Flávio Bolsonaro depois que foi revelado que era investigado pela PF por corrupção surgem razões para voltar a tratar do Dark Horse com perguntas que precisam ser esclarecidas
Veja mais
Publicado em
Com agências.
(Brasília-DF, 12/09/2026) A semana prometia terminar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sob pressão face a sua ligação com o Supremo Tribunal Federal por conta da condenação imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, porém a divulgação pelo próprio aliado, ministro André Mendonça de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) era investigado pela Política Federal por corrupção e lavagem de dinheiro do caso do Banco Master e o Dark horse mudou a cena.
Ele chegou a dizer que não era investigado e que o caso era página virada.
Entenda a seguir, em seis pontos, o que se sabe e o que falta ser esclarecido sobre o inquérito que investiga Flávio Bolsonaro:
1. Quando a investigação foi instaurada por Mendonça?
A conexão entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para financiamento do filme Dark Horse foi revelada em 13 de maio pelo portal The Intercept Brasil.
O acordo, dizia a reportagem, previa o repasse de US$ 24 milhões (na época equivalentes a cerca de R$ 134 milhões), dos quais cerca de metade foi pago.
Quase dois meses depois, em 8 de julho, a Polícia Federal solicitou a Mendonça a abertura de um inquérito sigiloso para apurar possíveis crimes envolvendo o financiamento da obra. O pedido veio em um relatório que descrevia as interações e encontros entre o banqueiro e o filho do ex-presidente.
Em 21 de julho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) endossou o pedido de investigação.
Com isso, em 22 de julho, Mendonça determinou a instauração de um inquérito para apurar se Flávio cometeu os "crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos".
O relatório da PF que embasou o pedido de investigação diz que Flávio Bolsonaro (PL) foi um "interlocutor direto" do banqueiro Daniel Vorcaro na produção do filme Dark Horse, segundo a Polícia Federal (PF).
Os contatos ocorreram quando Vorcaro já estava no radar da PF, ao longo de 2025, e mesmo após sua primeira prisão, em 17 de novembro. Ambos se reuniram ainda no final daquele mês, quando o banqueiro estava em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica.
Os investigadores também levantam a hipótese de que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, "orientou a gestão dos recursos [do filme] em solo estrangeiro".
Nos documentos, a PF sustenta que mensagens e arquivos extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, somados a um Relatório de Inteligência Financeira do Coaf, indicam uma rota financeira internacional possivelmente ligada à produção de Dark Horse.
Segundo a PF, a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Antônio Carlos Freixo Júnior, enviou US$ 12.333.335 ao Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos, entre fevereiro e setembro de 2025.
No telefone de Vorcaro, os investigadores localizaram um contrato para o filme que previa investimento de US$ 24 milhões em 14 parcelas. A PF diz que os valores e o calendário das remessas se aproximam daqueles previstos no contrato.
3. Qual o objetivo da PF na investigação?
Ao solicitar a abertura do inquérito, a Polícia Federal disse que buscaria esclarecer cinco pontos:
a origem dos recursos destinados pelo Master ao financiamento do filme;
a razão da utilização da empresa Entre Investimentos como intermediária dos pagamentos enviados ao fundo Havengate nos Estados Unidos;
a função desempenhada pelo fundo Havengate;
os beneficiários finais dos valores remetidos ao exterior;
o papel efetivamente exercido por Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Mário Frias (deputado federal), Thiago Miranda (publicitário que intermediava os contatos com Vorcaro), Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro), Antônio Freixo (dono da Entre Investimentos), Altiers Santana e Paulo Calixto (controladores do Havengate) na estruturação, cobrança, execução e destinação dos aportes.
Além disso, a PF argumentou que a investigação serviria para, se necessário, "a adoção de medidas de cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos".
4. O que se sabe sobre o andamento da investigação?
Como o caso estava em sigilo até a noite de sexta-feira (11/9), ainda há informações limitadas sobre os desdobramentos do caso após a formalização do inquérito contra Flávio Bolsonaro em 22 de julho.
Mendonça liberou mais documentos, mas não se sabe se há mais relatórios com informações importantes que foram mantidos em sigilo.
Com a análise completa de todo o conteúdo , há expectativa de que seja esclarecido se a PF já adotou novas diligências ou se solicitou medidas ao ministro
Será possível saber ainda se houve outras decisões que Mendonça adotou dentro do inquérito e se houve alguma cooperação para apurações nos Estados Unidos.
Já se sabe, porém, que os novos documentos liberados na noite de sexta-feira dão mais detalhes sobre o papel de Flávio Bolsonaro nas tratativas para o financiamento de Dark Horse.
Em uma representação da PF, por exemplo, o senador é apontado como "interlocutor direto" de Vorcaro, "inclusive com cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento do andamento das gravações".
A PF afirma ainda que a dinâmica identificada "recomenda aprofundamento investigativo para esclarecer" o papel efetivamente exercido por Flávio.
Os documentos revelados na noite de sexta também detalham algumas das despesas gastas pela produção de Dark Horse, além de trazerem informações sobre gastos pessoais de Daniel Vorcaro.
5. Como as informações foram reveladas?
A retirada do sigilo de parte do caso Master foi solicitada a Mendonça pelo presidente do STF, Edson Fachin, na noite de quinta-feira (10/9).
O objetivo era dar acesso aos demais ministros da Corte a esse material devido ao julgamento marcado para terça-feira (15/9), quando o STF pode decidir se abre uma investigação sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro.
Nesse pedido, Fachin solicitou que não fosse tornado público "diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida" — ou seja, disse para se manter em sigilo apenas o que fosse necessário para o andamento de investigações.
Em uma primeira liberação de documentos, o inquérito sobre Flávio Bolsonaro foi mantido em sigilo.
Mas na tarde de sexta-feira (11/9), Fachin deu mais 24 horas para que Mendonça ampliasse a retirada dos sigilos, após a PGR analisar o conteúdo liberado pelo ministro e apontar que ainda havia conteúdos secretos que poderiam ser divulgados.
Algumas horas depois, mais documentos foram tornados públicos no sistema do STF, dessa vez com mais detalhes sobre a investigação da conduta do senador Flávio Bolsonaro.
6. O que Flávio diz — e o que ainda não explicou sobre o dinheiro do Master?
Flávio nega qualquer irregularidade sobre o financiamento do filme sobre seu pai e insiste que se trata apenas de um patrocínio privado para uma obra privada, sem uso do dinheiro público.
Em sabatina ao Jornal Nacional, porém, ele foi cobrado sobre a falta de detalhamento sobre os recursos obtidos e como eles foram gastos.
As investigações apontam que o equivalente a mais de R$ 60 milhões chegaram a ser liberados para a obra, mas, até o momento, a produtora do filma não detalhou e comprovou a utilização dos recursos.
Pressionado pelo Jornal Nacional a apresentar o contrato para o patrocínio e uma planilha detalhada sobre o uso dos recursos no filme, o candidato do PL insistiu que já prestou os esclarecimentos e que se trata de um financiamento privado para realização de uma "obra de arte".
"Eu não fui buscar dinheiro em recursos públicos, e esse foi um patrocínio, na verdade, que não tem nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro. É um patrocínio para um filme privado sobre o meu pai".
Já nesta sexta, em uma agenda de campanha no Amazonas, Flávio Bolsonaro disse estar com "muita tranquilidade" em relação a divulgação da existência do inquérito e afirmou que "transparência total nesse assunto foi a melhor coisa que poderia acontecer".
"Estamos numa eleição presidencial e não é novidade para ninguém que vão tentar fazer de tudo para desestabilizar e inventar coisas onde não tem", afirmou.
"Sempre disse que a relação com o filme foi privada, um patrocínio privado em relação ao filme do presidente Bolsonaro. É muito positivo para confirmar o que sempre falei."
( da redação com informações de assessoria e agências. Edição: Política Real)