Pesquisa revela que população com nível superior no Brasil saltou para 18,4% entre 2000 e 2022; no Brasil, o destaque foi no Distrito Federal que tem 37% de sua população com até 25 anos tem ensino superior completo, informa IBGE
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( Publicada originalmente às 11h 24 do dia 26/02/2025)
(Brasília-DF, 27/02/2025) Nesta quarta-feira, 26, o. IBGE divulgou o Censo Demográfico 2022: Educação: Resultados Preliminares da Amostra. O evento de lançamento foi no Centro Cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, localizado no bairro Farroupilha, em Porto Alegre (RS).
De 2000 a 2022, na população do país com 25 anos ou mais de idade, a proporção de pessoas que tinham nível superior completo cresceu 2,7 vezes: de 6,8% para 18,4%. Nesse período, o percentual de pessoas sem instrução ou sem concluir o ensino fundamental caiu de 63,2% para 35,2%. Além disso, a população nessa faixa etária com nível “Médio completo e superior incompleto” cresceu de 16,3% para 32,2% entre 2000 e 2022, enquanto as pessoas com “Fundamental completo e médio incompleto” passaram de 12,8% para 14,0%.
De 2000 a 2022, proporção de pretos e pardos com nível superior ficou cinco vezes maior
“Comparando os resultados de 2022 com operações censitárias anteriores, nota-se que o aumento da proporção de pessoas com nível superior ocorreu para todos os grupos de cor ou raça”, observa Bruno Perez, um dos analistas deste módulo do Censo 2022. Em 2000, a proporção da população branca com 25 anos ou mais que tinha nível superior (9,9%) era mais de quatro vezes superior ao verificado na população de cor ou raça parda (2,4%) e preta (2,1%).
De 2000 para 2022, essas proporções se elevaram 2,6 vezes para a população branca (25,8%), 5,2 vezes para as pessoas de cor ou raça parda (12,3%) e 5,8 vezes para a população preta (11,7%).
A proporção de pessoas com nível superior é mais alta entre a população amarela: 44,1% tinham nível superior completo, enquanto apenas 17,6% possuíam o nível “Sem instrução e fundamental incompleto”.
O maior percentual de pessoas com 25 anos ou mais sem instrução e com ensino fundamental incompleto estava entre a população de cor ou raça preta (40,5%) e parda (40,1%). Para a população de cor ou raça branca da mesma faixa etária, a proporção de pessoas sem instrução com ensino fundamental incompleto era de 29,2%.
A população de cor ou raça indígena apresentou o menor nível de instrução. Entre as pessoas de cor ou raça indígena de 25 anos ou mais, apenas 8,6% tinham nível superior completo, enquanto mais da metade (51,8%) não tinham instrução ou possuíam apenas ensino fundamental incompleto.
Nível de instrução das mulheres supera o dos homens
Desagregando as informações sobre nível de instrução por sexo, nota-se que as mulheres tinham, em 2022, em média, melhor nível de instrução do que os homens.
Entre as mulheres com 25 anos ou mais, 20,7% tinham nível superior completo, proporção que entre os homens da mesma faixa etária era de apenas 15,8%. Já a proporção da população com 25 anos ou mais sem instrução e com fundamental incompleto era de 37,3% entre os homens e 33,4% entre as mulheres.
Distrito Federal tem 37,0% das pessoas de 25 anos ou mais com nível superior completo
Em 2022, na população de 25 anos ou mais, a Unidade da Federação com a maior proporção de pessoas com nível superior completo foi o Distrito Federal (37,0%), bem adiante da segunda colocada, São Paulo (23,3%). Já a menor proporção estava no Maranhão (11,1%). Os dois estados estavam nas mesmas posições no Censo 2000, quando o Distrito Federal tinha 15,3% da sua população com 25 anos ou mais com nível superior completo, e o Maranhão tinha 1,9%
Entre as Unidades da Federação, em 2022, o Piauí tinha a maior proporção de pessoas de 25 anos ou mais sem instrução e com fundamental incompleto e o Distrito Federal tinha a menor (19,2%).
Em 3.008 municípios, isto é, na maioria dos municípios brasileiros, mais da metade da população tinha o nível de instrução “Sem instrução e fundamental incompleto”. Na situação oposta, em 75 municípios, mais de um quarto da população com 25 anos ou mais tinha ensino superior completo.
Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, São Caetano do Sul (SP) tinha a maior proporção da população de 25 anos ou mais com nível superior completo em 2022. Belford Roxo (RJ) tinha a menor, com 5,7%. Outros municípios nas periferias de Regiões Metropolitanas das capitais apresentaram resultados semelhantes, como é o caso de Queimados (RJ) (7,4%), São João de Meriti (RJ) (7,2%), Santa Rita (PB) (7,1%), Francisco Morato (SP) (6,8%), Maranguape (CE) (6,7%).
População amarela tem 12,2 anos de estudo, a maior média
Desagregando a média de anos de estudo da população de 25 anos ou mais por cor ou raça, destaca-se a população de cor ou raça amarela (12,2 anos), seguida da população de cor ou raça branca (10,5 anos), parda (8,8 anos), preta (8,7 anos) e indígena (7,4 anos).
Para Bruno Perez, “a vantagem da população de cor ou raça branca em relação a população de cor ou raça preta ou parda quanto à média de anos de estudos se repetia em todas as Grandes regiões, todas as Unidades da Federação e nos 150 municípios de maior população”.
O número de anos de estudo é calculado pelas informações da série e nível ou grau que a pessoa estava frequentando ou havia concluído. Para o ensino fundamental completo, são considerados 9 anos de estudo; ensino médio completo, 12 anos de estudo e ensino superior completo, 16 anos de estudo. Mestrado, doutorado e especialização de nível superior não adicionam anos de estudo na metodologia adotada, ou seja,16 anos é o valor máximo.
Frequência escolar está abaixo da meta do PNE nas faixas de 0 a 3 e de 4 a 5 anos
O Censo 2022 apurou que, na população brasileira com 0 a 3 anos de idade, a taxa de frequência escolar bruta era de 33,9%. Entre as pessoas de 4 a 5 anos, a taxa em 2022 foi de 86,7%. Já entre as pessoas entre 6 a 14 anos, esse indicador foi de 98,3%, enquanto na faixa de 15 a 17 anos foi de 85,3%. Na faixa de 18 a 24 anos, a taxa de frequência escolar bruta foi de 27,7%. Por fim, entre as pessoas de 25 anos ou mais, a taxa de frequência escolar bruta foi de 6,1%.
A analista Juliana Queiroz lembra que “a meta 1 do Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece como objetivos a universalização da educação infantil na pré-escola para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade e a ampliação da oferta de educação infantil em creches de forma a atender, no mínimo, 50% das crianças de até 3 (três) anos”.
De 2000 a 2022, frequência à escola ou creche cresce em quase todas as faixas etárias
Entre as operações censitárias de 2000 e 2022 houve crescimento na frequência à escola ou creche na faixa etária até 17 anos de idade. As variações mais expressivas foram registradas nos grupos mais jovens: entre as crianças de 0 a 3 anos, a taxa de frequência escolar bruta avançou 24,5 pontos percentuais, passando de 9,4% aos já mencionados 33,9%.
Na faixa de 4 a 5 anos de idade, a elevação foi de 35,3 pontos percentuais (de 51,4% a 86,7%). Nas faixas etárias posteriores, o avanço foi mais modesto. No grupo de 6 a 14 anos, onde a escolarização já se encontrava relativamente mais próxima a universalização, a elevação registrada foi de 5,2 pontos percentuais, enquanto na faixa de 15 a 17 anos foi de 7,6 pontos percentuais.
Ao contrário do que ocorreu nos grupos etários mais jovens, na faixa etária entre 18 e 24 anos de idade, a taxa bruta de frequência escolar se reduziu 0,7 pontos percentuais entre 2000 e 2010, e depois mais 2,9 pontos entre 2010 e 2022. Para Juliana Queiroz, “esse resultado se deve à redução da parcela de jovens dessa faixa etária frequentando ensino médio ou níveis anteriores”.
(da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)