Quem é Friedrich Merz, o maior inimigo de Angela Merkel, que vai comandar a Alemanha
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( Publicada originalmente às 15 h 51 do dia 22/02/2025)
Com Agencia.
(Brasília-DF, 24/02/2025). Nascido em 1955 em Brilon, na antiga Alemanha Ocidental, Friedrich Merz ingressou na CDU ainda na adolescência. Formado em Direito, ele chegou a atuar como juiz antes se candidatar a cargos eletivos. Estreou como eurodeputado em 1989. Na década seguinte, foi eleito para o Parlamento alemão.
Membro de um grupo rival interno ao da ex-chanceler Angela Merkel na CDU, Merz acabou se afastando da política em 2009, passando a atuar no setor privado. Em 2018, com a aposentadoria de Merkel já no horizonte, voltou à política, tornando-se líder da CDU em 2021.
"Angela Merkel e Friedrich Merz são essencialmente o epítome da divisão leste-oeste na Alemanha. Essencialmente, é um acidente histórico que esses dois líderes diametralmente opostos tenham acabado no mesmo partido", diz Michaela Küfner, editora-chefe de política da DW.
Merkel e Merz eram herdeiros políticos de Helmut Kohl, o chanceler da Reunificação alemã. Merkel cresceu na então Alemanha Oriental, sob o comunismo.
E Merz, na Alemanha Ocidental. A ascensão dela na CDU nos anos 90 e 2000 foi meteórica. Já ele seguiu o caminho convencional nas fileiras do partido. Isso levou a uma disputa política entre os dois.
Em 2002, Merkel se tornou líder do bloco conservador no Parlamento alemão. Um cargo que Merz estava ocupando. Frustrado, ele abandonou a política por mais de uma década.
"Quando se tratou de dividir o 'reino', ele perdeu e nunca a perdoou por isso. Angela Merkel é a inimiga política de Friedrich Merz. Eles nunca se deram bem. Estavam sempre em competição. E tinham visões quase diametralmente opostas do que significa ser conservador", afirma Küfner.
No comando da legenda, Merz deu uma guinada conservadora, afastando a CDU da rota centrista adotada por Merkel por quase duas décadas, o que levou a imprensa estrangeira a defini-lo como um conservador "anti-Merkel".
Opositor da política de "boas-vindas" aos refugiados da sua predecessora, Merz passou a defender uma abordagem mais rígida contra a imigração. Também se mostrou crítico ao fechamento de usinas nucleares acertado por Merkel.
Em alguns momentos, Merz foi acusado por rivais de se aproximar da ultradireita. Em janeiro, após um ataque a faca executado por um afegão que deixou dois mortos, Merz tentou aprovar no Bundestag, com apoio da AfD, um projeto para restringir a imigração. O gesto foi visto como uma rachadura significativa no "cordão sanitário", pacto dos partidos tradicionais para isolar politicamente a ultradireita, e provocou protestos nas ruas e críticas da ex-chanceler Merkel.
Merz tentou minimizar o episódio reforçando que nunca pretende se aliar à AfD. Se ascender mesmo ao posto de chanceler federal, Merz será o terceiro membro da CDU a chefiar o governo alemão desde a reunificação do país, em 1990.
( da redação com DW. Edição: Política Real)