31 de julho de 2025
Brasil e Poder

CPI DA PANDEMIA: Alessandro Vieira fez fala destacando o risco de incentivar o tratamento precoce como política públicae incentivar teorias conspiratórias

Veja mais

Publicado em
348271b37684ab3542d04735f8754df9.jpeg

( Publicada originalmente às 18h 00 do dia 25/05/221) 

(Brasília-DF, 26/05/2021)  O senador Alessandro Vieira(Cidadania-SE) inqueriu a médica Mayra Pinheiro, secretária de gestão do Ministério da Saúde, sobre diversos temas, lembrou sobre os estudos que ela tinha abordado antes que na avaliação dela afinaçam o uso da hidroxocloroquina e cloquina assim como outros medicamentos , sobre o aplicativo TrateCov, entre outros temas. 

Já no final, visto que existem muito senões desaconselhando o uso de alguns medicamentos, ele fez uma longa fala afirmando como era lamentável o Governo do Brasil levar adiante uma política pública que não é confiável que permitem levar adiante teorias conspiratórias.

Veja a íntegra das notas taquigráficas:

O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – Sabe o que é que me chama a atenção, Dra. Mayra?

A SRA. MAYRA PINHEIRO – Pois não.

O SR. ALESSANDRO VIEIRA (Bloco Parlamentar Senado Independente/CIDADANIA - SE) – É porque a OMS dá sua opinião, várias e várias entidades médicas dão sua opinião, as maiores entidades médicas do mundo dão sua opinião, Fiocruz, Butantan, os estudos são realizados aqui no Brasil, o TCU e todos eles estão equivocados!

Eu queria alertar à senhora, porque as pessoas estão nos ouvindo e, eventualmente, se deixam seduzir por uma coisa que é muito presente hoje na nossa vida, que são as teorias conspiratórias.

Então, quando a gente fala claramente, a gente deixa mais evidente a loucura que a gente está vivendo, porque a tese que nós estamos ouvindo aqui, que não veio só da senhora, veio também de colegas Senadores, vai na linha de que existe um complô mundial em que o mundo decidiu, por conta da influência da indústria farmacêutica, negar às pessoas um medicamento e matar – nos Estados Unidos, matar mais de meio milhão, aqui a gente está caminhando para isso, 450 mil mortos – e tudo isso foi feito por um interesse econômico obscuro. E as grandes universidades, as grandes entidades científicas estão todas envolvidas nesse complô, porque você não encontra... A senhora mencionou, uma dúzia de vezes, estudos na sua fala aqui, e já são horas de fala, a senhora não indicou um só detalhadamente.

Trazer carrinho cheio de papel não impressiona ninguém que sabe ler. Não é assim que funciona. Quando eu falo com a senhora e menciono, e a senhora reconhece que sabe que existem os estudos, que os estudos são sérios, que eles correspondem ao padrão ouro de avaliação, mas mesmo assim a senhora não muda de opinião. Como eu disse, é muito claro que a senhora acredita no que fala, mas só acreditar não transforma isso em verdade.

Então, eu lamento muito que a política pública de saúde brasileira seja conduzida desta forma. É lamentável – é lamentável –, porque ninguém em sã consciência consegue acreditar que países no mundo afora deixam seu cidadão morrendo porque não querem dar um remédio, quando esses países foram exatamente os responsáveis pelos testes mais qualificados. Os testes que eu referi, quase todos eles são de universidades dos Estados Unidos e do Canadá, apontando a ineficácia do medicamento, e por conta disso acelerando o processo de compra.

A senhora tem consciência de que esta manifestação que indica a existência de um suposto remédio para a Covid facilita as condutas equivocadas das pessoas? Porque as pessoas colocam no seu inconsciente, e não é só a senhora que faz isso, o Presidente da República faz isso diariamente, as pessoas colocam no inconsciente a impressão de que "o.k., eu posso me contaminar e não vai acontecer nada, porque tem um remédio", quando não é verdade. É uma loteria macabra, que já matou 450 mil pessoas. Milhões de brasileiros tiveram que ser internados. Esses milhões de brasileiros, a senhora sabe bem, terão sequelas, provavelmente. E nós não temos estrutura para tratá-los.

Então, a gente está num caos muito grande e eu faço questão de reforçar, eu tenho certeza absoluta da sua boa intenção, mas faço um chamamento à razão. Será razoável imaginar que todo o mundo resolveu se reunir em benefício de uma doença? Por que será que as lideranças globais mudaram suas opiniões? Porque o erro, no começo, fazia sentido. No começo, todo mundo testou a cloroquina. Todo mundo testou, porque todo mundo queria uma solução rápida, barata, que não paralisasse a economia. Só que quase todo mundo mudou de ideia e entendeu. O Brasil não. Infelizmente.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)