31 de julho de 2025
LEILÕES DE ENERGIA

Danilo Forte diz que “a raposa está dentro do galinheiro” e a sociedade brasileira vai perder com os leilões de energia

Forte fala que vai ter aumento de energia em 10% na conta residencial e 20% na conta da indústria

Por Política Real com assessoria
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(Brasília-DF, 21/05/2026) Nesta quinta-feira, 21, no dia seguinte a recomendação do Ministério Publico Federa l(MPF) pedindo que seja suspensa por no mínimo 48 horas a homologação da assinatura dos contratos dos Leilões de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP nº 02/2026 e 03/2026), a Política Real conversou com o deputado Danilo Forte (PSDB-CE), membro da Comissão de Minas e Energia que organizou uma audiência pública para tratar dos impactos dos Leilões de Reserva.

Num primeiro momento, após a divulgação de um amplo relatório de 114 páginas sobre os diversos impactos, questionamos os principais pontos de relevância na sociedade brasileira.

Pergunta: Deputado Danilo Forte, o senhor, da Comissão de Minas e Energias, levou à frente uma discussão profunda em uma audiência pública sobre o maior leilão da história do Brasil a partir das novas energias, que se estabeleceu recentemente, está pronta para ser formalizado pelo Governo Federal, e também no momento de crise de oferta de petróleo do mundo.

Eu gostaria que o senhor desse para a gente explicações sobre os cinco pontos de maior impacto para a sociedade brasileira?

Danilo Forte:   Primeiro, o primeiro impacto, e o pior impacto, é o aumento da conta, nós vamos ter um aumento significativo da conta da energia, de saída vai aumentar no mínimo 10% da conta residencial e 20% da conta da indústria.

Por quê? Porque está se criando um encargo em cima da conta que nós já temos, que já temos uma energia muito cara para o consumidor, que já tem um débito do CDE de R$ 50 bilhões, e nós estamos criando uma outra conta de mais R$ 70 bilhões de encargos. E para você ter uma ideia do que isso pode ocasionar, essas térmicas que estão sendo contratadas nesse leilão, elas sem rodarem, elas sem gerar energia, nós vamos pagar em 15 anos ao redor de R$ 500 bilhões. E se elas gerarem, se elas colocarem energia no sistema nacional, essa conta vai para mais de R$ 1 trilhão.

É o maior escândalo da história contemporânea do Brasil. Primeiro, dá mais de 10 rocaram, dá mais de 10 vezes o escândalo do Banco Master. Isso precisa ser barrado imediatamente, porque a gente perde no dinheiro do bolso do trabalhador brasileiro, que já paga juros altos, que já paga imposto demais e agora o aumento da conta da energia.

Segundo, nós temos o problema da perda da competitividade, porque se a indústria brasileira já está atrofiando, diminuindo de tamanho, ela vai ficar menor ainda com o preço da energia subindo. Porque o maior insumo para qualquer indústria é energia. A conta de energia é um insumo muito importante e nós tentamos, inclusive na reforma tributária, unificar a tributação sobre os insumos, compensando o preço que se paga de imposto da energia e agora, diante desse leilão, nós vamos perder tudo isso, porque a conta da energia vai aumentar em 20% para a indústria.

Terceiro, nós, no Nordeste, ficamos totalmente isolados do contexto nacional de geração de energia limpa. Deus nos deu o sol e o vento e o sol e o vento estavam gerando a energia limpa e mais barata do Brasil. E com esse leilão, ele simplesmente ignorou, deixou fora do portfólio de geração de energia, na contratação, o sol e o vento.

Por quê? Porque a gente precisava acoplar as baterias. Foi assim que foi resolvido esse mesmo problema na Califórnia, que faltava energia no final da tarde. A Califórnia, nos Estados Unidos, implantou 20 gigas de bateria, resolveu o problema e a energia está mais barata lá.

Foi assim que está sendo resolvido na China. A China implantou mais de 100 gigas de bateria e está resolvendo o seu problema, como a Austrália e a Europa também, porque ninguém pode perder a oportunidade da energia barata do sol e do vento. E, por último, nós já temos um agravante ainda maior, que é o desemprego no estado do Ceará e do Nordeste brasileiro, quando as indústrias de aerogeradores das pás eólicas estão desempregando.

Só no Ceará são mais de 8 mil desempregados e esse número vai aumentar. Por quê? Porque não vai ter contrato para geração nova de sol e do vento. É só cumprir o que já está contratado.

Contrato novo só vai ter para térmica e, inclusive, contratos onerosos, porque são térmicas que já estão amortizadas, que já foram feitos os investimentos e que vendiam a energia no sistema de R$ 400 a R$ 600 por megawatt e agora vão vender por R$ 2.300. De onde sai esse dinheiro? Do bolso do consumidor. Esse leilão está envado de coisas obscuras, quando, inclusive, foi feita uma alteração do preço depois que as empresas já estavam habilitadas em mais de 100%. E até agora não apareceu ninguém do Ministério de Minas e Energia para explicar como é que dobra o preço da contratação do leilão em 72 horas, quando a única reivindicação que teve para esse aumento de preço foram das próprias geradoras, foram das próprias beneficiadas do leilão(sic).

É igual a dizer que a raposa está dentro do galinheiro, dizendo quantas galinhas quer comer e a conta cai mais uma vez para nós, cidadãos e cidadãs brasileiras.

( da redação com IA. Edição.: Política Real)