TARIFAÇO: Setor dos dispositivos médicos avalia que tarifaço reforça a importância de ampliar a competitividade da indústria nacional
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(Brasília-DF, 17/07/2026). Nesta sexta-feira, 17, a Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO), após o tarifaço de 25% dos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros avalia que a medida merece atenção por atingir o principal mercado de exportação do setor.
Em 2025, os Estados Unidos responderam por US$ 289,68 milhões das exportações brasileiras de Dispositivos Médicos, resultado 4,61% superior ao registrado no ano anterior. Apenas entre janeiro e maio de 2026, as vendas para o mercado norte-americano já somaram US$ 96,5 milhões, mantendo o país como o principal destino das exportações brasileiras do setor.
Os Dispositivos Médicos abrangem equipamentos hospitalares, produtos para diagnóstico, implantes, próteses, materiais utilizados em procedimentos médicos, tecnologias odontológicas e outras soluções essenciais para a prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação de pacientes.
Segundo Jamir Dagir Jr., presidente da ABIMO – Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos, a medida representa mais um movimento de reorganização das cadeias globais de produção e comércio e exige atenção da indústria brasileira.
"Até o momento, não observamos impacto direto relevante nas exportações brasileiras de dispositivos médicos para os Estados Unidos. Grande parte desses embarques é realizada por transporte aéreo, o que reduz a exposição imediata a eventuais restrições logísticas. No entanto, o cenário exige acompanhamento permanente. Caso as medidas resultem em pressões adicionais sobre os custos globais, especialmente de energia e transporte, os efeitos poderão ser sentidos pelas cadeias de suprimentos nos próximos meses."
Na avaliação do presidente da ABIMO, a adoção de medidas tarifárias reforça uma tendência mundial de fortalecimento das cadeias produtivas nacionais em setores considerados estratégicos, como o de dispositivos médicos.
"Para o Brasil, esse cenário reforça a importância de ampliar a competitividade da indústria nacional, reduzir a dependência de insumos críticos importados e diversificar mercados e fornecedores. Quanto maior a capacidade de produção local e a inserção em diferentes mercados internacionais, maior será a resiliência da cadeia de saúde diante de movimentos geopolíticos como este."
Jamir ressalta que, embora as empresas brasileiras venham buscando ampliar sua presença em novos mercados diante das mudanças no comércio internacional, esse movimento é mais desafiador para a indústria de dispositivos médicos.
"De maneira geral, as empresas exportadoras já vêm se antecipando às possíveis restrições impostas pelo governo americano e buscando diversificar seus mercados. Entretanto, para o setor de dispositivos médicos esse processo é mais complexo, pois a entrada em novos mercados depende da aprovação dos sistemas regulatórios de cada país, o que pode levar meses ou até anos. Por isso, a diversificação das exportações é uma estratégia necessária, mas seus resultados ocorrem no médio e longo prazo e não representam uma resposta imediata às mudanças no cenário internacional."
Para a ABIMO, o cenário reforça a importância de fortalecer a competitividade da indústria brasileira de Dispositivos Médicos, ampliando a capacidade de produção nacional, estimulando a inovação e reduzindo a vulnerabilidade da cadeia produtiva diante de mudanças no comércio internacional.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)