REAÇÃO: Fórum Brasileiro de Segurança Pública diz que aprovação da PEC da Segurança é um sinal positivo, mas não vai isoladamente sanar os problemas estruturais da área
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(Brasília-DF, 03/11/2026) Na noite desta terça-feira, 03, após o plenário do Senado Federal aprovar em dois turnos da PEC da Segurança Pública, começaram as reações.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgou nota afirmando que “votação é um sinal positivo de que o tema passa a ser tratado como prioridade nacional, mas a PEC não tem o condão de, isoladamente, sanar os problemas estruturais da área. “
Veja nota:
Nota à Imprensa
Nota pública
03 de novembro 2026 - O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) celebra a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 18/2025, a PEC da Segurança Pública, pelo Senado Federal. O resultado da votação é um sinal positivo de que o tema passa a ser tratado como prioridade nacional, mas a PEC não tem o condão de, isoladamente, sanar os problemas estruturais da área.
A aprovação dá novo impulso para o próximo e decisivo passo: a recriação do Ministério da Segurança Pública, iniciativa fundamental para que o Estado brasileiro tenha condição de fazer frente ao desafio de combater o crime organizado. A medida, vale lembrar, não depende da PEC. Requer apenas vontade política e pode ser adotada desde já.
O FBSP defende que o Ministério seja recriado como órgão autônomo, com mandato para coordenar a implementação efetiva do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e estabelecer protocolos de cooperação e troca de informações com outros sistemas de políticas públicas.
Para além da integração entre as forças de segurança, o desafio central é a cooperação coordenada entre as diferentes redes, agências e esferas de governo que atuam no tema. Hoje, a ausência de coordenação faz com que os esforços se dispersem e deixa as polícias praticamente sozinhas na tarefa de prevenir a violência e enfrentar facções e organizações criminosas cada vez mais estruturadas.
O crime organizado se sustenta sobre estruturas financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e uso de redes de comunicação, e só é possível desarticulá-lo por meio do trabalho conjunto das polícias com Receita Federal, Ministério Público, COAF, Banco Central e Anatel, entre outros. Da mesma forma, nos casos de violência contra mulheres, crianças e adolescentes, a resposta não pode se limitar à punição: exige proteção às vítimas e prevenção, com a participação da saúde, das prefeituras e do sistema socioeducativo. Só polícia não basta.
O país também precisa de reformas mais amplas: na arquitetura institucional e no pacto federativo da área, nas leis orgânicas das instituições, nas doutrinas de uso da força e nos mecanismos de financiamento, monitoramento e avaliação. Como a segurança pública é responsabilidade compartilhada entre União, estados e municípios, e a maioria dos governadores eleitos é de partidos de oposição ao governo federal, o FBSP considera fundamental que o tema seja tratado acima de antagonismos políticos, com liderança, diálogo e compromisso.
O FBSP continuará contribuindo com produção de dados, estudos inovadores e análises que se tornaram referência para gestores, pesquisadores, operadores e imprensa, para que a agenda democrática da segurança pública permaneça no centro das atenções do novo mandato presidencial e dos governos estaduais.
Fórum Brasileiro de Segurança Pública
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)