Lula, na Bahia, disse que vai rever leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, da Petrobras; “Nós vamos rever esse leilão, nós vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”
Segundo Lula, o governo está tomando medidas possíveis e adotará todas as providências para evitar uma escalada do preço do diesel, que impacta diretaente a inflação
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Com agências
(Brasília-DF, 02/04/2026) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre agenda em Salvador nesta Quinta-Feira Santa, 02 de abril, mais cedo concedeu entrevista à TY Itapoan, a TV Record Bahia. O presidente falou sobre diversos assunto e sempre que pode faz relato sobre os assuntos que ele considera mais importantes neste seu terceiro mandato.
Lula afirmou que vai anular o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, da Petrobras, que vendeu o produto às distribuidoras com preços até 100% maiores que os cobrados na tabela da estatal.
Lula disse ainda que o certame foi feito contra a vontade da direção da Petrobras.
“Foi feito um leilão, eu diria que uma cretinice, bandidagem, que fizeram. As pessoas sabiam da orientação do governo, da orientação da Petrobras de não vamos aumentar GLP. Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras”, disse Lula.
“Nós vamos rever esse leilão, nós vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”, afirmou.
Embora o Brasil seja produtor, o mercado brasileiro é influenciado pelos preços internacionais, atualmente impactados pelo conflito no Oriente Médio.
A estratégia de leilões com alto ágio é vista como uma forma de reajustar o preço nacional ao mercado internacional, sem a necessidade de anunciar um aumento na tabela de preços.
Em sua página na internet, a Petrobras informa os preços de venda dos produtos às distribuidoras à vista, sem tributos, por local e modalidade de venda. Os valores do GLP são os mesmos desde novembro de 2024.
Lula é crítico do alto preço do botijão de gás de cozinha cobrado do consumidor final e, em resposta, o governo federal lançou o programa Gás do Povo que substituiu o antigo Auxílio Gás e visa garantir o botijão gratuito para famílias de baixa renda.
Para Lula, o que encarece o produto é a distribuição.
“Quando a Petrobras vende um botijão de gás a R$ 37, ele não pode chegar a R$ 160 na casa do povo. Alguém está roubando. [Dizem:] ‘Ah, mas a pessoa está gastando dinheiro [tendo custo] para entregar’. Tudo bem, mas é muita diferença entre R$ 37 para R$ 140, para R$ 150. E agora fizemos um leilão que teve ágio de 100%”, disparou Lula.
Alta de combustíveis
Segundo Lula, o governo está tomando medidas possíveis e adotará todas as providências para evitar uma escalada do preço do diesel, que impacta diretaente a inflação.
Além da redução de impostos já adotada, a expectativa é que o governo publique, ainda esTa semana, uma medida provisória (MP) que cria um subsídio ao diesel importado, com desconto de R$ 1,20 por litro.
“Pode ficar certo, o povo não vai pagar. Nós não vamos aumentar o óleo diesel, [mas] tem gente [postos] aumentando sem nenhuma necessidade. Qual é a lógica de aumentar o preço do álcool? Qual é a lógica de aumentar o preço da gasolina se nós ainda não temos necessidade disso? É pura bandidagem de algumas pessoas”, afirmou Lula.
Lula ainda criticou a privatização, em 2019, da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, que, segundo Lula, hoje poderia atuar para frear o aumento nos preços aos consumidores.
“Privatizaram a BR [Distribuidora] e nós só podemos recomprá-la a partir de 2029. Ou seja, nós não temos hoje distribuidora. Até uma empresa de gás que eu comprei em 2004, eles venderam. A empresa de gás, que a gente faz a distribuição, era uma empresa para a gente fazer a regulação do preço”, disse Lula.
No mesmo sentido, o presidente afirmou que está em estudo da recompra da Refinaria de Mataripe, antiga Refinaria Landulpho Alves, em São Francisco do Conde, na Bahia, e privatizada pela Petrobras em 2021.
“Não é justo o que fizeram, a refinaria produz [hoje] menos da metade daquilo que deveria produzir. E nós precisamos da refinaria produzindo muito mais porque nós [o Brasil] produzimos 70% do nosso óleo diesel e a gente compra 30% do óleo diesel. Esse importado, ele não tem jeito, ele vem com o preço de mercado internacional e você é obrigado a fazer o reajuste”, explicou.
Mais
Lula ressaltou o caráter democrático do Novo PAC. A exemplo do que ocorre na Bahia, o programa viabilizou diversos tipos de investimentos em infraestrutura por meio de ampla escuta a governadores e prefeitos de todo o país.
“O PAC começou com uma reunião com 27 governadores, de todos os partidos políticos, e, depois, as prefeituras. Sobretudo nas obras de infraestrutura, estamos atendendo quase 90% dos municípios brasileiros. Quem fez projeto e apresentou tem obra do PAC. Acho que nunca na história do Brasil houve tanto atendimento aos prefeitos quanto está havendo agora”, frisou Lula, durante entrevista concedida à TV Record Bahia.
“É o movimento da política de inclusão social que é feito na Bahia e que é feito no Brasil. Nós temos que cuidar de ponte, de estrada, de ferrovia, de rodovia, nós temos que cuidar de tudo. Mas tem uma coisa que, para nós, é imprescindível cuidar, que são as camadas mais necessitadas da sociedade, que têm que ter um olhar carinhoso da nossa parte. É por isso que nós temos a maior política de inclusão social da história do Brasil”, afirmou o presidente.
Lula também ressaltou que o Brasil, nesta gestão, criou mecanismos de proteção aos mais vulneráveis, que permitiram uma melhora de vida real.
“O que aconteceu na economia? Nós temos a menor inflação acumulada em quatro anos na história do Brasil. Nós temos a maior massa salarial do Brasil. Nós temos um aumento de salário mínimo todo ano acima da inflação. Isso é um ganho que a gente vai permitir que o povo tenha acesso. Como a política do Minha Casa, Minha Vida, como a Farmácia Popular, com o Gás do Povo, o Luz Para Todos, ou seja, você vai criando um mecanismo de proteção à sociedade mais humilde, mais simples, para que ela possa evoluir e a sociedade possa atingir um padrão de vida decente, digno, o que todo mundo quer”.
O presidente também destacou o sucesso do Minha Casa, Minha Vida. Criado por Lula, o programa habitacional alcançou resultados históricos em 2025. No ano passado, o programa contou com orçamento recorde de cerca de R$ 180 bilhões. Os recursos ajudaram o Minha Casa, Minha Vida a superar o ritmo de contratações esperado no início do governo e se tornar a política pública preferida pelos brasileiros, com aprovação de 90%, segundo pesquisa Genial-Quaest.
“Nós prometemos dois milhões de casas. Neste mandato, vamos contratar três milhões de casas do Minha Casa, Minha Vida, com melhoras”, lembrou Lula. “E além das casas, sabe o que nós fizemos? Mais R$ 40 bilhões para reformas. É o maior programa de construção civil já feito na história deste país”, prosseguiu.
Lula revelou ainda que o governo trabalha para ampliar para todo o país o Compra Assistida, modalidade criada dentro do Minha Casa, Minha Vida Reconstrução e que integrou as ações de apoio do Governo do Brasil às famílias afetadas pelo desastre climático que atingiu o Rio Grande do Sul, em 2024. A iniciativa alcançou, no fim de janeiro deste ano, a marca de 10 mil famílias com contratos assinados para obtenção da casa própria. Em todo o estado gaúcho, milhares de moradias foram inviabilizadas pela lama e o lodo deixados pelas águas das chuvas. Como resposta rápida, o Governo do Brasil, por meio do Ministério das Cidades, criou o Compra Assistida, para garantir que aqueles que perderam seus lares não ficassem desamparados.
“Nós adotamos uma nova metodologia, que talvez a gente torne isso definitivo no Brasil, que é a compra de casa assistida. O que aconteceu no Rio Grande do Sul nos deu uma lição muito grande: mais rápido do que fazer a casa é a gente saber se na cidade tem casa para comprar, a um preço que a gente pode pagar. Nós tivemos uma política de sucesso extraordinária, que agora estamos estudando para ver se é possível colocar em prática no Brasil a Compra Assistida, porque a gente já compra a casa que existe, não tem que fazer uma casa”.
( da redação com TV Record e agências. Edição: Política Real)