OCDE registra que o resultado do PISA 2025 teve o pior resultado em matemática e leitura; esse foi o maior PISA da história, informa OCDE
PISA revela graves dificuldades nos países ricos
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(Brasília-Df, 08/09/2026) Na manhã desta terça-feira, 08, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou o seu Programa Internacional de Avaliação de Estudantes(PISA) referente a 2025 apontando que o desempenho dos alunos nos países do chamado “clube dos ricos” continuou a cair, atingindo a média mais baixa já registrada pelo Programa em matemática e leitura.
Em toda a OCDE, um em cada cinco alunos de 15 anos apresenta agora baixo desempenho em ciências, matemática e leitura, um aumento em relação aos 16% registrados em 2022.\
O PISA 2025 foi a maior avaliação realizada até o momento, envolvendo 760.000 alunos em 91 países e economias. A edição deste ano concentrou-se em ciências, área em que o desempenho médio manteve-se estável entre 2022 e 2025 nos países da OCDE, após uma tendência de queda observada entre 2009 e 2022.
As pontuações médias em leitura caíram 28 pontos nos países da OCDE entre 2015 e 2025, o que equivale a cerca de um ano e meio de aprendizado. As pontuações em matemática caíram 22 pontos, o equivalente a pouco mais de um ano de aprendizado. Entre os participantes do PISA que não pertencem à OCDE, as pontuações em leitura caíram 16 pontos e as de matemática, oito pontos, no mesmo período.
O nível socioeconômico continua sendo um forte indicador de desempenho. Nos países da OCDE, alunos de contextos favorecidos obtiveram pontuações 85 pontos mais altas em ciências do que alunos de contextos desfavorecidos. Essa diferença diminuiu entre 2022 e 2025, mas principalmente porque o desempenho dos alunos favorecidos piorou, e não devido a melhorias entre os alunos desfavorecidos.
"O PISA 2025 mostra que é urgente reverter o declínio no desempenho dos alunos. Os sistemas educacionais mais bem-sucedidos concentram-se em menos áreas com maior profundidade, investem nos professores, envolvem os pais e oferecem apoio direcionado aos alunos e escolas que mais precisam", afirmou o Secretário-Geral da OCDE, Mathias Cormann. "A tecnologia e a IA podem fortalecer o aprendizado e ajudar a preparar os jovens para o futuro, mas apenas quando utilizadas com propósito, e não como substitutas para a atenção, o esforço e a compreensão."
Entre 2015 e 2025, alguns sistemas educacionais melhoraram seu desempenho, contrariando as tendências gerais. O desempenho em ciências aumentou na Lituânia, na República Eslovaca, na Turquia, na República Dominicana, na Geórgia, em Macau (China), em Montenegro, no Catar, na Tailândia, nos Emirados Árabes Unidos e no Uruguai. A Turquia, a República Eslovaca, Montenegro, o Catar e os Emirados Árabes Unidos aumentaram a proporção de alunos com alto desempenho em ciências, reduzindo, ao mesmo tempo, a parcela daqueles com baixo desempenho.
A maioria das jurisdições chinesas participantes, juntamente com Estônia, Japão, Coreia, Cingapura, Taipé Chinês e Reino Unido, classificou-se entre os dez sistemas educacionais com melhor desempenho em ciências, matemática e leitura
O PISA 2025 também mostra que, quando a inteligência artificial e as ferramentas digitais são utilizadas, isso deve ser feito com cautela, para fins claramente definidos e com moderação. O desempenho dos alunos tendeu a ser inferior quando o uso se tornou excessivo ou quando os dispositivos foram utilizados para lazer na escola
A distração digital também afeta a dinâmica da sala de aula como um todo. Mais de um em cada quatro alunos relatou que colegas se distraíam com dispositivos digitais na maioria das aulas de ciências ou em todas elas. Alunos cercados por colegas distraídos apresentaram desempenho inferior, menor engajamento na aprendizagem e menor sensação de conexão com a escola.
Alunos que afirmaram não utilizar IA para elaborar textos em atividades de redação tiveram desempenho superior àqueles que disseram utilizá-la. Entre os usuários frequentes, no entanto, aqueles que utilizaram a IA para auxiliar no aprendizado e receberam orientações sobre como avaliar a qualidade das informações geradas pela IA tenderam a apresentar melhor desempenho do que os que não receberam tal orientação.
A nova avaliação do PISA sobre "Aprendizagem no Mundo Digital" oferece novas perspectivas sobre o nível de preparação dos alunos para trabalhar com ferramentas digitais e decompor problemas complexos em etapas menores e solucionáveis. Nos países da OCDE, quase dois terços dos alunos atingiram o nível de proficiência relevante em resolução computacional de problemas. No entanto, apenas metade alcançou esse nível demonstrando, simultaneamente, proficiência básica em ciências, leitura e matemática. Os resultados ressaltam a necessidade de ambos os aspectos: bases sólidas nas disciplinas fundamentais e a capacidade de aplicar esse conhecimento na resolução de problemas com o auxílio de ferramentas digitais.
Novas análises do PISA serão divulgadas em 2027. Os resultados da Avaliação de Línguas Estrangeiras serão publicados em abril, seguidos pelos resultados completos e pela análise da avaliação de "Aprendizagem no Mundo Digital" em maio.
( da redação com informações e textos da OCDE. Edição: Política Real)