31 de julho de 2025
ECONOMIA

Anfavea diz que vendas podem superar 3 milhões de unidades após 12 anos; no primeiro semestre setor avançou 8,8%

Exportações caíram no primeiro semestre enquanto importações avançaram

Por Política Real com assessoria
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Igor Calvet. fala pela Anfavea Foto: imagem de streaming

(Brasília-DF, 07/07/2026). Nesta terça-feira, 07, a Anfavea divulgou dados das vedas de veículos em face do encerramento do primeiro semestre do ano de 2026.

Anfavea revisou para cima as projeções divulgadas em janeiro. A expectativa agora é que o Brasil ultrapasse a marca de 3 milhões de autoveículos emplacados em 2026, patamar que não é alcançado desde 2014. Caso a projeção se confirme, o crescimento será de 11,7% em relação a 2025, bem acima dos 2,7% previstos no início do ano.

O avanço será impulsionado principalmente pelos segmentos de automóveis e comerciais leves, cuja expectativa de crescimento passou para 12,6%. Já os segmentos de caminhões e ônibus devem encerrar o ano com retração de 6%.

Na contramão do mercado doméstico aquecido, as exportações deverão fechar 2026 com queda de 12,8%, reflexo da retração do mercado argentino e da maior presença de veículos chineses e mexicanos nos principais destinos dos produtos brasileiros. Em janeiro, a projeção da entidade era de uma alta de 1,5%.

Com esse cenário, a produção nacional deve registrar um desempenho positivo, mas ainda distante do potencial proporcionado pela demanda interna. A projeção de crescimento passou de 3,7% para 5,8% sobre 2025, alcançando um volume próximo de 2,8 milhões de autoveículos produzidos, o melhor resultado desde 2019.

"Por um lado, ficamos satisfeitos com o vigor do mercado nacional e com essa alta na produção, que vem se refletindo em ligeira elevação do nível de empregos. Por outro lado, lamentamos muito que parte dessa recuperação venha sendo capturada por importações incentivadas por alíquotas abaixo da média mundial ou pela produção de eletrificados em SKD isenta de Imposto de Importação, algo que vem se provando desnecessário e fora de propósito, dado o bom desempenho dos veículos eletrificados no mercado”, afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.

Primeiro semestre

Primeiro semestre registra melhor desempenho desde o período pré-pandemia Junho apresentou desempenho de emplacamentos e produção ligeiramente inferior ao de maio, mas suficiente para consolidar o melhor primeiro semestre desde 2019, último ano antes da pandemia. Nos seis primeiros meses de 2026, foram produzidos1,372 milhão de autoveículos, volume 8,8% superior ao registrado no mesmo período

de 2025.

O principal motor desse crescimento foi o segmento de automóveis, cujas vendas avançaram 23,7%, o equivalente a 208 mil unidades a mais do que no primeiro semestre do ano passado.

Carro sustentável

Desse incremento, 73 mil unidades são atribuídas ao programa Carro Sustentável, que impulsionou as vendas dos veículos de entrada. Outros 130 mil veículos vieram do crescimento dos eletrificados, sendo 70 mil produzidos no Brasil e 60 mil importados. Em junho, os eletrificados alcançaram participação recorde nas vendas de veículos leves, chegando a 20,9% do mercado.

Já o segmento de veículos pesados segue em recuperação mais lenta, impulsionado pela segunda fase do programa Move Brasil. No acumulado do semestre, as vendas de caminhões recuaram 10,5%, enquanto as de ônibus registraram queda de 11,6%. Embora junho tenha apresentado os melhores resultados do ano para ambos os segmentos, o desempenho ainda não é suficiente para reverter a expectativa de mais um ano de retração.

As exportações, por sua vez, continuam sem sinais de recuperação. Em junho, os embarques ficaram 26,7% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025. Com isso, o acumulado do primeiro semestre chegou a 216,6 mil unidades exportadas, uma queda de 21,2%. Apenas para a Argentina, a redução foi de quase 60 mil unidades no período, reflexo tanto da retração do mercado local quanto da perda de participação dos veículos brasileiros para modelos chineses e mexicanos.

Importações ampliam déficit na balança comercial

Depois de muitos anos, o Brasil voltou a registrar déficit na balança comercial do setor automotivo. No primeiro semestre, ingressaram no país 63 mil autoveículos a mais do que o total exportado.

Entre janeiro e junho, foram emplacados 280,6 mil veículos importados, dos quais metade teve origem na China. Em apenas um ano, o volume de veículos chineses enviados ao Brasil dobrou, passando de 70 mil para 140 mil unidades.

(  da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)