31 de julho de 2025
COMÉRCIO

CNC avalia alta, acima do esperado, nas vendas do comércio porém lamenta que o endividamento alto das famílias e o juro alto limitam o setor do comércio

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Por Politica Real com agências
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Imgem da sede da CNC, em BSB Foto: Arquivo da Política Real

Com agências

(Brasília-DF, 13/08/2026). Nesta quinta-feira, 13, após a divulgação da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE revelando que as vendas de comércio em junho chegando a alta de 0,5%, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) avaliou que a recuperação dos supermercados e hipermercados contribuiu para o resultado da PMC, mas análise da CNC aponta que juros elevados e endividamento das famílias ainda limitam o desempenho do comércio

O varejo brasileiro no mês de junho cresceu mais do que o esperado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O varejo restrito apresentou crescimento de 0,5% na comparação com maio, que teve a alta revisada para 0,3%. O resultado ficou acima da projeção de 0,1% da CNC.

Com o resultado, o índice de volume do varejo chegou a 109,7 pontos, ficando 0,7% abaixo do recorde registrado em março. Na comparação com junho de 2025, o comércio avançou 2,9%. No acumulado do primeiro semestre, a alta foi de 1,9%, enquanto o crescimento em 12 meses ficou em 1,6%.

Apesar do resultado positivo na comparação mensal, a média trimestral apresentou retração de 0,3%, sinalizando que a recuperação ainda não está consolidada. Para a CNC, o desempenho do comércio segue marcado por diferenças importantes entre os segmentos.

Supermercados puxam recuperação

Entre os oito grupos pesquisados no varejo restrito, quatro registraram crescimento em junho. O principal destaque foi o segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que avançou 1,1%, após recuo de 1,4% em maio.

Por representar o grupo de maior peso na pesquisa, a recuperação foi decisiva para o resultado geral. Na comparação anual, o segmento respondeu por 1,2 ponto percentual dos 2,9% de crescimento do varejo restrito.

A análise da CNC destaca ainda que os preços da alimentação no domicílio recuaram 0,39% em junho, após alta de 1,65% em maio. A menor pressão sobre o orçamento das famílias contribuiu para a recuperação do volume de vendas, embora esse movimento ainda deva ocorrer de forma gradual.

Também registraram alta outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,4%), móveis e eletrodomésticos (0,4%) e artigos farmacêuticos (0,2%). Este último segmento completou 40 meses consecutivos de crescimento na comparação anual.

Para o economista da CNC João Vitor Gonçalves, o desempenho mais fraco das atividades envolvem compras de maior valor em ambiente de crédito ainda restritivo. “A taxa Selic encerrou junho em 14,25%, enquanto a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, apontou que 81,6% das famílias estavam endividadas e 29,9% tinham contas em atraso. Nesse cenário, o custo do crédito e o comprometimento do orçamento reduzem o espaço para aquisições de maior valor”, observa.

Perspectivas para os próximos meses

Para julho, a CNC projeta crescimento de 0,6% no volume do varejo restrito, com ajuste sazonal. Para 2026, a projeção é de alta de 21%.

A análise ressalta, contudo, que o cenário econômico brasileiro ainda aponta desaceleração. “O desempenho do comércio permanece heterogêneo entre os diferentes setores, com características específicas de cada atividade influenciando os resultados. O elevado endividamento das famílias e os efeitos defasados dos juros devem continuar limitando principalmente as atividades mais dependentes de crédito”, complementa Vitor Gonçalves.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)