Veículos de imprensa dos EUA processam Trump por proibição da Casa Branca; pool de cobertura diária da Casa Branca é suspenso
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Com agências
(Brasília-DF, 21/09/2026) Os veículos de imprensa dos Estados Unidos, CNN, MS NOW e Politico, planejam recorrer à Justiça contra o governo de Donald Trump, após ele os ter banido da Casa Branca, informaram os três em um comunicado nestaa segunda-feira, 21.
"Nesta manhã, notificamos o governo de que estamos entrando com uma ação judicial hoje para proteger nossos direitos garantidos pela Primeira Emenda e defender o princípio de que o governo não decide o que a imprensa noticia ou publica", disseram CNN, MS NOW e Politico em seu comunicado.
O anúncio ocorre depois que Trump acusou os veículos de mídia de relatarem "ficção" e de "mentirem" na cobertura de seu governo.
Na segunda-feira, Trump escreveu nas redes sociais que seu governo não estava visando "a imprensa livre", mas sim "empreendendo um ataque às “fake News”, algo que cresceu como um câncer".
O banimento de veículos de mídia por Trump é a mais recente escalada em sua longa disputa com vários órgãos de imprensa dos EUA. Em 2017, ao iniciar seu primeiro mandato presidencial, ele classificou a imprensa como "inimiga do povo americano".
O que disseram CNN, MS NOW e Politico?
Um dia após o anúncio de Trump, os crachás de acesso dos repórteres da CNN, MS NOW e Politico foram desativados.
Os veículos de imprensa acusaram a Casa Branca de revogar as credenciais de seus jornalistas "sem aviso prévio ou devido processo legal", porque o governo "discordava de nossas reportagens".
"Se não for contestada, essa medida ameaça a liberdade de imprensa e o direito do público a um jornalismo independente, livre de interferência governamental", afirmaram no comunicado.
Os veículos banidos argumentaram na ação judicial que a Constituição "não permite que um presidente ou qualquer outra autoridade governamental prive a imprensa de seus direitos da Primeira Emenda, bem como de suas liberdades e direitos de propriedade, sem aviso prévio ou devido processo legal, baseando-se apenas em sua insatisfação com o conteúdo das reportagens".
Cobertura em sistema de pool da Casa Branca suspensa
A CNN é uma das cinco organizações de notícias — incluindo as emissoras ABC, CBS, Fox News e NBC — que compõem o *pool* de televisão da Casa Branca. As emissoras dividem os custos da cobertura das atividades do presidente, revezam-se na organização dessa cobertura e compartilham as imagens com veículos de comunicação de todo o país.
Na segunda-feira, em resposta à exclusão da CNN do *pool* de televisão da Casa Branca, as outras grandes redes de TV anunciaram a suspensão de sua cobertura, o que elimina, na prática, a principal fonte de imagens em vídeo dos eventos da Casa Branca.
A CNN estava escalada para cobrir a viagem de Trump a Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas na segunda-feira, mas, devido à proibição, não pôde fornecer o sinal do *pool*.
Bryan Boughton, chefe da sucursal da Fox News em Washington e atual coordenador do *pool* de TV, anunciou a suspensão em um e-mail na segunda-feira.
"Essa decisão decorre da posição da Casa Branca de impedir a CNN de cumprir as atribuições que lhe cabiam no *pool*", acrescentou Boughton. "Não haverá um *pool* substituto", completou.
A ausência de substituição refletiu um boicote efetivo em protesto contra a proibição.
ABC, CBS, CNN, Fox e NBC manifestaram-se sobre a situação em um comunicado, afirmando que "o público tem um interesse vital em receber informações precisas e independentes sobre seu governo. Nenhuma administração deve restringir uma organização de notícias por discordar de sua cobertura jornalística".
( da redação com informações da DW, Ap, AFP. Edição: Política Real)