31 de julho de 2025
ELEIÇÕES 2026

Estudo do Pacto pela Democracia revela que 85,5% dos brasileiros pretendem votar em 2026 e 82,8% afirmam que os resultados das urnas devem ser respeitados

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Por Política Real com assessoria
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Estudo o Valor do Voto. Foto: capa do documento

(Brasília-DF, 02/10/2026) Chegou à redação da Política Real uma avaliação do relatório "O Valor do Voto", organizado pelo “O Pacto pela Democracia”, coalizão que reúne 230 organizações da sociedade civil, em que busca compreender as causas da desconfiança de parcela da população no sistema eletrônico de votação e, mesmo entre os que confiam, os motivos que os levam a deixar de votar. Veja a íntegra do estudo AQUI.

Em 2022, cerca de 20% das pessoas aptas a votar não compareceram às urnas. Nas eleições municipais de 2024, a abstenção ficou próxima dos 30%. Para a iniciativa, a perda de credibilidade no voto não é um problema restrito ao debate eleitoral, impacta cotidianamente na confiança nas instituições e amplia a instabilidade política.

Segundo os achados do estudo, o sentimento de descrédito não é algo simples de definir. O levantamento do Pacto pela Democracia aponta que 85,5% dos brasileiros pretendem votar em 2026 e 82,8% afirmam que os resultados das urnas devem ser respeitados.

"Com esse resultado fica evidente que não se trata simplesmente de uma decisão baseada 'eu não confio nas urnas, por isso não voto', mas existe uma desconexão com o sistema eleitoral. O voto continua sendo percebido como um valor importante e como uma forma de exercer poder e participar das decisões. O que se perde é esse valor ao longo do caminho, até o momento de transformar essa percepção em ação. Outras preocupações parecem mais urgentes e importantes, fazendo com que o ato de votar perca espaço entre as prioridades das pessoas", avalia Helena Salvador, coordenadora de campanhas do Pacto pela Democracia e do estudo "O Valor do Voto".

As etapas do relatório

No primeiro momento, Pacto pela Democracia analisou 712 conteúdos de desinformação que circularam nas redes sociais e aplicativos de mensagens (WhatsApp) durante as eleições de 2022 e 2024.

Assim, identificou que 45% dos conteúdos desinformativos sobre o processo eleitoral e sistema de votação miram diretamente o funcionamento das urnas. As mensagens recorrem a falsas explicações técnicas do sistema operacional para sugerir falhas e possibilidades de manipulação; utilizam "pessoas comuns" para opinar como reforço de um movimento coletivo de descrédito e encapadas como informação de utilidade pública que busca alertar o cidadão comum e que autoridades escondem.

"Estas são as primeiras eleições nacionais depois de uma campanha de ataques às urnas eletrônicas. Em 2024, o Pacto mapeou a circulação de narrativas durante as eleições municipais e identificou que elas se baseiam principalmente na dúvida, buscando colocá-la na cabeça das pessoas para que deixem de confiar nas instituições. Foi assim em 2022 e, agora, em 2026, vemos esse movimento novamente nas redes. A diferença é que hoje conteúdos institucionais fazem a defesa das urnas, enquanto conteúdos pessoais fazem os ataques. E já sabemos que, quando as instituições estão sob descrédito, os interlocutores de confiança ganham ainda mais importância", afirma Helena.

Mensagens de impacto

Na segunda etapa do estudo, foram realizadas escutas qualitativas com 55 pessoas de todas as regiões do país, com objetivo de investigar sentimentos, dúvidas e percepções sobre o ato de votar, além de um teste quantitativo de impacto de mensagem com mais de 3.800 pessoas e foram identificados os seguintes comportamentos e sentimentos:

Não confiar na urna ainda não é o mesmo que não acreditar no valor da democracia, que permanece reconhecida como um valor e uma realidade no Brasil;

Deixar de votar é fácil: o valor irrisório da multa (cerca de R$ 3,50) e a facilidade de justificar o voto em segundos pelo celular é reconhecida por todos como um fator que coopera;

A memória boa das eleições está no passado: as lembranças afetuosas do processo eleitoral remetem a tempos antigos, já o momento presente é descrito como desencantado e polarizado;

Quem confia menos nas urnas tende a se informar mais por redes sociais. E neste grupo, pessoas que consomem  conteúdos religiosos se mostraram mais suscetíveis a responder positivamente a mensagens de valorização do voto e de explicação sobre o funcionamento das urnas eletrônicas.

Recomendações

A partir do diagnóstico do ambiente digital, das escutas qualitativas e  testes de impacto de mensagens, o relatório aponta caminhos práticos para reformular a comunicação sobre a integridade eleitoral. Os achados apontam, entre outras coisas, que um dos caminhos é utilizar linguagem simples para detalhar o funcionamento da urna, o percurso de testes, da votação e apuração e anualmente, ouvir mesários e profissionais de logística não apenas nos anos eleitorais, com o intuito de transformar a defesa das eleições em uma agenda permanente e cotidiana.

"Estamos observando há alguns anos uma crescente desconfiança no processo eleitoral, especialmente no sistema eletrônico de votação, com um ápice nas eleições de 2022. Por isso, foi fundamental mapear e entender como a desinformação que sustenta essa descrença se coloca nas redes sociais, quais suas principais estratégias e narrativas", observa Liz Nóbrega, diretora da organização Aláfia Lab.

Para Nóbrega, no processo foi possível entender o que mobiliza os eleitores, e com isso elaborar mensagens didáticas que funcionam e podem retomar a confiança

"Nos testes que realizamos, por exemplo, identificamos um aumento de até 10 pontos nos níveis de confiança nas urnas após a veiculação de mensagens desmistificando o funcionamento do sistema eletrônico. O didatismo, dessa forma, se apresenta como um bom caminho e é importante que as entidades e instituições estejam engajadas nesse objetivo", conclui.

( da redação com informações e texto de assessoria. Edição: Política Real)