31 de julho de 2025

Bahia.

Deputada diz que é falsa a impressão de que não se quer dar água para quem tem sede; Ela comenta a crise da transposição e diz que Governo não cumpre regras mínimas para início da obras.

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( Brasília-DF,05/10/2005)  A deputado Alice Portugal(PC do B-BA) disse hoje em pequeno expediente da Câmara dos Deputados que é falsa a impressão que vem se divulgando de que os baianos, os ribeirinho do São Francisco, que são doadores, se negam a dar  água a quem tem sede. Ela disse que o Governo não cumpre regras básicas para tocar o projeto de transposição.

 

 

Confira a íntegra da fala da parlamentar baiana:

“Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, não poderia deixar de comentar o pronunciamento do Deputado Dr. Ribamar Alves, que me antecedeu, quando levanta a luta contra as oligarquias em nosso País. Sem dúvida a Bahia está pontificando com essa luta, em que ganham as forças populares aliadas. O Governo Municipal de Salvador, com o Prefeito do PDT João Henrique de Barradas Carneiro, está a combater também todos os efeitos malignos das oligarquias acabam, especialmente, com o Nordeste brasileiro.

 

 

Portanto me solidarizo com V.Exa. e digo que também no Estado da Bahia, para se transitar de um lugar a outro, temos que transitar sempre por algum parente da família Magalhães.

 

 

Mas, Sr. Presidente, subo a esta tribuna porque cheguei apenas no final da tarde de ontem e não pude estar aqui para fazer a saudação ao povo das barrancas do São Francisco.

 

 

Ontem, Dia de São Francisco de Assis, 4 de outubro, dia da descoberta do Rio São Francisco e dia do aniversário do Frei Luiz Flávio Cappio, tínhamos, temos e vamos continuar tendo de fazer profissão de fé em defesa desse rio de integração nacional e daquele povo que esteve sempre distantes políticas públicas e que agora é, de maneira surpreendente, notificado de que iremos transpor as águas do Rio São Francisco.

 

 

Ora, para a população brasileira desavisada parece uma atitude mesquinha daqueles que moram por onde o rio passa porque se pensa inicialmente que vamos dar água a quem tem sede. Mas a verdade não é essa. Há a construção de dois balões pelo Exército Brasileiro que está sendo planejada após a liberação do controle ambiental do IBAMA, desconsiderando os pareceres técnicos e o Comitê da Bacia que derrotou fragorosamente o projeto apresentado pelo Ministério da Integração Nacional. O projeto não leva água para as populações carentes, o projeto existe para alimentar de água aqueles que já assoreiam o rio, que já tiram água ilegalmente do rio, que são os grandes empresários do agronegócio.

 

 

A grande fruticultura irrigada do São Francisco concordamos que precisa existir, mas não necessariamente para garantir efetivamente que essa água migre para outros Estados, que, por interesse políticos precisam entrar também nesse agrobusiness.

 

 

Portanto, Sr. Presidente, temos a clareza de que este é o momento de revitalizar o rio, que está poluído com o esgoto sanitário que vem das grandes cidades de Minas Gerais, bem como de algumas grandes cidades da Bahia. O rio está açoreado, pois uma parte de sua água é retirada ilegalmente e desperdiçada. Vêm sendo realizados pela natureza, em função dessa subtração de água, bancos de areia, enormes ilhas que não existiam no Rio São Francisco. Basta sobrevoá-lo, inclusive nos nossos aviões em rota de cruzeiro, para vermos como aquele fluxo de água diminuiu no curso desses anos.

 

 

Portanto, o bombeamento intermitente de 26,4 metros cúbicos de água por segundo, de modo firme e contínuo e a qualquer tempo, arrebentará a foz e a desertificará em boa parte. Diga-se de passagem que, pela diminuição das águas do rio, a milhas de distância mar adentro, antigamente, pescava-se peixe de água doce que saía do São Francisco; hoje é o contrário, é o Oceano Atlântico que invade o São Francisco, porque, evidentemente, o princípio dos vasos comunicantes faz com que a água ocupe o espaço vazio.

 

 

Por isso, Sr. Presidente, em nome do Frei Luiz, que neste momento, de maneira corajosa, coloca sua vida a dispor dessa causa, rogo ao Presidente Lula, que já vem tomando iniciativas, encaminhando o Ministro Jaques Wagner ao Rio São Francisco onde está o bispo a levantar a sua prece, na verdade, escute mais a Nação brasileira, ouça mais o povo das barrancas do São Francisco e tenha olhos para ver esse projeto técnico que, lamentavelmente, é inviável, extremamente caro e não dará água a quem tem sede.

 

 

Sr. Presidente, solicito a V.Exa. seja considerado lido e que também autorize a divulgação nos órgãos oficiais da imprensa legislativa do meu pronunciamento.

 

 

Por último, mudando o foco para outra luta, quero dizer que uma comissão de Deputados, que trata das questões do serviço público, deve se dirigir agora ao MEC para clamar pela reabertura das negociações com os servidores das universidades em greve, pela finalização de seu processo de enquadramento e pela implantação definitiva do plano de carreira. Trata-se de categoria cuja federação tive a honra de ser dirigente.

 

 

Fica registrado o meu pedido ao Ministério da Educação para que reabra a mesa, como foi feito ontem com os professores, com a ANDES - Sindicato Nacional, que contou com a participação dos Deputados Wasny de Roure, Fátima Bezerra, Gilmar Machado, Iara Bernardi, eu, entre outros que levantam a bandeira da negociação e da normalização da vida universitária.

 

 

Muito obrigada.”

 

 

 

 

( da redação com informações da taquigrafia da Câmara Federal)