31 de julho de 2025
RÚSSIA/UCRÂNIA

Rússia na tentativa de controlar a internet emite ordem de prisão contra fundador do aplicativo Telegram, Pavel Durov; Rússia diz que Ucrânia usa o sistema contra a Rússia

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Por Politica Real com agências
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Pavel Durov na conta do X do Telegram publica foto com o dedo do meio Foto: X do Telegram

(Brasília-DF, 29/07/2026) Nesta quarta-feira, 29, informam agências internacionais, o fundador do aplicativo de mensagens Telegram, Pavel Durov, foi acusado pela Rússia de facilitar atividades terroristas e teve o seu nome incluído na lista de procurados internacionalmente. A informação foi divulgada pelo Serviço de Segurança Federal russo, o FSB.

Ainda não está claro quais mecanismos o governo de Vladimir Putin vai utilizar para emitir o mandado de prisão internacional. A Interpol não se pronunciou sobre o assunto. De acordo com fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters, no entanto, se Moscou solicitar um alerta vermelho, é improvável que o processo ocorra com agilidade.

Em resposta, a conta oficial do Telegram no X postou uma imagem do bilionário nascido na Rússia mostrando o dedo ⁠do meio⁠.

O FSB acusou, em comunicado, a administração do Telegram de não ter removido "inúmeros canais, chats e bots" supostamente utilizados por "agências de inteligência ucranianas, organizações terroristas e extremistas para preparar e coordenar atos de sabotagem e terrorismo, assassinatos em massa e fraudes cibernéticas" na Rússia, o que resultou em "inúmeras vítimas".

De acordo com a agência de segurança, os serviços de segurança ucranianos estariam utilizando um popular chatbot de paquera no Telegram para atrair e recrutar russos para "atividades de sabotagem e terrorismo" e afirmou que 46 usuários do chatbot, com idades entre 12 e 22 anos, foram detidos em toda a Rússia desde julho de 2025 por agressão a agentes da lei, incêndio criminoso e outros atos.

A Ucrânia não comentou o caso.

No início deste ano, Durov anunciou que as autoridades russas abriram uma investigação criminal contra ele. O dono do Telegram acusou o governo russo de inventar pretextos para restringir o acesso ao aplicativo como parte de uma tentativa de "suprimir o direito à privacidade e à liberdade de expressão". Se for condenado, o empresário pode pegar até prisão perpétua na Rússia, informou a agência de notícias Associated Press.

Kremlin tenta controlar a internet

O governo de Vladimir Putin vem fechando o cerco ao Telegram como parte de uma campanha mais ampla para bloquear o acesso a plataformas estrangeiras e reforçar o controle sobre a internet, o que vem se intensificando desde a invasão à Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Atualmente, os russos só podem acessar o Telegram usando um VPN. Mesmo com as restrições, órgãos estatais, incluindo o Kremlin e o Ministério da Defesa, continuam a publicar conteúdo diariamente no aplicativo de Durov.

O aplicativo tem sido descrito como um "campo de batalha virtual" na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, onde é utilizado por autoridades, soldados e blogueiros influentes de ambos os lados.

Nos últimos anos, Facebook, Instagram e X foram proibidos na Rússia; o YouTube teve o tráfego restringido; aplicativos populares de mensagens, como Signal e Viber, foram bloqueados, e o WhatsApp e Telegram tiveram seu uso limitado.

A VK, popular rede social russa semelhante ao Facebook, fundada por Durov muito antes do empresário lançar o Telegram, é hoje controlada por empresas alinhadas ao Kremlin.

A Rússia tentou bloquear o Telegram entre 2018 e 2020, mas não teve sucesso. A medida para restringir o aplicativo de mensagens gerou descontentamento generalizado no país, e, neste ano, ativistas em várias regiões tentaram organizar protestos contra a medida. Os atos foram reprimidos em quase todas as tentativas.

( da redação com informações da DW, AP, EFE, AFL. Edição: Política Real)