31 de julho de 2025

Alagoas.

Deputado Maurício Quintela Lessa diz que Alagoas vive crise institucional; Ele disse que Governador mal completou 100 dias e pediu 10 para tirar umas “férias”.

Publicado em

 

 

( Brasília-DF, 18/04/2007) A Política Real teve acesso. O deputado Maurício Quintela Lessa(PR-AL), que era ligado ao ex-governador Ronaldo Lessa(PDT), rompido com Teotônio Vilela e tido como isolado politicamente – disse, numa fala de pequeno expediente no plenário da Câmara Federal que o Estado de Alagoas vive uma crise institucional.

 

Ele reclamou que a classe produtiva se sente paralizada e atingida. Ele ironizou o fato do atual Governo ter completando 100 dias e o governador Teotônio Vilela(PSDB) já ter tirado 10 dias de férias:

 

- Depois de 100 dias de Governo, ficou muito estressado e tirou 10 dias para descansar. Não é o Senado, não! Está governando um Estado complicado, pobre, pequeno que é Alagoas. Não pode tirar férias com 100 dias de Governo.

 

Veja a íntegra da falação de Quintela Lessa:

 

“ Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o que me traz a esta tribuna, infelizmente — e com muita tristeza — , mais uma vez, é a crise institucional por que passa o meu Estado, o Estado de Alagoas.

 

Há crise na educação. O magistério está em greve há 3 meses. Isso comprometeu, sem dúvida nenhuma, o final do ano letivo de 2006, comprometerá, firmemente, o ano letivo de 2007 e, obviamente, trará conseqüências para o ano letivo de 2008.

 

Há crise na saúde. O Estado foi matéria nacional, porque sua única maternidade de alto risco, mais uma vez, foi vítima da superlotação, o que ocasionou a morte de vários recém-nascidos.

 

Agora, há crise na segurança pública. Aliás, isso já vem-se arrastando há muito tempo, mas, nesta semana, chegou a níveis insuportáveis.

 

Sr. Presidente Narcio Rodrigues, Deputado Beto Albuquerque, quem conhece Alagoas sabe que é um belíssimo Estado. É detentor das mais belas praias deste País, com boa culinária, povo hospitaleiro. Sempre foi um Estado tranqüilo do ponto de vista da violência urbana.

 

Em Alagoas a violência que havia era política, do crime de mando, do coronel do interior do sertão, mas não a urbana. Podíamos sair de casa e ter a tranqüilidade de saber que nossos filhos estariam em casa e não seriam assaltados, podíamos pegar o carro e andar com os vidros abertos até pouco tempo atrás, podíamos sair no final de semana ir para a chácara com calma, mas a violência explodiu nos últimos quatro meses, principalmente depois que o Governador Teotônio Vilela assumiu os destinos do Estado. Trago como exemplo o principal jornal do Estado, Gazeta de Alagoas, desta terça-feira, que não é diferente do de hoje. Todas as notícias que estão nos jornais, nas rádios, na televisão falam sobre violência em Alagoas:

 

Estado reforça combate ao crime. Teo reassume com metas para segurança. Vara — foi uma vara criada ontem, tínhamos o núcleo de combate ao crime organizado e por causa do aumento da violência transformou-se agora numa Vara de Combate ao Crime Organizado — vara pegará caso de Beto Campanha — Vice-Prefeito da cidade do Pilar assassinado no mês de janeiro e que até agora seu crime não foi elucidado. Polícia deixa de atender por falta de veículos. A informação que temos é que as operações policiais no Estado de Alagoas estão deixando de acontecer, porque os veículos da Polícia Civil e Militar nem combustível para sair das delegacias dos quartéis tem hoje no Estado.

 

Empresários cobram ação antiviolência.

 

Segunda-feira participei junto com a Bancada Federal do nosso Estado, a convite não do Governador do Estado, não dos órgãos de segurança do Estado, mas a convite da classe produtora do Estado de Alagoas, que está insatisfeita, preocupada com as conseqüências que isso pode ter na economia do nosso Estado, de uma reuniãoconvocada para pedir socorro, apoio ao Governo do Estado porque a violência chegou a níveis insustentáveis. É roubo, assalto, latrocínio, assalto em ônibus, em pousada, em posto de combustível, em banco, seqüestro relâmpado todos os dias, seqüestros de autoridades...

 

Ontem, o Governador Teotônio Vilela reassumiu o Governo do Estado. Depois de 100 dias de Governo, ficou muito estressado e tirou 10 dias para descansar. Não é o Senado, não! Está governando um Estado complicado, pobre, pequeno que é Alagoas. Não pode tirar férias com 100 dias de Governo.

 

Reassumiu o Estado ontem e a primeira ação foi ir à inauguração da 17ª Vara, agora Vara de Combate ao Crime Organizado. É importante que o Governador esteja presente, é importantíssima a posição do Judiciário de Alagoas que tem realmente contribuído para enfrentar o crime organizado no Estado. E, ontem, à noite, 12 horas depois de o Governador inaugurar a 17ª Vara, 5 seqüestradores — e está aqui, também, já no jornal de hoje: Seqüestradores de Juiz fogem do Tigre. O Presidente da Associação alagoana dos Magistrados também foi seqüestrado em Alagoas no mês passado. Foi uma guerra para se prender esses seqüestradores no Estado de Alagoas e prenderam, e o Estado os colocou na sede do Tigre, que é a Polícia Especializada do Estado de Alagoas.

 

Ontem, os 5 seqüestradores fugiram do Tigre. Éuma vergonha para o nosso Estado e para a nossa polícia não conseguirmos nem na sede da Polícia Especializada manter 5 seqüestradores presos. Ao mesmo tempo, 12 prisioneiros fugiram do Presídio Rubens Quintella, unidade dita de segurança máxima, porque também o Estado não teve condições de guardá-los.

 

Sr. Presidente, não vou criticar mais o governo. Vim usar esta tribuna, primeiro, para que o Brasil tome consciência da situação porque passa o Estado.

 

O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) Conclua, Deputado.

 

O SR. MAURÍCIO QUINTELLA LESSA Sr. Presidente, V.Exa. foi condescendente com vários Deputados. Nem terminou meu tempo ainda.

 

O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) Com ninguém, hoje, não. O tempo hoje é de 5 minutos e já estamos no limite. V.Exa. tem a palavra para concluir.

 

O SR. MAURÍCIO QUINTELLA LESSA Peço a palavra para concluir. Hoje, o presidente da vara do crime organizado...

 

O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) Por favor, Deputado. Concluir é concluir.

 

O SR. MAURÍCIO QUINTELLA LESSA ... pediu intervenção federal no Estado de Alagoas. Sou contra intervenção federal. Acho que Governo Federal e o n núcleo da Polícia do Estado têm toda condição de, juntos, fazerem um trabalho no sentido de que se resolva a crise da violência em nosso Estado. Concluindo, queria só...

 

O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) Por favor, Deputado.

 

O SR. MAURÍCIO QUINTELLA LESSA V.Exa. deu 2 minutos ao Deputado Edigar Mão Branca, deu 2 minutos à Deputada Manuela D´ávila...

 

O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) Dei 2 minutos a ninguém.

 

O SR. MAURÍCIO QUINTELLA LESSA Deu 2.

 

O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) Todos tiveram 5 minutos.

 

O SR. MAURÍCIO QUINTELLA LESSA Já terminei. Agradeço a V.Exa.

 

O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) Agradecemos a V.Exa. a compreensão. Todos têm tido 5 minutos. Inclusive a Deputada Manuela teve 20 segundos para concluir.

 

O SR. MAURÍCIO QUINTELLA LESSA Teve 125, Sr. Presidente.

 

O SR. PRESIDENTE (Narcio Rodrigues) Com todo o direito.”

 

( da redação com informações de assessoria)