31 de julho de 2025
MERCADOS

Mercado avalia Focus e primeiro debate presidencial neste segundo turno

Veja mais

Por Politica Real com assessoria
Publicado em
Imagens de célebres prédio da Av. Faria Lima, ponto de destaque do mercado financeiro nacional Foto: Bloomberg Linea

(Brasília-DF, 19/10/2026). Nesta segunda-feira, 19, chegou a redação da Política Real avalaições após a divulgação da pesquisa Focus e em face de um entendimento sobre o primeiro debate presidencial

 

Após debate eleitoral, Focus expõe desafio para 2027: Juros próximos de 14% e crescimento limitado.

Confira:

"Novos financiamentos possam ficar de 1,5 a 3 pontos percentuais mais caros ao ano, conforme a modalidade", Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.

       “O Focus mostra que um dólar mais baixo não significa necessariamente menor risco econômico. O câmbio responde aos fluxos internacionais, enquanto a inflação também depende dos serviços, das expectativas e da política fiscal. Com Selic projetada em 12% e IPCA de 4,32% para 2027, os juros reais esperados ficam próximos de 7,36% ao ano. Isso demonstra que, mesmo com estabilidade cambial, o Brasil pode continuar exigindo retornos elevados para atrair financiamento de longo prazo. Uma transição política sem compromisso fiscal claro poderia levar a Selic a 13,25% no fim de 2027. Somada à elevação dos prêmios de risco, essa trajetória poderia encarecer operações de crédito entre 1,75 e 2,25 pontos percentuais ao ano. Em uma captação de R$ 20 milhões, um aumento de 2 pontos significaria R$ 400 mil adicionais em juros anuais. A recuperação de investimentos de longo prazo poderia avançar apenas no segundo semestre de 2028, aumentando a importância de governança, garantias e estruturas financeiras com fluxos previsíveis”, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

       “O principal alerta do Focus é que o dólar mais favorável não está sendo suficiente para conter as pressões inflacionárias. O IGP-10 divulgado hoje reforça essa preocupação: o índice acelerou de 1,47% para 1,76% em outubro, enquanto os preços ao produtor avançaram 2,36%, acima dos 1,90% de setembro. Isso mostra que combustíveis, matérias-primas e custos das cadeias produtivas continuam pressionados, mesmo com o crescimento projetado em apenas 1,32% para 2027. O risco é que parte desses aumentos seja absorvida pelas empresas antes de chegar ao consumidor, elevando a necessidade de capital de giro para financiar estoques e fornecedores. Se a transição política mantiver dúvidas fiscais e essas pressões persistirem, a Selic poderia encerrar 2027 entre 13% e 13,5%. Nesse cenário, linhas de capital de giro poderiam encarecer de 2 a 3 pontos percentuais ao ano, acrescentando até R$ 300 mil em juros para cada R$ 10 milhões utilizados durante 12 meses. A recuperação do consumo e dos investimentos operacionais poderia ser adiada entre 6 e 12 meses. Isso reforça a importância de integrar crédito, pagamentos e gestão de recebíveis às operações comerciais, garantindo maior eficiência financeira e previsibilidade de caixa”, Letícia Moschioni, sócia da Finscale.

       “O Focus aponta um cenário desafiador para 2027, com crescimento projetado de apenas 1,32% e inflação de 4,32%, mesmo diante da expectativa de um câmbio mais favorável. A valorização do real ajuda a conter os preços dos importados, mas não consegue compensar integralmente a inflação de serviços, os custos de energia e as pressões decorrentes das expectativas fiscais. O principal risco é que a economia continue perdendo força sem uma redução proporcional da inflação, mantendo os juros elevados por mais tempo. Caso o próximo governo não apresente medidas consistentes para estabilizar a dívida pública e controlar as despesas, considero possível que a Selic encerre 2027 entre 13% e 13,5%, acima dos 12% projetados pelo Focus. Nesse cenário adverso, a combinação de juros mais elevados e spreads pressionados poderia encarecer o crédito em aproximadamente 1,5 a 2,5 pontos percentuais ao ano, dependendo do perfil das operações. Esse aumento afetaria diretamente o financiamento das famílias e os projetos de expansão das empresas, podendo retardar a recuperação do consumo e dos investimentos por mais dois a quatro trimestres. Portanto, a trajetória fiscal será determinante para transformar a expectativa de juros menores em uma redução efetiva do custo de financiamento e em uma recuperação mais consistente da economia”, Gustavo Assis, CEO da Asset.

       “A redução do PIB esperado para 1,32% em 2027, enquanto a inflação permanece projetada em 4,32%, revela um problema de produtividade. O dólar mais favorável pode baratear máquinas e tecnologia importadas, mas não resolve os custos domésticos, a infraestrutura deficiente e a dificuldade de ampliar a oferta. Em um cenário internacional de disputa por capital e avanço da inteligência artificial, crescer pouco e manter a inflação elevada representa um desafio estrutural à competitividade brasileira. Sem uma melhora fiscal após as eleições e com juros internacionais ainda restritivos, a Selic poderia terminar 2027 entre 12,75% e 13,25%. O crédito poderia custar de 1 a 2 pontos percentuais adicionais ao ano, adiando entre 6 e 12 meses a retomada do consumo e dos projetos de expansão. Para uma empresa que mobilize R$ 5 milhões, isso representa até R$ 100 mil anuais adicionais em custo financeiro. No venture capital, esse ambiente amplia o valor de startups que entregam produtividade, eficiência de capital, receitas recorrentes e soluções capazes de acelerar o crescimento da economia”, Antonio Patrus, CEO da Bossa Invest.

       “A combinação de inflação persistente e menor crescimento prevista pelo Focus tende a prolongar a pressão sobre o orçamento das famílias. Embora o dólar mais favorável reduza parte dos custos de importação, seu efeito é limitado sobre despesas essenciais, serviços e moradia. Além disso, mesmo quando a Selic começa a cair, as taxas cobradas do consumidor demoram a acompanhar o movimento, porque também incorporam inadimplência, garantias e risco de crédito. Se a inflação continuar resistente e o cenário fiscal permanecer incerto após as eleições, a Selic poderá encerrar 2027 entre 13% e 13,25%. Estimo que novos financiamentos possam ficar de 1,5 a 3 pontos percentuais mais caros ao ano, conforme a modalidade. Em uma simulação de financiamento imobiliário de R$ 500 mil por 15 anos, a elevação da taxa de 12% para 14% ao ano acrescentaria aproximadamente R$ 600 à prestação mensal. Isso poderia atrasar entre 9 e 15 meses a recuperação das compras financiadas e dos investimentos, tornando o planejamento dos prazos e das garantias ainda mais relevante”, Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.

       “O Boletim Focus consolida uma preocupação cada vez mais crescente de que mesmo com expectativas de câmbio mais favoráveis haverá mais dificuldades para a convergência da inflação e para a retomada do crescimento em 2027. O principal risco que a valorização do real não está conseguindo compensar é a combinação de fragilidade fiscal, expectativas inflacionárias desancoradas e pressões domésticas sobre os preços, especialmente nos serviços. O câmbio favorece a inflação de produtos importados, mas não resolve os desequilíbrios estruturais da economia brasileira. O cenário pós-eleitoral será determinante. Independentemente de quem vença, a apresentação de um plano fiscal crível, com medidas concretas para estabilizar a trajetória da dívida pública, é condição para evitar uma elevação dos prêmios de risco e uma resistência maior da inflação. Sem este plano, fica mais difícil chegarmos ao final de 2027 com a SELIC em 12%, sendo mais provável ficarmos mais próximo dos patamares atuais. Os efeitos, como já conhecemos, serão particularmente relevantes sobre o crédito corporativo, os investimentos produtivos e o consumo de bens duráveis. Em um cenário de deterioração fiscal persistente, a recuperação mais consistente dessas atividades poderia ser postergada em aproximadamente 12 a 18 meses, deslocando parte da retomada para 2028 e, eventualmente, 2029. O ponto central é que o Brasil precisa de uma combinação coordenada de responsabilidade fiscal, previsibilidade institucional e política monetária. Sem isso, continuaremos convivendo com um custo de capital elevado, crescimento limitado e menor capacidade de investimento”, Cassio Viana de Jesus, CIO da Pilar Capital.

       “O Focus desta semana mostra que o dólar mais baixo já não basta para melhorar o cenário. O mercado reduziu a projeção de crescimento para 2027 de 1,40% para 1,32% e elevou levemente a de inflação, de 4,30% para 4,32%, mesmo esperando um dólar menor, de R$ 5,22 no fim do ano que vem. A inflação ainda fica bem acima da meta de 3%. O câmbio ajuda a baratear produtos importados, mas não resolve o problema principal, que é interno. A inflação de serviços segue resistente, há medidas que aumentam custos, como o fim da escala 6x1, e as contas públicas continuam sem rumo claro: o próprio Focus projeta déficit primário de 0,40% do PIB em 2027 e dívida pública chegando a 74% do PIB. O risco que o câmbio não consegue compensar é o fiscal. Se o próximo governo não apresentar um plano crível de controle de gastos, o Banco Central perde espaço para cortar juros. Nesse cenário, não seria surpresa a Selic terminar 2027 entre 13% e 13,75%, praticamente no nível atual, e não nos 12% que o Focus projeta há 18 semanas. O mercado de juros já mostra essa desconfiança: na última quinta-feira, a taxa para janeiro de 2029 fechou em 12,73%, bem acima dos 10,5% que o Focus espera para a Selic em 2028. Para quem toma crédito, isso significaria juro básico entre um e quase dois pontos percentuais acima do previsto. Como os bancos repassam essa alta e ainda cobram mais pelo risco, o encarecimento chegaria ao consumidor e às empresas de forma ainda mais forte. Na prática, a recuperação do consumo e dos investimentos ficaria adiada por pelo menos um ano, e uma retomada mais firme só viria a partir de 2028”, André Matos, CEO da MA7 Capital.

       “A aceleração do IGP-10 para 1,76% em outubro, com alta de 2,36% nos preços ao produtor, mostra que a inflação brasileira continua exposta a choques de custos, mesmo com a perspectiva de um dólar mais favorável. A pressão sobre combustíveis, soja e bovinos revela que a dinâmica dos preços depende também da oferta de commodities e das condições internas de produção. Ao mesmo tempo, o real pode se valorizar por fatores externos, como fluxos de capital e decisões do Federal Reserve, sem que isso represente uma melhora estrutural das contas públicas. O Focus, ao projetar inflação de 4,32% e crescimento de apenas 1,32% para 2027, indica que o risco inflacionário permanece relevante mesmo diante de uma economia mais fraca. Se os juros americanos permanecerem elevados e a transição política brasileira aumentar o prêmio de risco fiscal, estimo que a Selic possa encerrar 2027 entre 13,5% e 14%, acima dos 12% esperados pelo mercado. O crédito poderia encarecer de 2 a 3 pontos percentuais ao ano, adiando entre 9 e 18 meses a recuperação mais ampla do consumo e dos investimentos. Nesse ambiente, a diversificação internacional ganha relevância, pois ativos dolarizados e diferentes fontes de renda permitem reduzir a dependência das oscilações da política monetária brasileira e dos fluxos cambiais de curto prazo”, Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real )