Mercados, após tarifaço, tem forte queda no Brasil com alta do dólar; veja algumas avaliações de analistas sobre o tarifaço
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Com agências.
(Brasília-DF, 16/07/2026). Nesta quinta-feira, 16, Ibovespa fechou em forte queda em meio às repercuções no mercado da nova rodada de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Washington confirmou na véspera uma alíquota de 25% sobre parte das exportações do Brasil, acompanhada de críticas ao governo brasileiro e ao pix. As tarifas entram em vigor em 22 de julho.
Em reação ao tarifaço, o dólar subiu 0,40%, cotado a R$ 5,10. Já o principal índice da bolsa brasileira teve queda de 1,24%, aos 173.825 pontos.
Entre as ações do Ibovespa, a maior queda foi da Braskem, que recuou 4,84%. Já a liderança nas altas foi da CSN Mineração, com alta de 4,01%.
COMENTÁRIOS AO TARIFAÇO:
Para André Gilberto, CEO do CGM Advogados, escritório de advocacia full service que atende grandes empresas do Brasil e do exterior, o momento exige que as empresas deixem de tratar o tema apenas como uma discussão de política comercial e passem a atuar sob a perspectiva da gestão jurídica de riscos.
“A tarifa imposta pelos Estados Unidos inaugura um ambiente de incerteza que pode comprometer operações comerciais inteiras. As empresas precisam revisar seus contratos, avaliar cláusulas de força maior, preparar estratégias de renegociação e, se necessário, acionar vias judiciais ou arbitrais para proteção de seus interesses.”
Segundo o especialista, a confirmação da tarifa altera o cenário enfrentado pelas empresas em relação ao observado há um ano. Se antes o mercado acompanhava uma investigação comercial e discutia hipóteses de retaliação, agora há uma medida concreta em vigor, com potencial para impactar cadeias de suprimentos, contratos internacionais, planejamento tributário, investimentos e relações comerciais de longo prazo.
Além dos efeitos econômicos diretos, a expectativa é que aumente a utilização dos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, regulamentada justamente para permitir que o Brasil responda a medidas unilaterais adotadas por outros países. O cenário também pode estimular disputas administrativas, arbitrais e judiciais envolvendo contratos internacionais afetados pelo aumento dos custos de exportação.
Para André Gilberto, a estratégia das empresas deve ir além da reação imediata às novas tarifas.
“A instabilidade nas relações comerciais exige agilidade e estratégia. As empresas precisam estar preparadas para atravessar esse novo cenário com segurança jurídica e inteligência de negócios. Este é um momento que demanda respostas rápidas, mas também estruturadas. Nosso papel é ajudar as companhias não apenas a reagirem, mas a se protegerem de forma consistente e preventiva frente aos riscos jurídicos que se desenham.”
Nesse contexto, o CGM Advogados recomenda que empresas com exposição ao mercado norte-americano realizem uma revisão imediata de contratos internacionais, avaliem mecanismos de redistribuição de riscos entre as partes, revisem estratégias tributárias e aduaneiras, monitorem os possíveis desdobramentos da Lei de Reciprocidade Econômica e acompanhem eventuais medidas adicionais que possam surgir tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
Para Utcho Levorin, diretor de gestão da Multiplica:
De forma geral, o impacto das tarifas sobre os ativos tende a ser negativo, pois representa um fator de pressão adicional sobre a economia brasileira e, consequentemente, sobre os ativos domésticos. No caso das empresas listadas em Bolsa, é importante observar quais produtos ficarão fora da taxação, como café, suco de laranja, carne e determinados componentes do setor aeronáutico. Esses segmentos teriam um impacto menor ou praticamente nulo, reduzindo parte dos efeitos sobre a economia. Ainda assim, a maior parte das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos seria afetada, o que representa um cenário bastante desafiador. O principal ponto de atenção está na indústria, especialmente em setores ligados a bens de capital e produtos manufaturados, que possuem maior exposição às medidas tarifárias. Outro segmento sensível é o etanol, que já enfrenta um ambiente desafiador e poderia sofrer pressão adicional com uma tarifa de 25%. Além disso, existe o risco de impactos ainda maiores caso sejam aplicadas sobretaxas relacionadas a questões como possíveis restrições envolvendo produtos associados a trabalho forçado, o que poderia adicionar uma nova camada de complexidade ao comércio entre os países.
Para José Faria Júnior, planejador financeiro CFP pela Planejar:
As tarifas anunciadas pelos Estados Unidos possuem uma característica importante: atingem principalmente produtos industriais, enquanto grande parte das commodities ficou de fora das medidas. Estima-se que cerca de 25% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano sejam impactadas.
Diferentemente das commodities, os produtos industriais apresentam maior dificuldade de redirecionamento para outros mercados. No caso de itens como café ou carne, ainda que haja desafios logísticos e comerciais, existe uma maior flexibilidade para encontrar novos compradores. Já na indústria, muitos produtos são desenvolvidos de forma específica para determinados clientes, seguindo padrões técnicos e demandas customizadas.
Por essa razão, a substituição do mercado americano não é um processo simples. Embora parte das exportações possa ser redirecionada para outros países, é improvável que todo esse volume seja absorvido rapidamente, tampouco pelo mercado interno. Assim, a tendência é de uma redução das exportações brasileiras para os Estados Unidos, ainda que seja prematuro estimar a magnitude desse movimento.
Do ponto de vista macroeconômico, o impacto tende a ser limitado. Considerando o tamanho da economia brasileira, o volume potencialmente afetado representa uma parcela relativamente pequena do PIB. No entanto, no âmbito microeconômico, os efeitos podem ser bastante relevantes para empresas que possuem elevada exposição ao mercado norte-americano e dependem dessas exportações para sua geração de receita
Em relação à inflação, os efeitos positivos decorrentes de um eventual aumento da oferta doméstica tendem a ser discretos. Isso porque os produtos atingidos pelas tarifas possuem características industriais e cadeias de comercialização mais complexas, o que dificulta uma realocação imediata para o mercado interno e limita impactos significativos sobre os preços ao consumidor.
( da redação com informações da bloberg Linea e assessorias. Edição: Política Real)