Mercado avalia o relatório de receitas e despesas do bimestre; veja avaliação de economistas da Warren Rena
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(Brasília-DF, 24/09/2026). Na tarde desta quinta-feira, 24, o Mercado começou a avaliar a divulgação do Relatório Bimestral de Avalição de Receitas e Despesas Primárias divulgado pelo Governo Federal.
Chegou a redação a primeira avaliação
Veja a íntegra da avalição dos economistas da Warren Rena:
Com desbloqueio e contingenciamento conjugados, relatório bimestral eleva déficit primário do Governo Central de R$ 52 bilhões para R$ 67,3 bilhões, em 2026, cumprindo a meta fiscal exatamente no intervalo inferior (zero)
Governo divulga a apresentação do quarto Relatório Bimestral de Avalição de Receitas e Despesas Primárias. A projeção da receita líquida de transferências foi reduzida em R$ 6,8 bilhões frente ao terceiro bimestral, enquanto a projeção da despesa aumentou R$ 22,1 bilhões.
Com esses números, não seria possível cumprir a meta fiscal, pois o déficit primário sairia de R$ 52 bilhões para R$ 80,9 bilhões (52+6,8+22,1). Descontando-se R$ 67,3 bilhões em despesas, o déficit ajustado seria de R$ 13,6 bilhões (80,9-67,3), enquanto o intervalo inferior da meta fiscal é zero. Assim, será feito um contingenciamento de igual valor nas despesas discricionárias.
Em relação à arrecadação, o desaquecimento da economia levou à revisão para baixo das receitas administradas, destacando-se Imposto de Renda (R$ 13,1 bilhões), Imposto de Importação (R$ 4,3 bilhões) e Cofins (R$ 4,2 bilhões). Entre as não administradas, dividendos e participações foram reduzidos em R$ 3,9 bilhões.
Já as outras receitas administradas foram fortemente majoradas (11,2 bilhões), provavelmente em razão da inclusão de mais meses de tributação sobre as exportações de petróleo. A projeção de receitas previdenciárias também foi majorada (R$ 2,4 bilhões).
Conjugando-se essas variações, a receita total projetada foi reduzida em R$ 15,7 bilhões, mas, com a diminuição de R$ 8,9 bilhões da projeção de transferências constitucionais, principalmente em razão da revisão das receitas com o Imposto de Renda, a receita líquida projetada caiu R$ 6,8 bilhões (15,7-8,9).
Pelo lado das despesas, tivemos a redução de R$ 15,5 bilhões no bloqueio, de R$ 17,9 bilhões para R$ 2,4 bilhões, pois as despesas sujeitas ao limite de gastos projetadas caíram de R$ 2.410,6 bilhões para R$ 2.395,1 bilhões. Isso possibilitou o aumento de R$ 18 bilhões das discricionárias. Com o contingenciamento de R$ 13,6 bilhões, o aumento líquido dessas despesas será de R$ 4,4 bilhões.
Em relação às despesas obrigatórias, houve aumento de R$ 4,1 bilhões nas projeções, mas com importante remanejamento: despesas previdenciárias e despesa de pessoal foram revistas para baixo em R$ 13,6 bilhões e R$ 4,5 bilhões, respectivamente, confirmando a subestimativa que vínhamos apontando em nossos cenários fiscais.
Essas reduções permitiram acomodar os aumentos de R$ 20,1 bilhões nos créditos extraordinários e de R$ 6,2 bilhões nas despesas com controle de fluxo, incrementos esses decorrentes da extensão dos subsídios aos combustíveis e da correção dos benefícios do Bolsa Família, na mesma ordem.
Enfim, a projeção das receitas líquidas foi reduzida em R$ 6,8 bilhões e as despesas foram elevadas em R$ 8,5 bilhões, sendo R$ 4,1 bilhões das obrigatórias e R$ 4,4 bilhões das discricionárias, já considerados o desbloqueio e o contingenciamento. Com isso, houve piora do déficit de R$ 15,3 bilhões (6,8+8,5), projetado agora em R$ 67,3 bilhões, frente aos R$ 52 bilhões que constavam do terceiro bimestral.
Assim, o governo pretende agora cumprir a meta fiscal exatamente no seu limite inferior zero, já que R$ 67,3 bilhões em despesas podem ser excluídos para fins de verificação do cumprimento. O novo déficit corresponde a 0,49% do PIB, praticamente igual ao 0,48% do PIB de 2025 e acima do 0,36% do PIB, de 2024 e num ano cuja arrecadação está sendo favorecida pelo aumento do preço do barril de petróleo.
Se esse cenário se concretizar, será mais um ano sem que se inicie um progressivo avanço em direção ao superávit primário necessário para estabilizar a dívida pública.
O resultado esperado para 2026 reforça também o quão desafiador será obter o superávit de R$ 18,6 bilhões previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 enviado ao Congresso Nacional, se é que esse valor será mantido, depois da correção de 15% dos benefícios do Bolsa Família.
Vale lembrar que a meta fiscal de 2027 poderá ser cumprida com déficit de R$ 28,1 bilhões ou 0,19% do PIB, se novamente for utilizado o intervalo inferior, superávit de R$ 36,6 bilhões, considerando-se as exclusões de R$ 64,7 bilhões em despesas (36,6-64,7 = - 28,1).
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)