31 de julho de 2025
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TENDÊNCIAS: Numa avaliação sobre IGP-10 e o tarifaço, grupo de economistas avalia que Selic só irá cair no final de 2027

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Por Política Real com assessoria
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Juros Selic Foto: Taz Group

(Brasília-DF, 17/07/2026)  Nesta sexta-feira, 17, chegou à redação da Politica Real, enviado por assessoria, uma avaliação feita por seis economistas em que se faz um contra proto a partir dos recentes dados sobre o IGP-10%  e o tarifaço divulgado na noite da quarta-feira, 15.  IGP-10 cai 1,13% e Selic abre ganho real de 2,27% no mês.

 

Confira as avaliações enviadas à Política Real: 

Reforço

 

“O IGP-10 reforça a percepção de que a inflação ao produtor segue mais comportada, refletindo a acomodação de diversas commodities e uma menor pressão em parte da cadeia produtiva. Ainda assim, o comportamento dos preços ao consumidor e dos custos da construção indica que a desinflação não ocorre de forma homogênea entre os diferentes segmentos da economia. Entre os principais vetores do índice continuam se destacando os movimentos das matérias-primas e dos combustíveis no atacado, enquanto alimentos específicos, energia e custos ligados à mão de obra na construção ainda exercem pressão em alguns componentes do indicador. As novas tarifas anunciadas pelo governo Trump podem influenciar os próximos IGPs, especialmente o IGP-DI, caso provoquem mudanças nos preços internacionais de commodities, metais, energia e no câmbio. Como o IGP possui forte peso dos preços no atacado, um eventual aumento dos custos de importação ou uma valorização do dólar tende a ser transmitido mais rapidamente ao índice do que aos indicadores de inflação ao consumidor, exigindo acompanhamento dos próximos meses”, André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital.

Alívio

“O número reforça que a inflação brasileira perdeu força no atacado, impulsionada principalmente pela queda do petróleo e de outras commodities, reduzindo a pressão sobre os custos de produção e favorecendo a desinflação nos próximos meses. É nítido que o alívio veio dos preços de combustíveis, minério de ferro e insumos industriais, enquanto a inflação ao consumidor continua relativamente mais resistente.

As tarifas impostas pelos Estados Unidos podem reverter parte desse movimento caso provoquem depreciação do real, aumento dos custos de importação ou desorganização das cadeias comerciais, elevando novamente os preços no atacado e, posteriormente, contaminando indicadores como o IGP-DI, embora a magnitude desse efeito ainda dependa da evolução do câmbio e das negociações comerciais nos próximos dias”, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

Volatividade

“O recuo de 1,13% do IGP-10 é expressivo, mas sua composição exige mais atenção do que o número cheio. A queda foi concentrada no atacado: o IPA recuou 1,76%, enquanto o IPC ainda avançou 0,23% e o INCC subiu 0,65%. Isso mostra que a inflação perdeu força na origem de algumas cadeias, sobretudo em matérias-primas, combustíveis e bens finais, mas o alívio ainda não chegou de maneira uniforme ao consumidor nem aos custos da construção. Em termos de alocação, essa diferença importa porque um índice geral negativo pode melhorar a percepção sobre inflação futura, sem necessariamente produzir uma mudança imediata na trajetória dos juros ou no custo do crédito. As novas tarifas dos Estados Unidos acrescentam uma segunda camada ao cenário. Para os produtos brasileiros que perderem competitividade no mercado americano, pode haver redirecionamento de mercadorias ao mercado interno, ampliando a oferta e reduzindo preços no atacado. Esse seria um efeito baixista sobre o IPA e, por consequência, sobre o IGP-DI.

No sentido oposto, maior volatilidade cambial, fretes mais caros, reorganização logística e eventual encarecimento de insumos importados podem pressionar custos. O resultado líquido dependerá de quais setores conseguirão redirecionar vendas e quais permanecerão expostos ao dólar e às cadeias internacionais. Para a gestão de recursos, o momento recomenda diversificação entre prazos, indexadores e riscos de crédito, porque a dispersão entre setores tende a ser maior do que a variação agregada do índice sugere”, Gustavo Assis, CEO da Asset.

Próximo

"O IGP-10 de julho revela uma inflação em velocidades diferentes. As matérias-primas brutas caíram 4,47% e levaram o IPA a um recuo de 1,76%, mas os bens intermediários avançaram 0,78%. Isso significa que o alívio observado no início das cadeias não se transmitiu integralmente às etapas seguintes. Óleos lubrificantes, por exemplo, ainda carregam custos anteriores ligados a fretes, câmbio e insumos petroquímicos. Ao mesmo tempo, o INCC subiu 0,65%, com a mão de obra acelerando de 0,80% para 0,96%. Portanto, o dado não representa uma queda generalizada dos custos, mas uma recomposição desigual de preços. Esse contraste ganha importância com a tarifa americana de 25%. O próximo IGP-DI poderá captar parte de seus primeiros efeitos porque sua coleta abrange todo o mês de julho, incluindo a entrada em vigor prevista para o dia 22.

Empresas exportadoras podem redirecionar produtos ao mercado doméstico, aumentando a oferta local e exercendo pressão baixista sobre determinados preços do IPA. Paralelamente, alterações no câmbio, nos contratos de transporte, no fluxo de pagamentos e na demanda por capital de giro podem elevar custos financeiros e operacionais. Para fundos estruturados e operações fiduciárias, o desafio será separar os movimentos conjunturais das mudanças permanentes de risco. Quanto maior a dispersão de preços e margens, maior a importância de dados atualizados, critérios consistentes de avaliação, governança e acompanhamento preciso dos ativos”, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

Desaceleração

 

“O IGP-10 aprofundou o recuo em julho, puxado pelo IPA, que captou o alívio do petróleo observado na janela de coleta do índice (11/06 a 10/07),  período em que ainda prevalecia o cessar-fogo entre EUA e Irã. Vale a ressalva: esse dado já está defasado, pois desde o início de julho o conflito voltou a escalar, com novos ataques em torno do Estreito de Ormuz, forte queda no tráfego de petroleiros e Brent novamente pressionado. Ainda não é possível afirmar se essa escalada recente vai se traduzir em números mais altos adiante, depende de sua duração e de eventual nova trégua, mas é um risco que merece acompanhamento. A leitura de julho, de todo modo, não reflete o cenário atual nem indica desinflação estrutural, óleos lubrificantes ainda incorporam altas anteriores do barril, e Matérias-Primas Brutas seguem pressionadas por commodities agropecuárias e metálicas.

No IPC, a desaceleração veio de alimentos e vestuário, mas serviços (transportes, comunicação) voltaram a acelerar, sinalizando núcleo inflacionário ainda resistente, coerente com a revisão da Fazenda do IPCA 2026 para acima do teto da meta, o que mantém o Copom cauteloso quanto a novos cortes da Selic. Some-se a isso a confirmação de novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros: risco cambial, insumos importados mais caros e possível redirecionamento de excedente exportável ao mercado interno são canais que devem pressionar primeiro o atacado, com repasse gradual ao IGP-DI e ao consumidor, caso se confirmem”, Peterson Rizzo, Head de Relações com Investidores da Multiplike.

Oriente Médio

“O IGP-10 de julho, com queda de 1,1%, confirma que a inflação no atacado segue em terreno claramente negativo, e essa é a parte da inflação que costuma antecipar o que chega depois ao consumidor. O motor dessa deflação continua sendo o produtor, puxado principalmente pelas commodities e pela valorização do real, que barateia os insumos importados e derruba os preços no campo e na indústria. Na prática, é um alívio que ajuda a compor um quadro de inflação mais comportada e dá algum conforto para o Banco Central seguir com o ciclo de corte de juros. O ponto de atenção olhando para frente é justamente o petróleo, que voltou a subir com a tensão no Oriente Médio e pode reverter parte dessa queda nos próximos índices, porque combustíveis e fretes pesam bastante no atacado. E há um segundo fator no radar, que são as novas tarifas americanas. O efeito delas sobre o nosso índice tende a ser de duas mãos. Se muita mercadoria que iria para os Estados Unidos sobrar no mercado interno, como carnes e grãos, isso pressiona os preços ao produtor para baixo no curto prazo. Mas se a disputa comercial enfraquecer o real, o efeito se inverte, porque encarece tudo o que é cotado em dólar. Por ora o sinal é positivo, mas é o tipo de melhora que precisa ser confirmada nos próximos meses para virar tendência”, André Matos, CEO da MA7 Negócios.

Queda

 “A queda do IGP-10 oferece algum alívio para a formação de custos, mas não significa que o ambiente de crédito tenha se tornado imediatamente mais barato. O IPA caiu 1,76%, puxado pelas matérias-primas, enquanto o INCC continuou em alta de 0,65%. Dentro da construção, materiais e equipamentos desaceleraram para 0,46%, mas a mão de obra avançou 0,96%. Para famílias, construtoras, produtores rurais e empresas, essa diferença é relevante: alguns insumos podem ficar mais acessíveis, enquanto despesas com execução, serviços e financiamento permanecem pressionadas. As tarifas americanas podem produzir efeitos contraditórios sobre o IGP-DI. Mercadorias que deixarem de ser exportadas aos Estados Unidos poderão ser ofertadas no Brasil ou em outros mercados, reduzindo preços internos de produtos agrícolas e industriais. Isso favoreceria nova queda do atacado.

Entretanto, exportadores que precisarem alongar estoques, buscar novos compradores ou modificar rotas logísticas poderão demandar mais capital de giro. Se o episódio também pressionar o dólar, máquinas, componentes e insumos importados podem ficar mais caros. Nesse ambiente, o crédito com garantia ganha importância como instrumento de planejamento, não como resposta improvisada. Garantias bem avaliadas, prazos compatíveis com o ciclo de receita e uma leitura realista da capacidade de pagamento permitem atravessar períodos de oscilação de custos com mais previsibilidade e preservar recursos destinados à atividade produtiva”, Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.

Juros

“O IGP-10 caiu 1,13% em um cenário global no qual as tarifas comerciais voltaram a interferir na inflação, nas moedas e nas cadeias de produção. A redução ocorreu principalmente no atacado, enquanto o IPC e o INCC continuaram subindo. O dado mostra que a desinflação das commodities pode coexistir com custos domésticos persistentes. Por isso, a queda do índice brasileiro não elimina o risco inflacionário internacional. As tarifas americanas criam um risco em 2 etapas para o IGP-DI. Inicialmente, produtos brasileiros que deixarem de ser vendidos aos Estados Unidos podem ser direcionados ao mercado interno, aumentando a oferta e reduzindo preços no atacado. Depois, se as tarifas elevarem a inflação americana e mantiverem os juros dos Estados Unidos altos por mais tempo, o dólar poderá permanecer fortalecido diante de outras moedas. Para o Brasil, isso pode encarecer máquinas, componentes, tecnologia e insumos importados, devolvendo pressão ao IPA. O alerta é que o IGP-DI pode cair primeiro e acelerar posteriormente, conforme o choque migre do comércio para o câmbio e para os custos de produção. Para o investidor, essa sequência aumenta a importância da diversificação entre países, moedas e classes de ativos, porque uma única leitura mensal não captura todas as consequências de uma guerra comercial”, Fábio Murad, Sócio e Fundador da Ipê Avaliações.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)