Lula no Amapá, com direito a presença de Davi Alcolumbre, disse que a descoberta de petróleo no poço Morpho na foz do Amazonas é "passaporte para o futuro" do país
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(Brasília-DF, 17/08/2026) Nesta segunda-feira, 17, no Amapá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o petróleo identificado pela Petrobras na Foz do Amazonas pode ser um "passaporte para o futuro" do país. A estatal confirmou a presença de petróleo no poço Morpho, mas ainda precisa delimitar a descoberta e calcular o volume existente. O presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre (União-AP) cumpriu agenda acompanhando o presidente Lula num primeiro encontro público dos dois após abril de 2026.
Ao observar um frasco com petróleo retirado da região, Lula afirmou:
"Isso aqui pode se chamar passaporte para o futuro desse país. E, quando eu falo passaporte para o futuro desse país, eu não estou negando minha luta para acabar com os combustíveis fósseis, porque esse país vai continuar sendo o país rei da inovação dos biocombustíveis", afirmou.
Defesa da exploração
Lula também defendeu a decisão de avançar com a prospecção de petróleo na região e disse que anunciou a medida antes da COP realizada no ano passado.
"Muita gente queria que eu não declarasse que tinha conquistado a licença, porque diziam que os europeus iam ficar chateados se a gente anunciasse que ia procurar petróleo, porque eles queriam que a gente só falasse do fim do combustível fóssil. E eu tomei a decisão de anunciar antes da COP que a gente ia fazer a prospecção aqui", disse.
"Porque o que estava em jogo eram os interesses do país e os interesses da nossa empresa. E o direito do Amapá não virar só exportador de açaí ou exportador de tucunaré", afirmou.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a empresa ainda precisa determinar a dimensão da descoberta antes de avaliar seu potencial comercial.
Próximos passos
"Ainda precisamos delimitar a descoberta, saber quanto petróleo de fato existe nessa área", afirmou Chambriard.
A exploração do poço deve ser concluída nos próximos 15 a 20 dias, segundo a presidente da Petrobras.
Na sexta-feira ,14, a estatal havia informado apenas a identificação de hidrocarbonetos no bloco FZA-M-59. Na ocasião, o resultado era tratado como primeiro indício da presença de petróleo ou gás natural na costa do Amapá.
O bloco fica a cerca de 175 quilômetros da costa, em lâmina d’água de 2.886 metros. Segundo a Petrobras, os hidrocarbonetos foram identificados por meio de perfis elétricos e amostras de rochas coletadas durante a perfuração.
Campanha exploratória
A etapa atual busca delimitar o reservatório, calcular o volume de hidrocarbonetos e verificar se a acumulação é economicamente viável para produção.
"Estão previstos mais três poços para perfuração nessa região. Além disso, há outros cinco poços em áreas adjacentes. É esse gigantesco esforço exploratório que vai nos dizer o real potencial da região", afirmou Chambriard.
O Plano de Negócios 2026–2030 da Petrobras prevê a perfuração de 15 poços na Margem Equatorial, com investimentos de US$ 2,5 bilhões na região.
Em nota, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) afirmou que a descoberta é significativa por indicar a possibilidade de exploração e produção em uma nova fronteira no extremo norte do país. O instituto também avaliou que o achado pode contribuir para a segurança energética nacional no médio e longo prazo.
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Lula voltou a criticar, nesta segunda-feira ,17, a política de privatizações defendida por setores políticos brasileiros. Em visita a um navio-sonda da Petrobras na Margem Equatorial, no Amapá, o político sustentou que quem adota postura de vender empresas nacionais "é um bom comerciante e não um bom gestor".
"Queria que alguém me explicasse o que o povo brasileiro ganhou com a privatização da BR Distribuidora (...) Porque o cara que vendeu deveria ganhar o Prêmio Nobel de burrice", disse. "Ele, na verdade, demonstra incompetência de não dar resultado naquilo que ele tem que dar", completou.
Lula, na sequência, defendeu o fortalecimento da indústria nacional como meio de desenvolvimento social. "É só acreditar e fazer. Importar é mais barato? Pode ser mais barato importar (...) Quando a gente contrata e a gente dá escala, a gente faz mais barato do que se a gente comprasse lá fora. E estamos fazendo muita coisa. Essa é a lógica. O Estado tem que aproveitar o poder de compra dele para incentivar a indústria nacional".
Complexo de vira-latas
Então, o presidente destacou que políticas opostas ao potêncial interno de desenvolvimento são fruto de um "complexo de vira-latas". "Quantos presidentes da República e quantos presidentes da Petrobras acharam que a Petrobras não tinha muito futuro, que era preciso mudar de nome, que era preciso começar a vender ativos da Petrobras?", criticou.
Em um momento mais descontraído, Lula ainda defendeu os cachorros brasileiros. "E quando eu falo vira-lata, eu não estou ofendendo porque eu gosto muito de vira-lata", disse, ao lembrar que ele mesmo tem três cães adotados.
"Se eu tiver que pegar um cachorrinho para criar, vou pegar um vira-latinha que é mais simpático, que é mais agradável. E eu já tenho três. Eu falo vira-lata porque há pessoas que não se respeitam. Porque as pessoas que não gostam de fazer esforço", completou.
( da redação com informações da RT Brasil. Edição: Política Real)