31 de julho de 2025

Sergipe. Al-SE fez encontro para discutir sub-bacia que atende 300 mil pessoas.

Promotor pede ajuda para salvar rio Piauitinga da degradação

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( Brasília-DF, 02/10/2007) A Política Real teve acesso. Os problemas ambientais que afetam a sub-bacia do rio Piauitinga, no centro-sul do Sergipe, marcaram os debates hoje ,2, na Assembléia Legislativa do Estado, que destinou o grande expediente para uma sessão especial com o promotor de Justiça Antônio César Leite Carvalho, o professor Robério Ferreira e o diretor administrativo da Faculdade José Augusto Vieira (FJAV), professor José Valdelmo Monteiro. Todos foram unânimes em afirmar que a degradação ambiental ameaça o abastecimento de água na região.

O promotor Antônio César apresentou os avanços da legislação ambiental nos últimos anos e apontou as agressões que têm afetado seriamente os rios da região, especialmente na retirada da vegetação no entorno das nascentes. O promotor disse que crimes ambientais têm quer ser punidos criminalmente. “E a omissão também será punida”, advertiu.

Antônio César declarou que é preciso fazer algo pelo meio ambiente. “Temos um estado avançado de degradação. Haverá colapso de abastecimento em Boquim em 10 anos”, comentou, ao lembrar o fato do rio Piauitinga abastecer cerca de 400 mil pessoas na região. Para ele, a Assembléia precisa se somar ao trabalho de preservação dos mananciais daquela sub-bacia. “Esse trabalho (de recuperação) não levará menos de 20 anos”, observou.

O riacho Capivara, segundo o promotor, está totalmente degradado e precisa de ajuda. “Encontrei caçambas e carroças retirando areia do riacho. Não há fiscalização, não há poder de polícia”, disse Antônio César, relatando uma visita recente a trechos da nascente.

O professor Robério Ferreira, pesquisador que participa do projeto “Adote um manancial” – idealizado pela Curadoria de Defesa do Meio Ambiente e Urbanismo da Comarca de Lagarto e apoiado pela Faculdade José Augusto Vieira, Universidade Federal de Sergipe e a Sociedade Semear - lamentou o fato de Sergipe não possuir florestas. Segundo ele, não houve cuidado com a cobertura vegetal. “Não temos vegetação e toda a nossa diversidade está sendo perdida”, assegurou.

Robério disse que notou a falta de cuidados com a floresta quando chegou a Sergipe, em 2002. “Na época, lancei um alerta sobre as questões ambientais. Em novembro do ano passado, participei do lançamento do programa Adote um Manancial”, declarou o pesquisador, citando o plantio de mudas no entorno das nascentes afetadas como uma medida que pode reverter a degradação.


META - “O começo dessa luta foi o riacho Taboca, onde conseguimos fazer o retorno da vegetação. Temos feito levantamentos das nascentes, monitorando a vegetação, listando as espécies que podem ser adotadas nas sub-bacias. Colhemos sementes, produzimos mudas e plantamos”, explicou.

De acordo com o pesquisador, em Lagarto existem 27 nascentes que estão no mais completo estado de degradação. Há uma previsão de colapso em 10 anos, advertiu. Essa previsão pode ser antecipada com o estágio de destruição dos mananciais. “Esse problema não ocorre apenas na sub bacia do Piauitinga, ocorre também na sub bacia do Poxim”, explicou.

O projeto “Adote um manancial” adotou como prioridade o plantio. A prioridade é voltada para as espécies que dão recobrimento mais rápido. “Vamos plantar cinco mil mudas, mas a nossa meta era plantar 10 mil. Essa meta será atingida em outros anos. Hoje temos de 25 a 30 espécies plantadas. Nossa previsão é ampliar a biodiversidade e chegar a 40 espécies”, destacou Robério, que convidou os deputados a participar da empreitada. “A sociedade atenderá mais facilmente um apelo feito por vocês e Sergipe clama muito por uma mudança de atitude na questão ambiental”, argumentou.

O professor José Valdemo, outro parceiro do projeto, disse que a Faculdade José Augusto Vieira tem dado atenção prioritária às questões ambientais e citou o caso da educação ambiental, regida por lei ambiental, que vem sendo tratada com muita seriedade pela faculdade lagartense.

Segundo Valdelmo, o projeto de educação ambiental previa inicialmente a capacitação de 160 professores em dois anos. A meta foi ultrapassada. “Capacitamos mais de 180 professores e realizamos seminários. Oferecemos curso ambiental para os professores e tivemos 89% de presença integral”.

O representante da FJAV disse ainda que os professores foram capacitados para oferecer o tema em sala de aula. “Fizemos uma avaliação e a maioria dos cursos que foram capacitados deram boas notas ao curso”, comentou Valdelmo.

A deputada estadual Conceição Vieira (PT) disse que assuntos como a questão do meio ambiente ajudam a Assembléia Legislativa “a tomar posições e colaborar com iniciativas nobres, como a que está sendo adotada em Lagarto”. A parlamentar elogiou a Sociedade Semear por estar na parceria. “Outras entidades representativas da sociedade precisam se integrar a projetos como este”, ponderou.

O deputado estadual João da Graça (PT do B), autor do requerimento que garantiu a realização da sessão especial, disse que a explanação deve servir de exemplo para toda a sociedade, que deveria adotar medidas que combatam a degradação ambiental em Sergipe. O deputado estadual Valmir Monteiro (PSC) acredita que se não fosse a intervenção do grupo, o rio Piauitinga estaria correndo o risco de perder água até para o consumo humano. “Esse rio é responsável pelo abastecimento de 70% da água consumida pela cidade”, alertou o parlamentar.

A educação ambiental, segundo avaliação da deputada estadual Susana Azevedo (PSC), pode assegurar uma mudança de hábito na população. De acordo com a parlamentar, se não houver medidas, o abastecimento pode ser afetado. “Água é vital. Como é que faremos sem água? Podemos ficar sem energia, mas sem água não é possível. A Assembléia Legislativa não se furtará a essa luta e estamos à disposição de vocês”, destacou Susana.

O deputado estadual Wanderlê Correia (PMDB) afirmou que é bom ouvir pessoas que abraçam com amor causas como a recuperação do rio Piauitinga. “Vocês tem feito isso de forma notória e isso precisa ser destacado. Temos questões graves a discutir, como o abate de animais de forma inadequada, a questão dos aterros sanitários e a poluição das bacias hidrográficas”. O parlamentar disse anda que os consórcios públicos podem ser usados para questões como estas.

( da redação com informações de assessoria)