Flávio Bolsonaro volta a sofrer forte desgaste por com de sua relação com Daniel Vorcaro; ele fez cinco viagens internacionais em cinco meses seguidos com o advogado Willer Tomaz
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Com agências
(Brasília-DF, 24/09/2026) Depois da crise de abril, em que se revelou a relação do senador Flávio Bolsonaro(PL-RJ) com o banqueiro preso Daniel Vorcaro em que o chamava de “irmão” enquanto cobrava recursos para bancar o filme biografia de seu pai Jair Bolsonaro, “Dark Horse”, o candidato à presidência do PL volta a enfrentar desgaste a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições envolvendo Vorcado.
O foco das notícias negativas é sua amizade com o advogado Willer Tomaz, alvo de uma operação da Polícia Federal no início de agosto, dentro das investigações que apuram fraudes bilionárias no pagamento de benefícios do INSS.
O objetivo da operação era apurar um esquema de lavagem de dinheiro que teria beneficiado o senador Weverton Rocha (PDT-MA), com suposta participação de Tomaz. Segundo a PF, a esposa do senador, Samya Rocha, teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas relacionadas ao advogado.
Nos últimos dias, diferentes veículos revelaram mais detalhes dos vínculos entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro.
Segundo reportagem do jornal O Globo de 18 de setembro, ambos fizeram cinco viagens internacionais juntos entre janeiro e maio de 2025, para destinos como Estados Unidos, África do Sul e Europa. Procurado, o senador não respondeu sobre quem custeou as viagens.
Já nesta quarta-feira (23/9), a revista Piauí revelou detalhes sobre uma dessas viagens. Segundo a publicação, o candidato do PL viajou com sua família da Flórida (EUA) a Brasília em janeiro do ano passado em um jatinho que pertencia a Willer Tomaz em sociedade com uma empresa de Daniel Vorcaro, banqueiro que está preso acusado de fraudes bilionárias no Banco Master. O advogado também estava no voo.
A revista informou ainda que se trata do mesmo jato executivo de alto padrão, de prefixo PP-NLR, que transportou o ministro do STF Alexandre de Moraes em agosto do mesmo ano. Na ocasião, o escritório da esposa dele, Viviane Barci, tinha um contrato com o Banco Master que lhe dava acesso a aeronaves do banqueiro.
Flávio Bolsonaro se manifestou sobre as revelações em um post na rede social X de forma curta e irônica. "Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes".
Já Willer Tomaz negou que Vorcaro tenha relação com a viagem de janeiro, em nota enviada à BBC News Brasil. O advogado diz que arcou com todos os custos do voo e não sabia que o banqueiro era sócio na aeronave.
"O voo de janeiro de 2025 não tem — e nunca teve — qualquer relação com Daniel Vorcaro. A aeronave não era dele. Pertence à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., dividida em três cotas iguais, uma delas de empresa de Willer Tomaz desde 2023".
"Aquele trecho foi solicitado, escalado e integralmente custeado por Willer Tomaz, debitado das horas da sua cota. Vorcaro não pagou, não cedeu, não autorizou e não participou daquele voo — nem direta, nem indiretamente. Quem viajou o fez como convidado de Willer Tomaz: carona entre amigos, sem custo, contrapartida ou benefício de parte a parte".
O advogado diz ainda, na nota, que não conhece Vorcaro nem tem negócios dele.
"A venda da cota de terceiro à Prime You ocorreu sem o conhecimento e sem a anuência de Willer Tomaz. Ao tomar ciência, em abril de 2026, denunciou o contrato e está desde então em litígio com a Prime You. Atribuir aquele voo a Daniel Vorcaro é falso".
O advogado também nega ser investigado por irregularidades no INSS. "A apuração diz respeito tão somente à propriedade de um imóvel. A hipótese da investigação é de que o imóvel pertenceria a um parlamentar", diz a nota.
Procurado pela BBC News Brasil por meio de sua assessoria de imprensa, Flávio Bolsonaro não se manifestou até a publicação dessa reportagem.
Já ao jornal O Globo, ele também negou saber que a aeronave usada em janeiro também pertencia a Vorcaro.
"Na época, o avião era do Willer, eu tive zero contato com Vorcaro. Fizemos uma viagem em família, mais nada. O avião era dele. Não sabia da cota da empresa (Prime You). Para mim, o avião era do Willer. Qualquer coisa além disso é distorção da realidade".
Na semana anterior, ele também disse ao jornal manter "relação de amizade" com Willer "legítima" e que "qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos".
O candidato não respondeu se as cinco viagens internacionais realizadas entre janeiro e maio de 2025 foram todas bancadas pelo advogado.
Segundo a revista Piauí, um apartamento também ligaria Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz e o Banco Master.
De acordo com reportagem, o senador teria usado como base para sua campanha em São Paulo um imóvel emprestado pelo advogado. Esse apartamento, diz a revista, foi comprado por Willer Tomaz de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro que também está preso, acusado de ser operador financeiro das fraudes bancárias.
A reportagem diz que a transação ocorreu em 10 de fevereiro de 2026, quando o amigo de Flávio pagou R$ 3,5 milhões pelo imóvel, R$ 2 milhões a menos do que Zettel desembolsou ao comprar o apartamento em abril do ano anterior.
A revista diz que entrevistou moradores do edifício, que confirmaram a presença do senador e de sua equipe no local. Procurado pela revista, porém, Flávio disse que se hospedou em hotéis na região e não respondeu sobre que uso foi feito do imóvel.
Já Willer Tomaz enviou uma nota à Piauí afirmando não conhecer Fabiano Zettel nem Daniel Vorcaro, e que jamais teve qualquer "relação pessoal, comercial ou societária" com os dois.
( da redação com informações de agências. Edição: Política Real)