Sleeping Giants Brasil (SGBR) levam relatório sobre atuação da Meta nas eleições à ONU e ao Congresso dos EUA
Documento reúne 41 registros sobre publicidade irregular, restrições a conteúdos políticos e indícios de tratamento desigual nas plataformas da empresa
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(Brasília-DF , 23/10/2026) O Sleeping Giants Brasil (SGBR) oficiou. um relatório sobre a atuação da Meta nas eleições brasileiras de 2026 a ONU e nos Estados Unidos. A organização pede que as evidências subsidiem investigações e medidas urgentes para interromper condutas potencialmente ilícitas. O material também foi encaminhado a especialistas das Nações Unidas e a parlamentares dos Estados Unidos que cobraram explicações da companhia sobre sua atuação no pleito.
Intitulado "Meta, não se meta nas nossas eleições", o dossiê sistematiza 41 registros publicados até 19 de outubro, incluindo pesquisas acadêmicas, experimentos de organizações da sociedade civil, investigações jornalísticas, procedimentos institucionais e posicionamentos da própria empresa. Os documentos estão organizados em quatro eixos: publicidade política paga, inteligência artificial, recomendação e alcance orgânico, e moderação de conteúdo.
Entre os problemas documentados estão a aprovação de anúncios com desinformação eleitoral e pedidos de intervenção militar, a circulação de propaganda política contratada por páginas sediadas no exterior e anúncios que simulavam comunicações da Justiça Eleitoral. O levantamento também reúne relatos de restrições concentradas em conteúdos progressistas, diferenças no funcionamento da inteligência artificial para candidaturas adversárias e reportagens sobre mensagens internas da Meta que indicariam limitações às contas de Lula e recomendações favoráveis a canais de Flávio Bolsonaro.
Nos encaminhamentos às autoridades brasileiras, o SGBR solicita a avaliação de medidas judiciais, inclusive de urgência, para impedir o agravamento dos possíveis danos à disputa. A organização também pede que a documentação seja incorporada aos procedimentos em curso no TSE sobre suspeitas de interferência da Meta no processo eleitoral.
O ofício acrescenta um estudo do NetLab/UFRJ e do International Panel on the Information Environment (IPIE), divulgado nesta sexta-feira , 23, sobre preços de publicidade eleitoral. A análise de 7.677 anúncios encontrou, no modelo com mais controles, custos estimados cerca de 40% superiores para anúncios do PT em comparação aos do PL. O estudo aponta que a falta de transparência impede esclarecer as diferenças observadas.
Mundo
O envio à ONU foi realizado pelo Sleeping Giants em parceria com a organização Artigo 19 e busca subsidiar o acompanhamento de especialistas independentes em direitos humanos que, em 21 de outubro, manifestaram preocupação com possíveis restrições à expressão política nas plataformas da Meta durante as eleições brasileiras.
Eles cobraram esclarecimentos sobre os sistemas de moderação, recomendação e inteligência artificial, além de mecanismos efetivos de reparação para os usuários afetados.
Nos Estados Unidos, o envio foi realizado em parceria com o Instituto Vladmir Herzog e o material será destinado a parlamentares que já questionaram Mark Zuckerberg sobre as denúncias. Em carta divulgada em 22 de outubro, a deputada Pramila Jayapal, o senador Bernie Sanders e outros 11 congressistas cobraram explicações sobre relatos de restrição a conteúdos associados à campanha de Lula e ampliação da visibilidade de conteúdos ligados a Flávio Bolsonaro. O encaminhamento pretende oferecer documentação organizada para apoiar essa fiscalização.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real )