Conselho Político da Associação Comercial de São Paulo cobra propostas dos candidatos à presidência para enfrentamento do juro alto, dívida pública e reformas
Na abertura, o presidente em exercício da Associação Comercial de São Paulo, Marcos Nascimento, colocou o papel da entidade
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(Brasília-DF, 06/07/2026) Nesta segunda-feira, 06, o Conselho Político e Social (COPS) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) reuniu ex-ministros, ex-parlamentares e lideranças empresariais para um diagnóstico duro do Brasil pré-eleitoral: juro real de 10% ao ano, o maior do mundo, dívida pública 11 pontos percentuais acima da registrada em 2023 e candidaturas que ainda não apresentaram compromissos claros de reforma.
Na abertura, o presidente em exercício da Associação Comercial de São Paulo, Marcos Nascimento, colocou o papel da entidade.
"A Associação Comercial não é uma entidade partidária, mas é uma entidade política. Nosso papel é contribuir para a discussão dos grandes temas nacionais", afirmou. Coordenada pelo ex-senador Heráclito Fortes, a mesa reuniu Benito Gama (ex-deputado federal), Jutahy Magalhães Junior (ex-ministro do Bem-Estar Social), Nelson Marchezan Junior (ex-prefeito de Porto Alegre) e Roberto Brant (ex-ministro da Previdência).
Constituinte de 1988, da qual participou, Benito Gama recuperou aquele processo para dimensionar o vazio atual. Se a redemocratização contou com lideranças partidárias e uma sociedade civil organizada e atuante, o país chega a 2026, após cerca de 140 emendas constitucionais, com uma crise de lideranças políticas, empresariais e de classe. "A transição que vivemos agora não é de regime, como em 1988, mas de geração", disse. Sobre os presidenciáveis, foi direto: "Não podemos colocar um candidato a presidente que não tenha história política e experiência de gestão administrativa".
O fim de uma era
Jutahy Magalhães Junior descreveu a eleição presidencial como personalíssima, decidida por convicção e interesse entre dois campos, o da continuidade e o da mudança. "Ninguém consegue mudar o voto para presidente, se a pessoa já estiver convencida de em quem vai votar", afirmou. Para o ex-ministro, o desfecho de outubro encerrará uma era. "Nós estamos no fim de um ciclo político, que pode trazer oportunidade para novos candidatos", avaliou.
Os números da paralisia do Estado couberam a Nelson Marchezan Junior. O setor público administra cerca de R$ 6 trilhões, mas o investimento direto do orçamento federal soma R$ 55 bilhões, valor equivalente ao das emendas parlamentares. Na legislatura que se encerra, 83% das leis aprovadas nasceram do Legislativo, sinal da perda de protagonismo do Executivo, e a produtividade do trabalhador brasileiro segue abaixo da metade da americana, segundo dados apresentados por ele.
"Ainda não sabemos quais são as pautas do atual presidente. Também conhecemos pouco as pautas dos candidatos", provocou e resumiu: "Quem tem a pauta das dez reformas de que o Brasil precisa?".
Coube a Roberto Brant o fecho mais contundente. O ex-ministro lembrou que o Brasil vive há dois anos com juro real de 10% ao ano, sem paralelo entre economias de mercado, e que a dívida bruta saltou de 71,8% do PIB em janeiro de 2023 para 81,8%, com os juros respondendo por cerca de 90% dessa expansão, segundo seus cálculos. "Estamos no centro de uma escolha existencial. Precisamos criar um ambiente de cooperação. Hoje o ambiente político está disfuncional", afirmou. E convocou: "Temos de dar ao Brasil uma chance, mas para isso os setores responsáveis pelo Brasil precisam se mexer. A política brasileira começa hoje".
No debate, o conselheiro Paulo Delgado reforçou a tese do encerramento de ciclo e a urgência de a sociedade organizada qualificar o debate público. Já o vice-presidente e coordenador geral dos Conselhos da ACSP, Andrea Matarazzo, resumiu a degradação do debate eleitoral nas últimas décadas: "Em vez de termos o marketing a serviço da política, passou-se a ter a política a serviço do marketing". Para ele, reconquistar o eleitor exigirá presença nas redes sociais sem abrir mão de conteúdo e propostas.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)