Irã interrompe negociação com os Estados na Suíça após ameaça de Donald Trump, informa agência iraniana
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Com agências
(Brasília-DF, 21/06/2026). Neste domingo, 21, os Estados Unidos estão negociando novamente com o Irã numa ação organizada pelo Catar com a presença do Paquistão em em Bürgenstock, na Suíça. O acordo de paz tinha sido assinado durante a semana entre os dois países sem a participação de Israel que continua fazendo ataque no Líbano.
A delegação do Irã interrompeu as conversas com os Estados Unidos na Suíça após as novas ameaças feitas pelo presidente americano, Donald Trump, contra a República Islâmica, informou a agência de notícias Irna.
"A delegação da República Islâmica do Irã abandonou o local das negociações”, relatou a agência oficial do governo iraniano, explicando que a decisão é uma resposta às ameaças de Trump em meio às negociações que as partes mantinham neste domingo em Bürgenstock, na Suíça.
De acordo com Irna, a delegação iraniana interrompeu tanto as conversas com os EUA, que eram realizadas com a mediação de Catar e Paquistão, quanto abandonou a sede das negociações após uma reunião com o intermediário catari. Não está claro ainda se a saída do Irã era definitiva ou uma demonstração simbólica de protesto.
Um diplomata a par das negociações, disse à agência AFP que os iranianos não haviam abandonado completamente as tratativas.
"A delegação iraniana permanece engajada nas conversas", afirmou o diplomata sob condição de anonimato.
Ameaças de Trump
As negociações para acabar com uma guerra que abalou a economia global visavam iniciar um período de 60 dias para resolver questões mais amplas que têm marcado as relações entre EUA e Irã há décadas.
No entanto, mais cedo, Trump advertiu o Irã, em meio às conversas, de que se o país não impedisse a atuação de seu aliado libanês Hezbollah, os Estados Unidos retomariam ataques "com muita força” contra a república islâmica.
Além disso, em uma entrevista à emissora Fox News, Trump advertiu Teerã sobre um novo fechamento do Estreito de Ormuz, afirmando que se isso ocorresse "já não teriam país e nem sequer poderiam retornar ao seu”, em uma aparente referência à equipe negociadora iraniana, no que foi encarado como uma ameaça de aprisionar a delegação.
O Irã, por sua vez, tem advertido os EUA a pressionarem seus aliados israelenses a cessarem sua invasão e série de ataques no Líbano. Em resposta, à continuidade da guerra em território libanês, o Irã anunciou a intenção de fechar Ormuz novamente, escancarando que não pretende dissociar a crise libanesa nas negociações com os EUA.
Enquanto isso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que suas tropas permaneceriam no sul do Líbano "pelo tempo que fosse necessário".
O presidente do Parlamento e chefe da equipe negociadora do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, minimizou as ameaças e garantiu que as Forças Armadas do país estão preparadas para responder a qualquer ação de Washington.
O dirigente iraniano também advertiu Washington de que "é melhor que tomem cuidado com suas declarações” e sustentou que "por mais que falem, somos nós quem agimos”.
As negociações entre Irã e Estados Unidos haviam começado nesta manhã com reuniões separadas com os países mediadores e, posteriormente, com um encontro multilateral centrado na aplicação do memorando de entendimento assinado na última quarta, especialmente no que diz respeito ao fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, como exige Teerã.
O vice-presidente americano, JD Vance, que chefia a delegação de seu país, havia inicialmente relatado "grandes avanços” nas conversas antes das ameaças de Trump e da reação dos iranianos.
( da redação com EFE. Edição: Política Real)