31 de julho de 2025
PODER FEMININO EM CRISE

Damares Alves, na Comissão de Direitos Humanos do Senado, faz uma longa fala fazendo a defesa das mulheres, tanto de direita como de esquerda, e que são coniventes os homens tolerantes com os ataques a Michelle Bolsonaro

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Por Politica Real com agências
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Damares Alves no encerramento dos trabalhos da CDH nessa quarta-feira Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

(Brasília-DF, 02/07/2026) Nessa quarta-feira, 01, a senadora Damares Alves( Republicanos-DF), presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal fez uma longa fala destacando a defesa das mulheres na política e sua longa caminhada desde a conquista do voto feminino, fala dos ataques que tem sofrido nas redes sociais e finalizou fazendo uma defesa da ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro.

“Deixem-me dizer uma coisa - agora é para todos os homens que estão em cima de palanques e palcos, já fazendo pré-campanha -: se vocês não nos defendem, o silêncio de vocês é conivência. Eu vou repetir: aos homens que estão no processo político eleitoral, se vocês silenciam diante do ataque, da violência política contra a mulher, vocês são coniventes com o ataque, vocês são cúmplices dos ataques. “, disse.

Confira os melhores momentos de sua fala de encerramento:

“Mas hoje é um dia especial. Eu vou fazer um encerramento diferente. E é uma grande coincidência vocês estarem aqui. Eu preciso fazer este meu pronunciamento. Nós estamos encerrando esta reunião, e eu preciso dar um recado muito claro.

Hoje, a Comissão de Direitos Humanos fez a sua parte: aprovamos um pacote de projetos duros para proteger, de verdade, as mulheres deste país. Nós fizemos o nosso papel aqui hoje. Nós cumprimos nossa missão.

Mas a gente sabe que, do lado de fora, a covardia continua. Tem sido muito difícil para nós, mulheres, na política.

Eles atacam a nossa honra, machucam as nossas famílias e usam as mentiras mais sujas para tentar nos calar e nos destruir. Chegaram ao absurdo, esta semana, de colocar em dúvida se a mulher tem capacidade de votar, se a gente sabe escolher ou se merece ser escolhida.

Esqueceram-se da história; esqueceram-se das mulheres que apanharam nas ruas e brigaram, lá atrás, há quase cem anos, só para a gente ter o direito de ir à urna.

E o resultado daquela luta está aqui: nunca tivemos tantas mulheres candidatas como agora. Nós estamos chegando ao poder, e tem gente que não suporta isso.

Eu quero falar olhando para todos vocês que estão nos acompanhando pela TV e vocês que estão aqui. E quero falar olhando para a mulher brasileira: não recue, não tenha medo, venha para a política. Participe, engaje-se, lute pela sua cidade, pelo seu estado, pelo seu país. Lute pelo que você acredita. Vão tentar te desanimar? Vão. Vão inventar mentiras sobre você? Vão, mas você precisa ser forte.”, disse.

Ataques pessoais

Damares Alves informou ao plenário que tem sido vítima de ataques “dos mais terríveis”.

“Nesta semana eu tenho sido vítima dos mais terríveis e vis ataques. Nesta semana, acreditem, me deram até um amante, aos 62 anos de idade. É claro que eu estou procurando um marido (Risos.)mas atacar a honra de uma mulher, dizendo que sou amante de um pastor, dizendo coisas das mais absurdas que vocês possam imaginar...

Quando olham para um homem e chamam-no de vagabundo, todo mundo pensa que ele é preguiçoso; mas, quando falam que uma mulher é vagabunda, o sentido não é de preguiça.

Atacaram-me de leviana, vagabunda, adúltera, mas eles vão à alma: disseram que vão matar minha filha. Inclusive, eles fazem imagens de como vão matar a minha filha.

A minha filha é uma menina indígena. Eu sou mãe de uma menina indígena. E eles simulam imagens de que estão empalando a minha filha, que estão a decapitando, que estão me decapitando.

É uma violência política que a gente não consegue imaginar porque tanto ódio às mulheres que chegam ao lugar de poder.

Se não concordam com o que eu penso, venham discutir as ideias aqui. Vamos por embate, embate de ideias, mas não ataque à honra e à moral.

Deixem-me dizer para as mulheres que estão pré-candidatas e que estão sendo atacadas, neste momento, pela violência política de gênero: não desanimem, não tenham medo. Nós temos uma lei hoje que tipifica a violência política contra a mulher. Usem a lei ao seu favor. Se precisar, acionem a Comissão de Direitos Humanos do Senado, que é esta Comissão, mas aqui no Senado nós também temos uma ouvidoria da mulher, aqui no Senado também nós temos uma procuradoria da mulher, nós temos o Observatório da Mulher. Procurem-nos. Não tenham medo de ir para o processo político.

O Parlamento precisa de nós, mulheres. Nós somos boas e nós estamos prontas para ocupar o lugar de poder e de decisão.”disse

Mulheres de esquerda e de direita

Damares Alves é notória por criticar o feminismo, mas nessa terça-feira, 01, ela fez uma defesa das mulheres, sejam de direita ou de esquerda, algo típico do feminismo.

“E vou dizer para vocês: são mulheres de direita e mulheres de esquerda, atacadas o tempo todo. Nesta Legislatura, uma Senadora do PT foi atacada de forma vil, a minha querida Senadora Janaína Farias. Eu fui uma das primeiras a ir para a tribuna defendê-la. Esta semana, são as mulheres de direita que estão sendo atacadas.”, disse.

Michelle Bolsonaro

Damares Alvez encerrou sua fala ao encerrar os trabalhos na Comissão de Direitos Humanos( CDH) fazendo uma defesa da ex-primeira dama Michelle Alves e disse que as lideranças política masculinas que se calam frente a ataques vis “são coniventes com o ataque, vocês são cúmplices dos ataques.”

“E eu vou fazer referência a uma mulher de direita de quem eu sou amiga, irmã, uma espécie de mãe e conselheira que é a Michelle Bolsonaro. Vocês não têm ideia do que fizeram com a Michelle Bolsonaro nestes últimos dias, com imagens, inteligência artificial, manipulação de imagens! Atacaram a filha dela também. Duvidam, inclusive, de que a menina seja filha do ex-Presidente da República. Olhem aonde chega a maldade, porque mulheres estão tendo a coragem de vir para o processo político!

Deixem-me dizer uma coisa - agora é para todos os homens que estão em cima de palanques e palcos, já fazendo pré-campanha -: se vocês não nos defendem, o silêncio de vocês é conivência. Eu vou repetir: aos homens que estão no processo político eleitoral, se vocês silenciam diante do ataque, da violência política contra a mulher, vocês são coniventes com o ataque, vocês são cúmplices dos ataques.

Venham, colegas! Venham para essa luta! Venham conosco! Não deixem apenas a mulher defender a mulher! Venham para essa luta nos defender!

E às minhas queridas amigas mulheres que estão no processo: vão jogar pedras, não tenham medo das pedras! Pisem em cima das pedras! Façam das pedras escadas! Subam! Voem alto!

O Brasil precisa de nós mulheres no lugar de poder e de decisão.

E para os covardes fica o recado: não temos medo de vocês.”, disse.

(da redação com informações da taquigrafia do Senado. Edição: Política Real)