Donald Trump ameaça bloquear todos que passarem pelo Estreito de Ormuz, após fracasso das negociações com Irã
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Com agências
( Brasília-DF, 12/04/2026) Neste domingo, 12, menos de 24 horas após negociações de paz entre Irã e EUA fracassarem, o chefe da Casa Branca, Donald Trump, ameaçou "bloquear" todos os navios que tentem entrar ou sair do Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital para a economia global.
Segundo Trump publicou nas redes sociais, ele "instruiu a Marinha a procurar e interceptar toda embarcação em águas internacionais que tenha pago um pedágio ao Irã" para passar por Ormuz.
Desde o início da guerra, o bloqueio seletivo — mas eficaz — do Irã a uma das vias navegáveis mais importantes do mundo geralmente só tem sido contornado por navios alinhados ao Irã, a países que Teerã considera amistosos ou por embarcações que se acredita terem pago um pedágio, estimado em cerca de US$ 2 milhões (R$ 10 milhões)
"Ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura no alto-mar", disse Trump, acrescentando que "qualquer iraniano que atirar contra nós, ou contra embarcações pacíficas, será explodido até o inferno".
Trump declarou ainda que "o Irã prometeu abrir o Estreito de Ormuz e, conscientemente, não o fez".
"Isto causou ansiedade, desorganização e sofrimento a muitas pessoas e países em todo o mundo", afirmou.
Depois das declarações de Trump, as Forças Navais do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmaram que quaisquer embarcações militares que se aproximem do Estreito de Ormuz serão consideradas como estando em violação do cessar-fogo e serão "tratadas severamente".
Em um comunicado publicado por veículos iranianos, as Forças Navais acrescentam que, "ao contrário das falsas alegações de alguns funcionários inimigos", o Estreito de Ormuz está "aberto para a passagem inocente [trânsito livre] de embarcações não militares, sob controle e gestão inteligentes, em conformidade com regulamentos específicos" do Irã.
A ameaça de Trump, porém, afetaria apenas um pequeno número de embarcações que ainda navegam pela via, segundo o especialista em transporte marítimo Lars Jensen.
"Se isso for realmente feito pelos americanos, vai interromper um fluxo muito pequeno de navios. No contexto geral, isso não muda realmente nada", afirma.
Jensen, diretor-executivo da Vespucci Maritime, diz que a ameaça de Trump de impedir a passagem segura de quaisquer navios que paguem pedágios ao Irã também teria pouco impacto, já que qualquer empresa que fizesse isso já estaria sujeita a sanções por pagar ao regime.
"Antes de tudo, são pouquíssimos navios que passam. Ainda menos são os que pagam, e aqueles que pagam já estarão sujeitos a sanções americanas", diz.
Nuclear
Trump também comentou as negociações conduzidas por seu vice, J.D. Vance, em Islamabad, capital do Paquistão.
O presidente disse nas redes sociais que "a reunião foi boa, a maioria dos pontos foi acordada, mas o único ponto que realmente importava, nuclear, não foi"
Segundo Trump, após "quase 20 horas" de negociações, "há apenas uma coisa que importa — o Irã não está disposto a abrir mão de suas ambições nucleares".
Donald Trump também afirmou que o Irã retornará à mesa de negociações e "nos dará tudo o que queremos".
Numa entrevista ao Sunday Morning Futures, programa da Fox News, Trump declarou que os negociadores dos EUA conseguiram "praticamente todos os pontos de que precisávamos", exceto o nuclear.
Ele afirmou ainda que o Irã não "deixou a mesa de negociações". "Prevejo que eles voltem e nos deem tudo o que queremos", declarou.
Desconfiança
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou a delegação de Teerã nas conversas no Paquistão, afirmou neste domingo que agora é o momento de os EUA "decidirem se podem conquistar nossa confiança ou não".
Em uma publicação no X, Ghalibaf diz que enfatizou antes das negociações que o Irã tinha "boa-fé e vontade", mas, devido às experiências de duas guerras anteriores, não tinha "nenhuma confiança no lado oposto".
Ele afirma que a delegação iraniana "apresentou iniciativas voltadas para o futuro, mas o lado oposto acabou não conseguindo conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações".
Ele prossegue: "Não cessaremos por um momento sequer nossos esforços para consolidar as conquistas dos quarenta dias da defesa nacional do Irã".
Ele acrescentou que as negociações foram "intensas" e agradeceu ao Paquistão por facilitá-las.
( da redação com informações da BBC. Edição: Política Real)