Nordeste e o Poder.
O fortalecimento do PSB no Nordeste é visto como um problema para um candidato do PT, em 2.010; Lideranças paulistas ainda não se pronunciaram sobre essas articulações.
( Brasília-DF, 26/02/2007) O possível fortalecimento das lideranças do PSB no Nordeste, em regra, não deve ser bem visto pelo Partido dos Trabalhadores face a eleição presidencial de 2.010.
Assim vêm reconhecendo algumas lideranças petistas, e algumas fontes próximas dessas mesmas lideranças, consultadas pela Política Real. Antes unidas, as lideraças nordestinas, tidas como governistas, começam a se afastar. O afunilamento das discussões sobre o futuro Ministério que se espera montado pelo Presidente Lula para cumprir o seu segundo mandato, tem garantido muito combustível a essa fogueira que cripta e aquece os poderosos em Brasília.
A regra que se cunhou para este segundo governo seria a seguinte: quem tivesse o direito de indicar o titular do Ministério oferecido, e aceito, como quota partidária iria também controlar todos os cargos que são ligados àquela pasta. Pois bem, fala-se que o PSB, partido que elegeu mais governadores no Nordeste, junto com o PT, três cada um, estaria interessado em manter o controle do Ministério da Integração Nacional, considerado o mais importante para os nordestinos. Há uma determinação da cúpula socialista no sentido de manter a Ciência e Tecnologia. No Carnaval, o Brasil foi testemunha de um encontro público entre vários governadores nordestinos com os governadores de Minas Gerais e Rio de Janeiro – começando tudo por uma noite de sábado, em Recife –, ficou evidente, com direito a declarações, que eles pretendem atuar em conjunto. O governador Aécio Neves disse que essa geração de governadores só atuará diversamente se fosse necessário(sic). As lideranças paulistas estavam alijadas dessa movimentação, e é bom que se lembre que além de Neves, um tucano, outro emplumado, Cássio Cunha Lima, governador da Paraíba, estave nesse meio.
As lideranças paulistas, sejam elas ligadas ao Partido dos Trabalhadores sejam elas ligadas ao tucanos - têm motivos de sobra, em tese, para ficarem atentas. A Política Real ainda não encontrou nenhuma liderança paulista importante, com assento no Parlamento, que pudesse interpretar essas declarações, porém alguns petistas ficaram preocupados com a possibilidade do Presidente Lula ceder às pressões dos socialistas no sentido deles ficarem com os principais órgãos de influência capital no Nordeste, face a clara movimentação do deputado Ciro Gomes(PSB-CE). Ele nega, mas trabalha para ser o candidato em 2.010, desde a eleição para o comando da Câmara Federal, quando usou todas as fichas para eleger o deputado Aldo Rebelo(PC do B-SP), após reconhecer que não havia tempo hábil para a viabilização de um terceiro nome, um tercius.
O PSB, fortalecido, poderá construir, finalmente, a tese de que Ciro Gomes pode se transformar no mais novo Vice-Rei do Nordeste, com o aparente eclipsar dos senadores José Sarney e Antônio Carlos Magalhães. O PSB pode até continuar com o Ministério da Integração, porém isso não quer dizer, pela teoria - pouco republicana mas do momento, da “porteira fechada” que, além das autarquias, empresas públicas e companhias ligadas a pasta, Lula lhes conceda o Banco do Nordeste. É bom informar que o Banco é uma instituição ligada, como o BC, BB e Caixa, ao Ministério da Fazenda e não ao Ministério da Integração.
O Banco do Nordeste foi ao longo do primeiro mandato do Presidente Lula o mais importante órgão que trabalhou o desenvolvimento regional no Nordeste. Com a retomada da Sudene, mesmo enfraquecida com o vetos impostos pelo Palácio do Planalto , a Superintência pode ganhar poder se os governadores nordestinos fizerem força sobre o Tesouro Nacional, que poderá liberar, ou não, recursos de alguns Fundos que serão administrados pela Sudene.
Ao Presidente Lula parece ajuizado equilibar o poder dos nordestinos entre petistas e socialistas não esquecendo a importância das oposições, visto que este desequilíbrio poderá atingir, até, uma política de desenvolvimento regional com integração entre as regiões. Se os socialistas nordestinos ficarem muito fortes, isso poderá fortalecer os centro-sulistas do PT, ao tempo que se Lula fortalecer muito os petistas nordestinos isso poderá fazer com que os alguns socialistas possam se unir ao sonho que vem das Minas Gerais.
Os idos de março prometem ser esclarecedores a essas dúvidas e tendências.
( por Genésio Araújo Junior)