Nordeste e o Etanol
O ex-governador da Flórida, Jed Bush, esteve na Câmara discutindo incentivos para mercado de etanol; Ex-ministro Roberto Rodrigues sugere reverter tarifas de exportação em investimentos em pesquisa.
(Brasília-DF, 17/04/2007) O co-presidente da Comissão Interamericana de Etanol, Jed Bush, esteve nesta tarde na Comissão de Agricultura da Câmara para discutir o estímulo ao mercado de etanol. “O trabalho da Comissão é promover o mercado de etanol e creio que há muito interesse de empresas americanas de expandir o mercado no Brasil”, afirmou Jed Bush, que é irmão do presidente dos Estados Unidos, George Bush.
Jed Bush demonstrou otimismo na consolidação de um mercado americano, a partir da importação de etanol brasileiro. “Precisamos deixar a importação entrar e estimular o consumo”, disse Bush, que é ex governador da Florida. “Não estamos falando na eliminação do consumo de petróleo no país,apenas estamos estimulando o uso de energias renováveis. Se barrarmos 10 % do consumo de petróleo isso significa 2 milhões de galões por dia”, explicou.
O maior entrave para consolidar essa negociação é a tarifa cobrada sobre o produto brasileiro para entrar no mercado norte-americano, que seria em torno de US$ 0,14 por litro. Jed Bush admite a dificuldade que essa tarifa traz para a transação. “Precisamos pensar uma forma de extinguir a tarifa”, afirmou. O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, propôs que os recursos referentes a tarifa fossem revertidos para investimento em pesquisas sobre o etanol no Brasil. A proposta ainda vai ser analisada pelo governo americano.
Independente da proposta, o ministro informou que uma parceria para o desenvolvimento de pesquisas já está sendo feito entre as universidades americanas e brasileiras. Jed Bush anunciou que neste ano serão investidos US$1,6 bilhões de dólares em pesquisas nos Estados Unidos. Por fim, o co-presidente da Comissão Interamericana de Etanol informou os planos de investir na produção de etanol, estimulando mercados não apenas na América Latina mas também na África.
Ao ser questionado sobre o prejuízo que a produção de etanol pode trazer para as plantações de produtos alimentícios o ex-ministro Roberto Rodrigues rebateu. “Não há nenhum prejuízo para o nosso país. Temos 150 milhões de hectares só com pastagens e apenas 3 milhões de hectares com plantações de cana-de-açúcar para produção de etanol”, argumentou o ministro. “Não há nenhuma questão ideológica que possa impedir o estímulo a produção de energia renovável”, complementou.
(por Liana Gesteira)