Estados Unidos e Irã saem das negociações sem acordo para guerra; nenhum dos lados indicou o que acontecerá após o término do cessar-fogo, mas Paquistão tentará facilitar um novo diálogo nos próximos dias
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Com agências
(Brasília-DF, 12/04/2026) Depois de mais de 22 horas de negociações nesse sábado ,11, e a madrugada de domingo ,12, no Paquistão, os EUA e o Irã não chegaram a um acordo nas históricas negociações para o fim da guerra.
O vice‑presidente americano, J.D. Vance, que lidera a delegação do país, disse que Estados Unidos deixaram claras suas "linhas vermelhas", enquanto o Irã "não concordou com nossos termos".
"Nós saímos daqui com uma proposta muito simples, uma forma de deixar claro que esta é nossa oferta final e a melhor possível. Vamos ver se o Irã a aceita."
Segundo Vance, "a simples realidade é que precisamos ver um compromisso afirmativo de que eles não buscarão uma arma nuclear nem buscarão os meios que lhes permitiriam alcançar rapidamente uma arma nuclear".
Ele descreveu isso como o "objetivo central" do presidente americano, Donald Trump.
O vice-presidente afirmou que os EUA agora planejam deixar o Paquistão, a quem agradeceu por mediar as negociações.
Em uma publicação nas redes sociais, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, descreveu as conversas como "intensivas", mas afirmou que o sucesso das negociações em curso "depende da seriedade e da boa-fé da parte oposta".
Sharif também recebeu o líder do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que lidera a delegação no Paquistão
Baqaei também pediu que os EUA se abstenham de "exigências excessivas e pedidos ilegais" e aceitem os "direitos e interesses legítimos" do Irã.
Entre os temas que ele diz estar sendo discutidos estão o Estreito de Ormuz, o programa nuclear do Irã e "o fim completo da guerra".
Os representantes dos dois países se reuniram por mais de 16 horas no Serena Hotel, em Islamabad, capital do Paquistão, para negociar o fim da guerra iniciada no dia 28 de fevereiro, quando americanos e israelenses lançaram um ataque contra o território iraniano.
O dia começou com as duas delegações se reunindo separadamente com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que disse esperar que ambos os lados "se engajem de maneira construtiva".
As conversas presenciais marcam um evento histórico, já que são as de mais alto nível entre os EUA e o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.
O Irã chegou a Islamabad enfatizando sua profunda desconfiança em relação à diplomacia — suas discussões com os EUA no ano passado e neste ano foram ambas interrompidas pela guerra.
Por isso, insistiu que só trataria com uma autoridade americana mais graduada, em particular o vice-presidente J.D. Vance, visto como o mais forte opositor de engajamentos militares dispendiosos na equipe do presidente Donald Trump.
Nas redes sociais, o presidente Donald Trump disse durante o sábado que "recebeu muitos relatos" das conversas em Islamabad.
Depois, na Casa Branca, Trump disse a repórteres que, independentemente de um acordo ser ou não alcançado com o Irã, isso "não faz diferença para mim".
"Independentemente do que aconteça, nós vencemos", disse ele. "Derrotamos totalmente aquele país."
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Nenhum dos lados indicou o que acontecerá após o término do cessar-fogo, anunciado na última terça-feira. Mediadores paquistaneses instaram ambas as partes a não quebrar a trégua.
O Paquistão afirmou ainda que tentará facilitar um novo diálogo nos próximos dias. A mídia estatal iraniana reportou que há abertura na República Islâmica para continuar as conversas.
( da redação com BB, AP, AFP. Edição: Política Real)