31 de julho de 2025
FEMINICÍDIO

Edson Fachin, por conta do Pacto contra o Feminicídio, disse que 53% das Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) são concedidas no mesmo dia em que são requeridas, e cerca de 90% são analisadas em até 48 horas

Veja mais

Por Política Real com assessoria
Publicado em
Edson Fachin. fala no Planalto Foto: Rosinei Coutinho/STF

(Brasília-DF, 20/05/2026)  Na solenidade por conta de 100 dias do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, no Palácio do Planalto, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, anunciou os primeiros resultados e avanços para o desenvolvimento de ações voltadas à prevenção e ao combate à violência contra mulheres e meninas.

Segundo Fachin, 53% das Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) são concedidas no mesmo dia em que são requeridas, e cerca de 90% são analisadas em até 48 horas. O dado foi apresentado em cerimônia no Palácio do Planalto que marcou os 100 dias da iniciativa.

O ministro afirmou que os resultados iniciais demonstram avanço na resposta institucional aos casos de violência doméstica e feminicídio. Segundo ele, a integração entre os órgãos reduziu o intervalo entre o registro da ocorrência e a análise judicial dos pedidos de proteção.

Fachin também ressaltou a implementação do Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar), documento eletrônico que permite a tramitação digital dos pedidos de medidas protetivas. Segundo o ministro, a ferramenta amplia a integração entre delegacias, juizados especializados e serviços de assistência, permitindo que atuem em tempo real. “Representa um salto na eficiência e na rastreabilidade da proteção concedida às mulheres”, explicou o presidente do STF e do CNJ.

Transformação cultural

Além das medidas emergenciais de proteção, o ministro defendeu a necessidade de transformar a cultura que naturaliza a violência de gênero. “O CNJ definiu como uma de suas prioridades estratégicas a estruturação de diretrizes nacionais para os Grupos Reflexivos e Responsabilizantes voltados a homens autores de violência doméstica e familiar contra a mulher”, informou.

De acordo com Fachin, o CNJ realiza o mapeamento das iniciativas existentes e prepara um manual teórico-prático para orientar a implementação desses grupos em todo o país.

Filhos de vítimas de feminicídio

O ministro também mencionou o Memorando de Entendimento com a Defensoria Pública da União, assinado na terça-feira (19), para ampliar a proteção a órfãos e órfãs do feminicídio. A parceria busca dar efetividade à Lei 14.717/2023, que prevê assistência a crianças e adolescentes que perderam as mães em decorrência da violência de gênero. “Crianças que perderam suas mães para a brutalidade não podem perder também seus direitos elementares por falta de informação ou de assistência jurídica”, justificou.

Por meio do acordo, o CNJ deverá ampliar o Painel da Violência Contra a Mulher para incluir dados sobre filhos de vítimas de feminicídio, permitindo a busca ativa dessas crianças e adolescentes para garantir assistência jurídica integral.

O Conselho também instituiu o Eixo Permanente de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, no âmbito do Observatório de Direitos Humanos, que visa fortalecer a atuação do Poder Judiciário no monitoramento da violência de gênero e no aperfeiçoamento das políticas voltadas à proteção de mulheres e meninas.

Por fim, o presidente do STF e do CNJ registrou os esforços do Poder Judiciário para implementar um Ponto de Inclusão Digital (PID) em Dourados (MS), com o objetivo de promover justiça, cidadania e segurança para mulheres indígenas.

“São ações que não esgotam o nosso trabalho; demonstram que, quando os três Poderes caminham juntos, o Estado brasileiro é capaz de proteger quem mais precisa e fomentar mudança cultural”, enfatizou.

(  da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)