Pesquisa Febraban aponta que 70% dos bancos participantes enxergam mais corte na Selic ainda em 2026: inadimplência é estimada em 6,1%
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(Brasília-DF, 06/10/2026) Nesta terça-feira, 06, foi divulgada a Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban, que ouviu 20 bancos entre 22 e 28 de setembro.
A expectativa de crescimento para a carteira de crédito total em 2026 é de 8,9%. De acordo com o levantamento, o resultado reflete a alta projetada no avanço da carteira direcionada. A pesquisa é realizada de 45 em 45 dias, logo após a divulgação da ata da última reunião do Copom.
A maioria (55%) dos bancos respondentes segue esperando uma desaceleração gradual neste 2º semestre, diante dos programas governamentais e mercado de trabalho resiliente. Por outro lado, 30% acreditam em uma desaceleração do crédito mais pronunciada neste fim de ano.
Segundo o levantamento, a expectativa aponta para uma expansão do crédito ligeiramente menor ante a projeção do Banco Central em seu último Relatório de Política Monetária, no segundo trimestre de 2026, de alta de 9,1% do saldo total neste ano.
Para 2027, a expectativa de crescimento da carteira total é de 7,4%, puxada pela alta da carteira direcionada, em 8,5%, enquanto a expansão esperada para a carteira livre é de 6,4%.
A projeção para a carteira direcionada em 2026 está em 11%, sustentada pela elevação da expectativa para as empresas, que chegou a 13,4%, segmento que contempla, por exemplo, os programas governamentais para MPMEs. A projeção para a expansão da linha direcionada para famílias está em 9,6%, apoiada no avanço do crédito imobiliário.
A projeção para carteira livre, por sua vez, é de crescimento de 7,1% no ano. O avanço do segmento PF Livre é projetado em 9,6%. Já a expectativa de alta para o crédito PJ Livre está em 3,5%. Neste caso, a carteira segue mostrando números mais contidos, em um contexto de juros altos, concorrência com o mercado de capitais e competição com os recursos direcionados.
A expectativa para a inadimplência da carteira livre (PF+PJ) é de 6,1% em 2026 e 5,9% em 2027, sinalizando continuidade das pressões sobre o indicador, diante do elevado nível de endividamento das empresas e famílias.
Com relação à inadimplência das famílias, a percepção predominante (65%) é de que o indicador deve seguir em alta até o fim do ano. Por outro lado, 30% acreditam na estabilidade do indicador no patamar atual.
"A pesquisa continua indicando que o crédito deve crescer em bom ritmo em 2026, puxado pelos recursos direcionados, especialmente nas operações para as empresas, diante dos programas governamentais. Do lado do crédito destinado às famílias, a projeção permanece próxima a dois dígitos no ano, beneficiada pelo mercado de trabalho aquecido e avanço do consignado privado e imobiliário.", afirma Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.
Selic
A Pesquisa captou que a mediana dos participantes (50%) espera que a taxa Selic encerre 2026 em 13,50% a.a., com o ciclo de cortes retomando em março de 2027. O restante dos respondentes se divide em 30,0% que não enxerga mais cortes em 2026 e 20,0% que espera a taxa básica em 13,25% aa ou menos. Nenhum dos bancos respondentes enxerga queda no Copom de dezembro de 2026.
PIB
No caso do crescimento do PIB em 2026, 45,0% dos participantes avaliam que o PIB deve crescer abaixo do consenso atual, diante da desaceleração dos setores mais cíclicos; 40,0% ainda projetam expansão em linha com o consenso de crescimento de 1,8%.
Inflação
Com relação à inflação, 40% dos participantes esperam a inflação em torno do consenso do mercado de 4,9%. Por outro lado, 50,0% acreditam que a inflação deve ficar acima do consenso ao final do ano.
Estados Unidos
Sobre o contexto externo, com a persistência da inflação acima da meta e a resiliência da atividade nos EUA, a grande maioria dos participantes (75,0%) aguarda nova elevação de 0,25 pp dos juros pelo Fed até o fim do ano.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Politica Real)