Peter Magyar derrota Victor Orban nas eleições parlamentares da Hungria; Orban reconhece a derrota e vai deixar o poder após 16 anos
Veja mais
Publicado em
Com agências
(Brasília-DF, 12/04/2026) Confirmou-se o que já se previa as pesquisas eleitorais e neste domingo, 12, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, reconheceu a derrota nas eleições após as primeiras apurações mostrarem uma ampla vantagem do líder oposicionista Péter Magyar, que apontava um domínio do seu Partido pelo Respeito e pela Liberdade (Tisza) na Assembleia Nacional, com mais de dois terços das cadeiras
O reconhecimento da vitória de Magyar por Orbán ocorreu em um discurso do líder ultranacionalista, que está há 16 anos há frente do país.
"A responsabilidade e a oportunidade de governar não foi dada a nós", declarou Orbán. "Serviremos ao país e à nação húngara na oposição", complementou, acrescentando que o resultado foi "doloroso, mas claro".
Poucos minutos antes, Magyar havia afirmado, pelas redes sociais, que havia sido parabenizado pela vitória por Orbán. "O primeiro-ministro Viktor Orbán acaba de me telefonar para nos felicitar pela vitória", escreveu o líder da oposição.
Com 60,24% das urnas apuradas, às 21h33 do horário local (16h33 de Brasília), o Tisza tinha alcançado 136 das 199 cadeiras na Assembleia Nacional, o que representa mais que dois terços do Legislativo húngaro (133). O Fidez, de Orbán, somava 56, e o Mi Hazánk (Nossa Pátria, de ultradireita), sete.
As urnas fecharam às 19h com uma adesão eleitoral recorde, superior a 77,8%, segundo as previsões oficiais.
Houve longas filas em várias seções eleitorais, e o aumento da participação foi mais pronunciado em cidades de médio porte e entre os eleitores mais jovens, mais propensos a apoiar o conservador e pró-europeu Peter Magyar, segundo os analistas, relatou a agência France-Presse (AFP).
A eleição é considerada a mais importante para a Hungria desde a transição democrática de 1989/90.
s eleitores húngaros votaram para escolher os 199 lugares da Assembleia Nacional, num sistema eleitoral misto, com 106 deputados eleitos em círculos uninominais e 93 em listas de partidos nacionais. Nessas contas também entram os votos das minorias, particularmente alemães e roma.
A eleição foi seguida de perto em países da Europa e de outros continentes, o que demonstra o papel desproporcional que Orbán desempenha na política populista de ultradireita em todo o mundo.
Repressão contra minorias e acusação de corrupção
Durante os últimos anos, Orbán frustrou repetidamente os esforços da União Europeia (UE) para apoiar a Ucrânia na guerra contra a invasão russa, ao mesmo tempo que cultivou laços estreitos com o Presidente Vladimir Putin.
Durante os seus 16 anos como primeiro-ministro, o ultranacionalista lançou duras repressões contra os direitos das minorias e a liberdade de imprensa, subverteu muitas das instituições húngaras e foi acusado de desviar grandes somas de dinheiro para os cofres da sua elite empresarial aliada, alegação que nega.
Já o partido Magyar ascendeu rapidamente e tornou-se o adversário mais sério de Orbán. O líder de 45 anos do partido de centro-direita Tisza fez campanha com base em questões que afetam os eleitores comuns, incluindo os setores da saúde pública e dos transportes da Hungria, que estão em declínio, e o que descreve como corrupção desenfreada no governo.
( da redação com AFP, Lusa. Edição: Política Real )