudança abrupta na política monetária. Ao levar a Selic para 13,75%, o Copom reconhece que a desaceleração da atividade e o comportamento mais favorável da inflação permitem reduzir parte da restrição, mas mantém os juros em patamar suficientemente elevado para não comprometer a convergência à meta. A decisão do Fed de elevar a taxa americana para a faixa de 3,75% a 4% reforça essa prudência: juros mais altos nos Estados Unidos fortalecem o dólar, disputam capital com os emergentes e podem transmitir pressão aos preços brasileiros por meio do câmbio. Ainda há espaço para novos cortes em 2026, provavelmente em passos de 0,25 ponto percentual, desde que os próximos indicadores confirmem perda de força da atividade e melhora dos núcleos e da inflação de serviços. Chegar a 13,25% no fim do ano é um cenário possível, mas não contratado. Uma alta do petróleo, uma depreciação persistente do real ou a interrupção da desinflação dos serviços poderia levar o Banco Central a fazer uma pausa. No longo prazo, a questão central deixa de ser apenas até onde a Selic pode cair neste ciclo e passa a ser em que nível ela conseguirá permanecer. É nesse ponto que o fiscal ganha protagonismo em 2027. Se a trajetória da dívida e das despesas elevar o prêmio exigido pelos investidores, os juros longos podem continuar altos mesmo diante de novos cortes na Selic. Para a gestão patrimonial, isso exige distinguir o movimento da taxa básica daquele observado na curva: existe espaço para capturar oportunidades em renda fixa, crédito privado e fundos estruturados, mas com seleção de risco, diversificação e gestão ativa, porque a queda dos juros não será uniforme entre prazos e ativos”, Gustavo Assis, CEO da Asset.

 

       “O comunicado foi cauteloso e não encerra o ciclo de cortes, muito menos garante novas reduções ainda em 2026. A desaceleração da atividade e a melhora recente da inflação dão espaço para a Selic cair mais, desde que as expectativas continuem convergindo. O principal risco para esse processo é uma nova deterioração das expectativas de inflação, especialmente se vier acompanhada de pressão cambial, inflação de serviços resistente ou piora fiscal. Para os juros de longo prazo, o fiscal segue sendo uma questão central em 2027, já que sem uma trajetória mais convincente para dívida e resultado primário, o prêmio de risco pode permanecer elevado mesmo com a Selic em queda. Na prática, o ciclo pode ser interrompido se o BC perceber que a flexibilização começa a comprometer a convergência da inflação para a meta, e hoje o risco fiscal é provavelmente o principal fator doméstico capaz de limitar até onde os juros poderão cair”, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

 

       “Para o crédito, o corte da Selic representa uma mudança de direção, mas ainda não uma transformação imediata das condições oferecidas ao tomador. A taxa básica caiu para 13,75%, porém as operações de prazo longo continuam refletindo custo de captação, risco de inadimplência, qualidade das garantias e comportamento da curva futura. Por isso, o efeito inicial tende a aparecer mais na expectativa e no planejamento das operações do que em uma redução automática e proporcional das parcelas. O cenário-base permite imaginar novos cortes graduais em 2026, possivelmente levando a Selic a 13,25% no fim do ano, desde que a desinflação avance e a atividade continue moderando. Esse caminho, contudo, pode ser interrompido por uma combinação de dólar mais forte, petróleo mais caro e inflação de serviços resistente. A elevação dos juros americanos também limita a velocidade brasileira, porque aumenta a competição internacional por capital e pode pressionar o câmbio. A partir de 2027, a questão fiscal será decisiva para saber se o alívio alcançará efetivamente o crédito de longo prazo. Se a percepção de risco sobre a dívida pública mantiver elevados os juros futuros, o Copom poderá reduzir a Selic sem que financiamentos imobiliários, crédito rural, capital de giro e crédito para construção acompanhem o movimento na mesma intensidade. Nesse contexto, garantia, capacidade de pagamento e estrutura da operação continuarão sendo determinantes. A queda gradual dos juros tende a ampliar alternativas, mas o tomador precisará comparar custo total, prazo e previsibilidade, em vez de esperar que todas as linhas bancárias se tornem mais baratas no mesmo momento”, Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.

 

       “A Super Quarta expôs 2 velocidades opostas do dinheiro: o Brasil iniciou uma redução cautelosa do custo básico, enquanto os Estados Unidos elevaram os juros e indicaram que o combate à inflação ainda exigirá condições financeiras restritivas. O corte da Selic para 13,75% mostra que o Copom enxerga espaço doméstico para flexibilizar, mas a decisão de não antecipar os próximos passos revela que esse espaço pode ser revisto a cada reunião. Novas reduções ainda em 2026 são plausíveis, especialmente se atividade, núcleos e serviços confirmarem uma trajetória de desaceleração. O risco de interrupção surge quando variáveis externas e internas se reforçam. Um dólar pressionado pelo Fed, combinado a petróleo mais caro ou deterioração das expectativas de inflação, pode reduzir a margem do Banco Central. Isso significa que as empresas não devem elaborar seus planos financeiros com base em uma queda linear da Selic. O fiscal será central em 2027 porque influencia o custo de capital além da taxa básica. Se a dívida e as despesas aumentarem a percepção de risco, a curva longa pode permanecer elevada e encarecer captações, mesmo com o Copom cortando os juros de curto prazo. Para empresas que estruturam verticais financeiras, esse cenário reforça a necessidade de precificar crédito de forma dinâmica, separar risco do cliente do risco macroeconômico e administrar corretamente funding, prazo e inadimplência. A redução da Selic pode abrir espaço para novos produtos e maior demanda por crédito, pagamentos e capital de giro, mas a geração de valor dependerá de governança, dados e desenho financeiro, não apenas do nível nominal dos juros”, Letícia Moschioni, sócia da Finscale.

 

       “O corte da Selic não encerra a era do crédito seletivo. Ao reduzir a taxa para 13,75%, o Copom sinalizou que o processo de desinflação permite retirar gradualmente parte do aperto, mas manteve uma política monetária bastante restritiva. Para quem origina e analisa crédito, a mensagem é que haverá uma transição, e não uma liberação imediata das condições financeiras. Empresas ainda enfrentarão juros reais elevados, enquanto investidores continuarão exigindo remuneração compatível com risco, prazo e qualidade do devedor. O cenário permite novos cortes de 0,25 ponto percentual em 2026, desde que a inflação de serviços desacelere e a atividade confirme moderação. A elevação dos juros americanos, entretanto, amplia a possibilidade de volatilidade cambial e torna o Banco Central brasileiro mais dependente dos dados. Petróleo, dólar e desancoragem das expectativas são fatores capazes de interromper o ciclo, principalmente se aparecerem simultaneamente. Em 2027, o fiscal tende a definir se a queda da Selic se converterá em redução sustentável dos juros longos. Caso o mercado exija prêmio maior para financiar a dívida pública, a curva poderá permanecer pressionada e disputar recursos com o crédito privado. Para os FIDCs, esse ambiente não elimina oportunidades, mas muda o critério de seleção. A vantagem estará em originação disciplinada, diversificação, acompanhamento dos recebíveis e uso de tecnologia para identificar alterações na capacidade de pagamento antes que elas se transformem em inadimplência. Com a Selic em queda gradual, estruturas de crédito capazes de combinar retorno, proteção e informação de qualidade tendem a ganhar relevância na alocação dos investidores”, Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital.

 

       “O corte da Selic para 13,75% confirma que o Banco Central enxerga espaço para continuar calibrando a política monetária diante da desaceleração da atividade e de alguma melhora na inflação. Mas o comunicado foi bastante cuidadoso ao não antecipar os próximos passos. Portanto, novas reduções ainda em 2026 são possíveis, mas não estão contratadas. O próprio mercado está dividido entre uma pausa nesse patamar e cortes adicionais nas 2 últimas reuniões do ano. O principal ponto é que o espaço para queda dos juros daqui para frente dependerá menos da inflação corrente e cada vez mais da trajetória das expectativas. Um choque de petróleo, uma deterioração do câmbio, inflação de serviços persistentemente elevada ou uma piora relevante das expectativas pode interromper temporariamente o ciclo. O cenário internacional também ganhou importância, com juros mais altos nas principais economias e maior pressão sobre commodities. O fiscal, porém, tende a ganhar peso ainda maior olhando para 2027. Uma trajetória da dívida percebida como pouco sustentável aumenta o prêmio de risco, pressiona os juros longos e pode contaminar câmbio e expectativas de inflação. Nesse caso, mesmo que o Banco Central consiga reduzir a Selic no curto prazo, fica mais difícil levar os juros para níveis significativamente menores de forma sustentável. Portanto, mais do que saber até onde a Selic pode cair nas próximas reuniões, a questão para 2027 será saber se haverá condições fiscais e inflacionárias para manter os juros em trajetória de queda. A leitura está alinhada ao fato de o Copom ter deixado a sequência dependente dos dados, enquanto as projeções de mercado estão divergentes: o Focus divulgado nesta semana apontava 13,75% no fim de 2026, enquanto a XP projetava 13,25%”, André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital.

 

       “O Copom fez o corte esperado para 13,75%, mas deixou claro que os próximos passos continuam dependendo dos dados. Minha leitura é que existe espaço para novas reduções ainda em 2026, principalmente se atividade e inflação continuarem perdendo força, mas não vejo um ciclo automático. O Focus ainda aponta 13,75% para o fim do ano, enquanto parte do mercado já começa a trabalhar com mais cortes. O principal risco para interromper esse processo é uma nova piora das expectativas de inflação, principalmente se vier acompanhada de pressão no câmbio, petróleo ou inflação de serviços. O ambiente externo também ficou mais desafiador depois da alta de juros nos Estados Unidos, porque juros americanos maiores podem pressionar dólar e curva longa no Brasil. Para 2027, acredito que o fiscal ganha ainda mais importância. A Selic pode cair e, mesmo assim, os juros longos permanecerem altos se o mercado enxergar uma trajetória pior para dívida, resultado primário ou necessidade de financiamento do governo. Para empresas, isso é muito relevante porque boa parte do custo de capital e das operações mais longas não depende apenas da Selic de hoje, mas também do prêmio de risco na curva. Então vejo espaço para continuar reduzindo os juros, mas de forma gradual. O que pode interromper o ciclo é uma combinação de inflação mais resistente, piora das expectativas e aumento do prêmio fiscal. Para o crédito, o ponto central continua o mesmo: uma Selic menor ajuda, mas não garante sozinha queda proporcional do custo final para empresas e consumidores”, Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra.

 

       “O investidor brasileiro passou a lidar com uma divergência monetária clara. Enquanto o Copom reduziu a Selic para 13,75%, o Fed elevou os juros para a faixa de 3,75% a 4% e adotou uma comunicação mais dura. Essa distância, entre 9,75 e 10 pontos percentuais, ainda favorece o real por meio do diferencial de juros, mas não elimina o risco de valorização global do dólar. Se o mercado concluir que os juros americanos permanecerão altos por mais tempo, os Treasuries podem continuar atraindo capital e impondo volatilidade aos ativos de risco. No Brasil, há espaço para novas reduções de 0,25 ponto percentual em 2026, mas o Copom deixou corretamente essa possibilidade condicionada aos dados. Uma reaceleração da inflação de serviços, uma alta persistente do petróleo ou uma depreciação relevante do câmbio poderia justificar uma pausa. O principal risco de longo prazo, porém, está na combinação entre política fiscal e expectativas. Mesmo com a Selic menor, uma percepção de descontrole da dívida pode elevar os juros futuros e impedir uma queda estrutural do custo do dinheiro. Por isso, o fiscal deve ocupar o centro do debate em 2027. Para o investidor, a divergência entre Brasil e Estados Unidos também mostra por que a diversificação internacional não deve ser tratada como uma aposta de curto prazo no dólar. Ativos dolarizados oferecem exposição a empresas, setores, moedas e ciclos monetários diferentes. Com os juros americanos elevados e a Bolsa brasileira sensível à trajetória doméstica, a construção de uma carteira global exige combinação entre geração de renda, liquidez, controle de risco e horizonte de longo prazo, sem concentrar toda a decisão em uma única reunião de banco central”, Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.

 

( da redação com informações de assessorias. Edição: Política Real)