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  • Contato Brasil, 26 de maio de 2024 21:39:37
Jorge Henrique Cartaxo
  • 16/01/2020 11h23

    O contraditório oportuno

    Scruton se posicionou também, sempre com clareza e ousadia, contra os supostos consensos apregoados pelos herdeiros do marxismo vulgar

    Scruton( Foto: arquivo do colunista)

    O debate e as reflexões políticas no Brasil contemporâneo continuam precárias. Parte animadas pela postura rude que emana da  presidência da República e seus seguidores primitivos. Parte orquestrada pela autoproclamada “esquerda” e seu sentimento cínico de superioridade moral diante do mundo e seu destino.

    A repercussão do lamentável falecimento do filosofo inglês Roger Scruton, no último domingo, ainda que por um átimo, iluminou o obscurantismo da mídia e da nossa academia. Conservador refinado, erudito, respeitado pela inteligência ocidental – ainda que demonizado pelos seguidores da perfumaria marxista do pós-guerra – Scruton, autor de mais de 50 livros, enfrentou com elegância e densidade as reflexões das ultimas décadas sobre religião, estética, arquitetura, meio ambiente, moral, valor, beleza, amor...etc. Em todos os momentos, na melhor linhagem de um Edmond Burke, se colocou contra a empáfia escatológica da “esquerda”.

    Scruton se posicionou também, sempre com clareza e ousadia, contra os supostos consensos apregoados  pelos herdeiros do marxismo vulgar. Sobre os movimentos migratórios – sobretudo mulçumanos – na Europa, ele ponderou que “os imigrantes só se adaptarão a um país se forem incorporados legal e culturalmente à nação que os recebe... os países europeus fazem justamente o oposto ao incentivar o multiculturalismo: encorajam as comunidade de estrangeiros a manter sua cultura e identidade, a não se misturar... dessa forma, os imigrantes passam a se definir como excluídos da comunidade, o que só faz crescer as tensões entre os grupos étnicos”.

    Sobre o aquecimento global, tema central na academia, na mídia e nos grupos autoproclamados de esquerda, Scruton é enfático: “O problema é que a questão ambiental foi parar nas mãos erradas. A esquerda transformou a proteção do meio ambiente em uma causa, em um movimento que necessita de intervenções estatais, em um assunto no qual há culpados e vítima. No caso,  os culpados são os capitalistas e a vítima é o planeta.  A esquerda adora o culto à vitima”.

    Em relação ao Brexit e a União Europeia, Roger Scruton não é menos cáustico: “Como impor a mesma moeda, o sistema e o mesmo modo de vida ao alemão trabalhador, cumpridor das leis, respeitador da hierarquia, e ao grego fanfarrão e avesso às normas? Arrisco-me a dizer que a União Europeia será um fracasso porque contém as insanidades institucionais do velho comunismo soviético...que exige que todas as diferenças sejam atenuadas, os conflitos superados...sob uma unidade metafísica que jamais pode ser questionada ou posta à prova”.     

                                                  


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