31 de julho de 2025
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REAÇÃO: Mercado, em dia de PMS, diz que inflação pode avançar com aprovação do fim da Escala 6x; mercado avalia resultado da PMS de agosto

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Por Política Real com assessoria
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Dados da PMS do IBGE Foto: site do IBGE

(Brasília-DF, 14/10/2026) Hoje, 14, foi divulgada a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de agosto do IBGE que registrou recuo. Hoje deverá ser votada a Proposta de Emeda à Constituição (PEC) que põe com a chamada Escala 6x1.

O mercado avalia uma inflação de serviços que deverá chegar a 7,84% com a aprovação da medida.

 

Chegou a redação avaliações de mercado sobre a questão. Confira a seguir:

 

"O risco é transformar parte desse aumento de custos em inflação de serviços, justamente um dos componentes mais resistentes da inflação brasileira", Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

       “O setor de serviços recuou 0,1% em agosto, mas os serviços prestados às famílias cresceram 2,1%, mostrando que o consumo de lazer e alimentação mantém força mesmo com juros elevados. Uma eventual redução da jornada de 44 para 40 horas poderia ampliar essa demanda, mas também elevaria em 10% o custo da hora trabalhada, caso os salários fossem mantidos. Em uma simulação com folha equivalente a 30% das despesas, a recomposição integral das horas poderia elevar os custos totais em cerca de 3%, podendo superar esse percentual diante da necessidade de novas contratações, horas extras e de um possível efeito em cadeia sobre os custos de fornecedores e insumos, já que a mudança também afetaria outras empresas da cadeia produtiva. Esse aumento das despesas operacionais pode pressionar as margens e levar ao repasse de parte dos custos aos preços finais de produtos e serviços, contribuindo para a inflação. Com o IPCA em 4,58% em 12 meses, uma pressão adicional sobre os preços, especialmente no setor de serviços, poderia dificultar a desaceleração inflacionária e limitar a velocidade dos cortes da Selic. O equilíbrio entre custos trabalhistas, produtividade e capacidade de repasse aos preços será decisivo para o consumo, as contratações e os investimentos”, Gustavo Assis, CEO da Asset.

       “A estabilidade dos serviços em agosto, mesmo com o crescimento dos segmentos voltados às famílias, mostra que o consumo ainda não sustenta uma expansão generalizada do setor. Na minha avaliação, o fim da escala 6x1 pode beneficiar lazer e turismo, mas o aumento dos custos tende a ser mais imediato do que o crescimento da demanda. O problema é que mais tempo livre não significa mais dinheiro para consumir. Acredito que grandes empresas terão melhores condições de contratar e investir, enquanto pequenos negócios enfrentarão maior pressão sobre suas margens. O risco é transformar parte desse aumento de custos em inflação de serviços, justamente um dos componentes mais resistentes da inflação brasileira. Isso dificultaria a queda dos juros e exigiria maior seletividade nos investimentos, privilegiando empresas com produtividade elevada e capacidade de repassar preços”, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos

       “O avanço de 2,1% dos serviços prestados às famílias, enquanto os serviços profissionais e administrativos recuaram 0,2%, revela que o consumo está crescendo mais rapidamente que algumas atividades empresariais. A possível redução da escala 6x1 pode intensificar esse movimento, ampliando a procura por lazer e turismo e exigindo reorganização das equipes. A passagem de 44 para 40 horas reduz a jornada em 9,1%, tornando produtividade, treinamento e gestão comercial ainda mais importantes. Em operações bem estruturadas, o faturamento poderia aumentar entre 4% e 6%, com custos avançando de 2% a 3%. O movimento tende a favorecer contratações e investimentos em tecnologia, desde que as empresas consigam transformar demanda em atendimento efetivo. Caso a produtividade não acompanhe o consumo, parte do crescimento será repassada aos preços, dificultando a desaceleração da inflação e a queda dos juros. O diferencial estará na capacidade de vender mais por hora trabalhada”,  Caio Mazzuchelli, CEO da You Lead

       "O resultado de agosto mostra um setor de serviços praticamente estável, mas com comportamentos bastante diferentes entre os segmentos. O avanço dos serviços prestados às famílias é importante porque atividades como alimentação, hospedagem, turismo e lazer são bastante sensíveis à renda disponível, ao emprego e também ao tempo livre das famílias. Uma eventual mudança da escala 6x1 poderia, portanto, ter um efeito positivo sobre a demanda desses setores. Mais tempo disponível tende a aumentar o consumo de restaurantes, entretenimento, turismo e serviços pessoais. Por outro lado, são justamente atividades intensivas em mão de obra e que precisam funcionar à noite, nos fins de semana e feriados. Se houver redução da jornada sem redução proporcional dos salários, o custo por hora trabalhada aumenta. Dependendo do formato da mudança e da capacidade de reorganização das escalas, estimamos que o impacto efetivo sobre os custos de pessoal das empresas mais expostas possa ficar aproximadamente entre 3% e 8%. Ao mesmo tempo, o aumento do consumo poderia acrescentar algo como 2% a 5% ao faturamento de alguns segmentos de lazer, alimentação e turismo. São intervalos de cenário, e não uma projeção única para todo o setor. O saldo dependerá principalmente do ganho de produtividade. Empresas maiores provavelmente terão maior capacidade de reorganizar equipes, automatizar processos e absorver parte desse custo. Já pequenos restaurantes, hotéis e empresas de serviços podem precisar contratar mais funcionários ou repassar parte do aumento para os preços. Isso pode gerar novas contratações e estimular investimentos em tecnologia e produtividade, o que é positivo para a atividade. Mas, se o aumento dos custos superar os ganhos de produtividade e de faturamento, teremos uma pressão adicional sobre os preços de serviços. Esse último ponto é particularmente relevante para a política monetária, porque a inflação de serviços costuma ser mais resistente. Portanto, uma mudança muito rápida e sem período adequado de adaptação poderia dificultar marginalmente o processo de queda da inflação e, consequentemente, limitar a velocidade dos cortes de juros. Em resumo, a redução da jornada pode estimular consumo e qualidade de vida, mas o efeito econômico não será uniforme. Para que o saldo seja positivo, é fundamental que a transição permita às empresas reorganizar escalas, investir em produtividade e evitar que o aumento do custo trabalhista simplesmente seja transferido para os preços”, André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital.

       “A redução da escala 6x1 pode provocar uma mudança importante na distribuição do consumo, ampliando o movimento em restaurantes, turismo e entretenimento em diferentes dias da semana. O avanço de 2,1% dos serviços às famílias em agosto já indica força nessas atividades, mesmo com o setor agregado praticamente estável. Empresas que combinarem gestão de escalas, pagamentos digitais, fidelização e melhor controle dos recebíveis poderão aproveitar essa demanda com maior eficiência. Em um cenário de adaptação, o faturamento poderia crescer entre 4% e 6%, enquanto os custos avançariam de 2% a 3,5%. A expansão favoreceria contratações e investimentos em tecnologia, mas o impacto sobre a inflação dependerá da produtividade. Quanto maior a capacidade de atendimento sem reajustes de preços, menor a pressão sobre a política monetária e maior o espaço para cortes da Selic”, Leticia Moschioni, Sócia da Finscale.

       “O aumento de 2,1% dos serviços às famílias mostra que o consumo presencial ainda encontra espaço para crescer, mas a redução da escala 6x1 pode criar um desafio de capacidade. Hotéis e restaurantes não conseguem ampliar sua estrutura imediatamente, mesmo diante de uma procura maior. Um estabelecimento que registre crescimento potencial de 5% na demanda pode converter apenas 2% a 3% em faturamento se já operar próximo do limite, enquanto seus custos poderiam subir de 3% a 4%. Com investimentos antecipados em equipamentos, instalações e equipes, a receita poderia avançar de 4% a 6%, com maior capacidade de absorver as despesas. Isso favoreceria emprego e atividade econômica. O crédito planejado será importante para financiar essa expansão, pois, sem aumento de oferta, a demanda adicional tende a pressionar preços, dificultando a desaceleração da inflação e a redução dos juros”, Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.

       “Os números de agosto mostram uma economia que perdeu fôlego, mas com o consumo das famílias ainda resistente. O volume de serviços caiu 0,1% em relação a julho, enquanto os serviços prestados às famílias, que incluem hotéis, bares, restaurantes e lazer, cresceram 2,1% no mês e 4,2% sobre agosto do ano passado. O fim da escala 6x1 pode aumentar o tempo livre e o consumo de lazer e turismo. Só que esses são justamente os setores que mais dependem de mão de obra e que funcionam aos fins de semana. Para atender mais clientes com uma jornada menor, eles vão precisar contratar. O custo dessa mudança já foi estimado: segundo o Ipea, reduzir a jornada para 40 horas aumentaria em 7,84% o custo de cada trabalhador com carteira assinada. Na indústria e no comércio, o impacto no custo total ficaria abaixo de 1%, mas chegaria a 6,5% em serviços como vigilância e limpeza. Já o ganho de faturamento ainda não foi medido por ninguém, e por isso o saldo não está garantido. Se o consumo extra não compensar, parte desse custo deve ir para os preços dos serviços. Isso acontece num momento em que o mercado já projeta inflação de 5,22% para 2026, acima do teto da meta. A medida pode gerar contratações no curto prazo, mas, sem ganho de produtividade, o risco maior é de preços mais altos e juros caindo mais devagar”, André Matos, CEO da MA7 Capital.

 

       “O resultado de agosto mostra uma economia em duas velocidades: o setor de serviços recuou 0,1%, enquanto as atividades voltadas às famílias cresceram 2,1%. Uma jornada menor poderia estimular viagens e lazer, mas a capacidade de atendimento dependerá de contratações, produtividade e investimentos, também influenciados pelo cenário internacional. Juros elevados nos Estados Unidos e oscilações cambiais podem encarecer equipamentos importados e limitar o espaço para cortes mais rápidos da Selic. Em um cenário de aumento de 3% a 5% no faturamento dos serviços beneficiados, os custos poderiam crescer entre 2% e 4%. Se a demanda avançar sem expansão da oferta, haverá maior pressão inflacionária; com investimentos e produtividade, o efeito sobre emprego e crescimento poderá ser mais favorável. Para os investidores, a combinação entre câmbio, juros brasileiros e política monetária americana reforça a importância da diversificação internacional e da proteção patrimonial”, Fábio Murad, Consultor da Wiser Asset.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)