AGU pede a Luiz Fux que mantenha eficácia da MP das bets
Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) pedem a suspensão da eficácia da MP 1.394/2026.
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(Brasília-DF, 06/10/2026). Nessa segunda-feira,05, a Advocacia-Geral da União (AGU) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de indeferimento da suspensão da eficácia da Medida Provisória nº 1.394/2026, a chamada MP das bets, que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de loterias de apostas de cota fixa no País. Veja a íntegra da manifestação aqui AQUI.
A manifestação da AGU foi encaminhada ao ministro Luiz Fux, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7721, que tramita no STF e discute o marco legal das apostas de cota fixa. Admitidos como amici curiae no âmbito dessa ADI, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) pedem a suspensão da eficácia da MP 1.394/2026.
A AGU, no documento, requer que seja ouvido, em um prazo de 72 horas, o Procurador-Geral da República. Também sugere a realização de nova audiência pública sobre o tema, atualizando o debate realizado em novembro de 2024, para “considerar as repercussões da atividade e da alteração normativa sobre o conjunto da sociedade”. Participariam da audiência pesquisadores, representantes de órgãos públicos, de entidades de defesa dos consumidores, da sociedade civil e dos setores econômicos afetados, além de entidades representativas do setor de apostas.
Argumentos
Entre os argumentos da AGU está a conclusão de que o regime normativo estabelecido pelas Leis nº 13.756/2018 e nº 14.790/2023 para as apostas de cota fixa era “extensamente falho”, contemplando uma liberalidade exploratória que se demonstrou incompatível com a proteção de direitos fundamentais como a dignidade humana, a
O advogado-geral da União, Jorge Messias, na manifestação encaminhada ao ministro Fux, cita dados produzidos por órgãos públicos que indicam repercussões relevantes sobre o orçamento familiar, o endividamento, a saúde, a proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade e outros interesses constitucionalmente protegidos.
Entre 2018 e 2025, por exemplo, os registros do Sistema Único de Saúde (SUS) relativos a jogo patológico e problemas com apostas cresceram 140%. Nas relações familiares, o impacto das perdas é medido em insegurança alimentar, endividamento, vulnerabilidade econômica e fragilização dos vínculos – somente em 2025, estudo oficial estima que as apostas retiraram R$ 62,5 bilhões dos orçamentos familiares brasileiros.
“As normas impugnadas traziam falhas sensíveis quanto às previsões relacionadas à implementação de procedimentos de autorização das atividades, aos requisitos técnicos dos sistemas de apostas, à prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento de atividades ilícitas, ao monitoramento, à fiscalização e à publicidade”, defende a AGU, concluindo que “o ‘dragão’ era indomável”.
(da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)