31 de julho de 2025
TRAGÉDIA

Estima-se em 332 pessoas mortas e ao menos 900 desaparecidos por conta da tragédia que atingiu a fronteira do Nepal e do Tibete

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Por Politica Real com agências
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Existe risco de mais desastres entre hoje e sexta-feira Foto: imagem de streaming

Com agências

(Brasília-DF, 27/08/2026)  Passadas em torno de 24 horas após uma grande enxurrada repentina e um deslizamento de terra atingirem o Nepal e o Tibete, equipes de resgate correm contra o tempo para buscar sobreviventes, recuperar corpos e fornecer assistência a comunidades afetadas pelo desastre.

A tragédia ocorreu nessa quarta-feira ,26, na fronteira entre o Nepal e o Tibete, controlado pela China.

Estima-se que pelo menos 900 pessoas estejam desaparecidas. Ao menos 332 pessoas morreram — a maioria no Nepal, segundo a polícia.

O número de desaparecidos inclui forças de segurança, turistas e a população em geral. Estima-se que o número de turistas desaparecidos seja superior a 600.

Entre os desaparecidos, há pessoas de 28 nacionalidades diferentes — incluindo mais de 280 da Índia, 54 dos Estados Unidos, 33 do Reino Unido e 53 da Ucrânia.

A área é bastante procurada por peregrinos e turistas que fazem trilhas.

O diretor do Centro de Estudos sobre Desastres da Universidade Tribhuvan, no Nepal, Basanta Raj Adhikari, afirmou à BBC que há risco de mais duas ondas de enchentes entre quinta e sexta-feira.

"Ainda não sabemos", diz ele, acrescentando que continua a discutir a situação com colegas na China que estão monitorando a situação. "Não há chuvas intensas, mas pode ocorrer [um] deslizamento de terra."

Um porta-voz do governo nepalês disse à BBC que a dimensão da destruição está "além da imaginação".

O distrito de Chitwan registrou o maior número de mortes. Rasuwa e Nuwakot, às margens do rio Bhotekoshi, também foram atingidos.

Houve destruição de estradas, pontes, redes de comunicação e infraestrutura hidrelétrica, incluindo danos ao projeto hidrelétrico de Trishuli.

A polícia diz que está trabalhando para levar moradores de áreas de risco para locais seguros e realizar operações de busca e resgate.

Militares, policiais, trabalhadores do setor de energia e funcionários de alfândega e imigração estão entre as centenas de desaparecidos.

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, afirmou que o país está "em choque e profundamente abalado" pela perda de vidas e pelos danos causados pelas enxurradas.

Em uma publicação nas redes sociais, ele classificou o desastre como "repentino" e "de grandes proporções" e prestou condolências às vítimas e suas famílias.

Shah também afirmou que o governo mobilizou imediatamente todos os recursos disponíveis para as operações de resgate.

Ao lado da China e da Índia, o Nepal abriga oito das montanhas mais altas do mundo, incluindo o Monte Everest, conhecido localmente como Sagarmatha.

Como um dos países mais pobres do mundo, a economia do Nepal depende fortemente de ajuda externa e do turismo.

Parentes

Parentes angustiados lotavam nesta quinta-feira ,27, os corredores de hospitais e delegacias, numa busca desesperada pelos desaparecidos nas enchentes que devastaram a fronteira entre Nepal e Tibete. O balanço de vítimas subiu para 273 mortos, enquanto não se conhece o paradeiro de pelo menos outras 1,3 mil pessoas, originárias de 30 países.

Dentre os desaparecidos, há ao menos 288 cidadãos da Índia, entre turistas e trabalhadores, enquanto mais 200 estão isolados na China.  Outras centenas de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas na região do Himalaia.

Em um hospital de Katmandu, Chitra Bahadur Nepali procurava por seu sobrinho, Yubraj Sewak, motorista que seguia em direção a Rasuwa, antes de perder contato. "O nome dele não aparece em nenhuma das listas que vimos, e outro membro da nossa família também está desaparecido," disse Nepali, de 52 anos, mostrando uma fotografia dele no celular.

Corpos arrastados por quilômetros

Muitos dos mortos foram encontrados vários quilômetros rio abaixo, perto da fronteira com a Índia, aparentemente arrastados para longe do local onde a enchente ocorreu. Em alguns casos, apenas partes dos corpos foram recuperadas, segundo autoridades.

Imagens e vídeos da região do Himalaia mostraram ampla destruição, e a expectativa é de que o o balanço de mortos continue aumentando. Mais de 7,4 mil socorristas foram mobilizados no Nepal, de acordo com autoridades.

A espessa camada de lama ao redor da passagem fronteiriça de Gyirong, severamente inundada, dificultava as operações, tornando estradas intransitáveis para equipamentos pesados e veículos de grande porte, além de provocar falhas em parte das redes de comunicação. A enxurrada destruiu pontes, danificou barragens e soterrou casas.

Centenas de turistas estavam fora do alcance dos socorristas, segundo o chefe da polícia turística do Nepal, Bishow Raj Adhikari. A maioria dos viajantes desaparecidos é de indianos que peregrinavam ao Monte Kailash, no Tibete, considerado sagrado pelos hindus. 

Os Estados Unidos prometeram 500 mil dólares em ajuda emergencial, incluindo abrigos temporários, água potável e outros suprimentos. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o serviço de observação da Terra Copernicus foi ativado para mapear as áreas afetadas. Também Alemanha, Nações Unidas e União Europeia ofereceram apoio.

( da redação da BBC, AP, AFP. Edição: Política Real)