31 de julho de 2025
BOLSONAROS EM CRISE

Michelle Bolsonaro disse que foi atacada por gente que estava nos EUA e disse que foi traída na condução do PL Mulher

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Por Política Real com redes sociais
Publicado em

(Brasília-DF, 24/06/2026).  A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher, gravou dois longos vídeos. Ao todo foram 27 minutos. Neste primeiro vídeo ela faz um longo depoimento informando que está sendo traída na formação de candidaturas eleitorais do PL.

Ela disse que além da traição no PL Mulher ela foi atacada a ponto de aformarem que ela não tinha interesse em defender o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Um dia que nós nunca esqueceremos. E logo depois desse dia, pessoas que se diziam fiéis ao meu marido, que se gabavam e lucravam por se dizerem bolsonaristas, se apressaram em me atacar, em me humilhar, em dizer que eu estaria, desculpe a palavra, cagando para o meu marido. Alguns desses influenciadores estavam nos Estados Unidos.

E de lá, induziam pessoas ao erro e comandavam os ataques gratuitos covardes contra mim. E eu não conseguia entender porque estavam fazendo aquilo comigo. Eu estava fazendo exatamente o que o meu galego me pediu para fazer.”, disse.

 

 

Veja a íntegra da transcrição:

 

Olá! Esse vídeo será longo, porque não tem como ser diferente. O detalhe faz toda a diferença, em especial nesse momento. Eu precisava falar com todos vocês, em especial com as mulheres de bem que nos acompanham.

 

Não foi fácil chegar até aqui. Tentei o silêncio, escolhi a paz. Para não expor a minha família, fiquei calada por muito tempo.

 

Mas tem um limite para o quanto uma pessoa consegue suportar ataques e mentiras. Especialmente quando essas mentiras envolvem o seu nome, o sofrimento do seu marido, da sua família e deturpam o trabalho que você entregou de coração. Até agora, eu tentei não expor a família, pensando muito no meu marido, mas não dá mais.

 

Então, eu vim para falar. As pessoas que sabem o que aconteceu, se dividiram em dois grupos. Um me dizia, conta tudo, as pessoas precisam saber a verdade.

 

O outro dizia, fica quieta, não vale a pena. Eu tentei ficar quieta, mas percebo a maldade de alguns que se dizem defensores e aliados do meu marido, mas que plantam narrativas maldosas e mentiras descaradas envolvendo o meu nome. Sem respeito, sem pudor, sem vergonha.

 

Não me deixaram viver em paz no momento mais difícil da minha vida. Inclusive, ignorando o pedido que o próprio Jair escreveu em uma carta, para que parassem com os ataques. Ele está sabendo de tudo e vê a situação que tenho enfrentado.

 

Então hoje, a verdade vai iluminar o que foi escondido na escuridão das notícias falsas e nos ataques irresponsáveis. Para que todo o contexto fique claro, eu preciso voltar um pouco no tempo. Tudo começou em 2023.

 

O meu marido estava voltando dos Estados Unidos. Ele ia assumir a presidência de honra do partido liberal. Ele e o presidente Valdemar, conversavam sobre os rumos do partido.

 

O que ficou para trás, o que ainda podia ser construído. E perceberam uma lacuna. As mulheres.

 

Um público enorme, poderoso e que ainda viu Jair com desconfiança. Não tinha uma estrutura partidária que falasse de verdade com elas. Foi nesse momento que o meu nome surgiu.

 

Eles me convidaram para assumir o PL Mulher como presidente nacional. Eu aceitei, mas fui muito honesta. Olhei para o meu galego e disse, Jair, você sabe que eu não assumo missão para viver um faz de conta.

 

Eu já sabia o tamanho do que estava sendo pedido e eu tinha visto de perto, na caravana Mulheres com Bolsonaro em 2022, idealizada pela nossa governadora Celina Leão, para ajudar na eleição do meu marido. Ao lado de Celina, Damares, Tereza Cristina e tantas outras guerreiras, eu vi o que era levar essa mensagem de esperança, viajando pelo Brasil inteiro. Era sacrifício real.

 

Era entrega real. Ele olhou para mim e disse que sabia que seria difícil para todos nós, mas que era necessário. E assim eu fui.

 

Assumi esse chamado, mesmo sem ter experiência partidária. O que eu encontrei pela frente era maior do que eu imaginava. O PL Mulher existia no papel, mas na verdade tivemos que começar praticamente do zero.

 

Percorri o Brasil inteiro, instalamos os diretórios nos estados, impostamos presidentes estaduais e municipais, demos capilaridade e representatividade ao movimento que hoje, sendo um dos mais recentes, se tornou o maior movimento político partidário de mulheres no Brasil. Nós pintamos o Brasil de rosa. E os resultados vieram.

 

Nas eleições de 2024, elegemos 45,8% mais mulheres do que em 2020. Com pouco mais de um ano de trabalho, foram 1.005 mulheres eleitas. A semente que plantamos começou a dar frutos.

 

E fico feliz quando vejo esse fruto chegando a todos, incluindo ao pré-candidato Flávio, que hoje é bem recebido e apoiado por nossas meninas do PL Mulher nos estados. É muito emocionante ver que as mulheres estão se engajando para transformar a política. É exatamente para isso que nós estamos trabalhando.

 

Mas o tempo foi passando e as coisas foram ficando mais pesadas. Vieram as medidas injustas contra o meu marido, a retirada das suas redes sociais, as proibições de contato com outros políticos, a tornozeleira, a limitação de visitas, a primeira prisão domiciliar, a condenação, as novas cirurgias, o tormento da Polícia Federal. Cada uma dessas palavras representa um dia real, uma noite real, uma dor real que eu e a minha família vivemos e ainda estamos vivendo.

 

Enquanto ele estava preso em casa, sem poder percorrer o país, sem poder ir às ruas, sem liberdade, ele me pediu que eu continuasse levando a mensagem dele, que eu continuasse viajando e levando uma voz de esperança para os nossos apoiadores no Brasil inteiro. A ausência dele nos nossos encontros gritava mais alto do que qualquer narrativa dos nossos perseguidores. Ele chegou a me pedir para cancelar algumas viagens quando ele desconfiava que algo ruim pudesse ser feito contra ele enquanto eu estivesse fora.

 

Então ele pedia para eu ficar em casa e eu ficava. Mas para um Estado em especial, ele não só pediu que eu fosse, ele me enviou como missão. Porque era um povo pelo qual nós dois temos um carinho muito especial, o povo cearense.

 

E eu fui. O que aconteceu depois foi um dos dias mais difíceis da nossa vida. A medicação que o meu galego estava tomando deu reações inesperadas.

 

Ele ficou fora de si e acabou mexendo na tornozeleira. E isso resultou na transferência dele para a Polícia Federal. Meu marido foi arrancado de casa.

 

Um dia que nós nunca esqueceremos. E logo depois desse dia, pessoas que se diziam fiéis ao meu marido, que se gabavam e lucravam por se dizerem bolsonaristas, se apressaram em me atacar, em me humilhar, em dizer que eu estaria, desculpe a palavra, cagando para o meu marido. Alguns desses influenciadores estavam nos Estados Unidos.

 

E de lá, induziam pessoas ao erro e comandavam os ataques gratuitos covardes contra mim. E eu não conseguia entender porque estavam fazendo aquilo comigo. Eu estava fazendo exatamente o que o meu galego me pediu para fazer.

 

Como alguém que diz amar o líder pode atacar a esposa que está cumprindo a missão que ele determinou? A nossa vida mudou muito com a prisão do meu galego. E havia alguns compromissos que tinham sido assumidos antes. A filiação de Mariana Carvalho no Maranhão e o lançamento da pré-candidatura de Eduardo Girão no Ceará foram alguns deles.

 

Eu falei diretamente com o meu marido sobre cada um desses compromissos. Eu disse a ele que queria apoiar o Girão. Pela sua fidelidade às pautas conservadoras, pela coerência que ele representa com as pautas da direita totalmente oposto ao que o Ciro defende.

 

E ele me autorizou. Em matéria de política, eu faço somente o que eu e ele combinamos. E assim eu voltei ao Ceará.

 

E o Ceará tem uma outra história à parte, uma história que vocês também precisam ouvir com atenção. Em 2024, o PL disputava a Prefeitura de Fortaleza. Nosso candidato era o deputado André Fernandes.

 

Assim como estão fazendo com o Girão, todos diziam que ele não tinha chance. Mas a direita ignorou isso e apoiou o André de corpo e alma. Era uma eleição apertada.

 

E havia uma rejeição significativa ao André por parte das mulheres. Diziam que ele era machista e que não respeitava as mulheres. Foi nesse momento que entrou em campo a vereadora Priscila Costa, presidente estadual, e a minha vice-presidente nacional do PL Mulher.

 

Uma mulher honrada e fiel defensora da vida e das pautas conservadoras. Priscila tinha acabado de ser eleita vereadora. Poderia estar cuidando do seu próprio mandato.

 

Em vez disso, dedicou-se integralmente à campanha de André, aproximando o público feminino, diminuindo a rejeição, abrindo portas que estavam fechadas. O trabalho da Priscila fez uma diferença real e significativa. Não vencemos a eleição por muito pouco.

 

Mas nos mantivemos firmes aos nossos valores. André chegou a outro patamar com a ajuda e a dedicação da Priscila. E o que ela recebeu em retribuição é revoltante.

 

Reconhecer, ser grato e retribuir o bem a quem nos ajuda é sinal de nobreza e de lealdade. Mas o agradecimento à Priscila parece estar vindo em forma de perseguição e desprezo. Deixa eu te mostrar o tamanho dessa injustiça com um número.

 

Em 2026, serão 54 vagas para o Senado Federal. Em comparação, se aplicarmos a regra dos 30% para candidaturas femininas, teríamos direito a 17 vagas para mulheres no partido. Eu pedi apenas 3. Priscila Costa, Carol de Tone e Bia Kicis.

 

3 vagas de 17 que poderíamos ter. E tem sido uma batalha diária para manter essas 3. Isso é muito desgastante. Em especial nesse momento que o meu marido e eu estamos enfrentando.

 

Deixa eu ser clara sobre a indicação da Priscila. Essa candidatura foi muito bem definida por 3 pessoas. Meu marido, eu e o presidente Valdemar.

 

Não foi sugestão. Foi preferência, foi decisão. E decisão baseada no potencial da Priscila Costa.

 

Jair definiu que o PL disputaria as duas vagas do Ceará. Uma com Priscila e a outra com o pai do André. O que aconteceu depois foi que aproveitando-se da prisão do Jair, começaram a trabalhar para eliminar a Priscila da disputa.

 

Cedendo a vaga dela para garantir uma aliança com o Ciro Gomes. Isso mesmo, o Ciro Gomes. Eu preciso parar aqui e fazer uma pergunta.

 

Se o André queria agradar o Ciro Gomes, por que ele não ofereceu a vaga do seu próprio pai? Será que ele acha que retirar a vaga de uma mulher seria mais justo e fácil? Que fique registrado para sempre. Enquanto ainda estava preso no 19º batalhão, o meu marido mandou um recado claro. Que foi repassado à direção do partido e ao senador Rogério Marinho.

 

Ele disse, Priscila será candidata. O número 222 deverá ser dado a ela. Não é vago, não é interpretável, é um desejo.

 

É uma ordem do líder. Vejam bem, a palavra mais recente do meu marido em relação às candidaturas no Ceará é essa. Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro.

 

Venha de quem vier. Agora, muitos falam da polêmica no evento do Ceará. Eu vou te contar o que aconteceu lá.

 

O senador Eduardo Girão é uma pessoa diferenciada. Um homem que quando todos cediam, ficou de pé defendendo a vida desde a concepção. As causas conservadoras e a lealdade ao meu marido, mesmo quando essa lealdade tinha um custo alto.

 

Girão é o único verdadeiro representante das pautas da direita na disputa pelo governo do Ceará. No dia do lançamento da sua pré-candidatura, estavam presentes vários representantes do PL, inclusive o presidente estadual André Fernandes. Fiquei até feliz, eu pensei, talvez haja uma chance de o partido apoiar o Girão no primeiro turno.

 

Não se trata de interferência, mas sim uma mostra do que seria mais coerente, mais fiel aos nossos valores. Ainda que aparentemente não houvesse grandes chances, como ocorreu no início com André Fernandes, a proposta seria apoiar no primeiro turno o candidato que defende fielmente os nossos valores. E era só isso que eu e o meu marido queríamos.

 

No segundo turno, os nossos eleitores, pessoas de bem, poderiam se unir a todos os demais para derrotar o candidato do PT. Mas o que eu não sabia ainda era o que estava sendo acordado nos bastidores. Não pelo meu marido, não com seu conhecimento atualizado, porque ele infelizmente estava preso, e essas pessoas não tinham mais contato com ele.

 

A última palavra sobre o Ceará, ele falou a mim, e eu transmiti a cúpula do partido. Voltando ao evento, enquanto ele ocorria, eu percebi algo que me tocou o fundo. Havia muitas senhoras, senhoras mais idosas, de cabelos brancos, usando camisetas com o rosto do meu marido, olhando para mim, olhando para o André, olhando para o pai dele, e dizendo em voz alta, Michele, Ciro, não.

 

Quando o André e o seu pai foram discursar, as vozes ficaram mais altas, mais incisivas, e diziam, Ciro, não. Vaiavam e chamavam de traidores. Eu fiquei ali assistindo aquelas mulheres, aquele povo simples, fiel, que não negocia convicção por aliança pragmática.

 

Quando chegou a minha vez de falar, eu me dirigi ao André Fernandes. Eu gosto dele, eu não falei por raiva, falei por respeito, porque respeitar e gostar de alguém, é também ter coragem de dizer o que precisa ser dito. Eu fiz elogios sinceros, critiquei o ato, a aliança precipitada com o Ciro, e não a pessoa.

 

E encerrei elogiando novamente o André, a Bela, o Carmelo, e todos os jovens ao redor dele. Alguns acharam que eu não deveria ter falado. A maioria esmagadora, porém, disse que eu estava certa.

 

Basta ver como as redes reagiram. Mais de 90% das menções do dia foram positivas àquele gesto. Mas, independentemente disso, posteriormente, pedi perdão ao André por eventualmente tê-lo magoado.

 

Magoar nunca foi a minha intenção. Quando o evento terminou, eu voltei para Brasília. E durante o trajeto de volta, aconteceu algo muito ruim.

 

Algo que eu não esperava. Algo que doeu de um jeito que palavras custavam descrever. Uma apunhalada.

 

E é nesse momento que entra na história o meu enteado Flávio.

 

( da redação com informações de assessoria, redes sociais e IA. Edição: Política Real)