Ex-ministro de Bolsonaro defende que Flávio Bolsonaro seja substituído por Michelle Bolsonaro
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(Brasília-DF 20/05/2026) O deputado federal, Ricardo Salles (Novo-SP) não poupa críticas ao nome lançado pelo bolsonarismo à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, que veio à tona na última semana.
Paraele, essa ligação entre senador e o dono do Banco Master "é no mínimo imoral".
"Ele não deveria jamais ter tido esse tipo de proximidade com o Daniel Vorcaro", diz Salles à BBC News Brasil, em entrevista concedida na segunda-feira, 18
Salle está no centro de uma disputa que envolve outro filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com quem trocou acusações e críticas públicas nos últimos dias.
O deputado federal, que trocou o PL pelo Novo em 2024 após ser preterido na disputa pela Prefeitura de São Paulo, buscava o apoio de Eduardo e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para concorrer a senador.
Mas viu o PL lançar, com o apoio de Tarcísio, as pré-candidaturas do deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa (Alesp) — que promete ter Eduardo como suplente —, e do deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública do governo paulista.
Salles disse em entrevista ao podcast "IronTalks" que Eduardo teria aceitado receber até R$ 60 milhões para negociar a candidatura de André do Prado. Eduardo afirmou que Salles está mentindo e exigiu provas.
Para Salles, diante da crise aberta na pré-candidatura de Flávio, uma eventual substituição pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pode ser positiva.
O deputado mantém sua defesa do ex-presidente, a quem chama de "o maior líder da direita", ao afirmar que não houve tentativa de golpe por parte de Bolsonaro — apenas cogitou-se "uma discussão" depois que ele perdeu a eleição.
BBC News Brasil - Como o senhor avalia a candidatura do Flávio Bolsonaro após as últimas notícias relacionadas a Daniel Vorcaro?
Salles - Ele não deveria jamais ter tido esse tipo de proximidade com o Daniel Vorcaro. Aquela mensagem de voz que foi divulgada foi um dia antes do Vorcaro ser preso. Já circulava na imprensa com grande fundamentação de provas de documentos, quer dizer, não era só uma especulação, há muitos meses, antes dessa mensagem, os indícios de crime e de desvio de dinheiro e de fraude no Banco Master e do próprio Vorcaro.
É absolutamente incompreensível que, diante de um cenário daquele, alguém diga "olha, nós estamos juntos", não lembro exatamente a frase, mas são frases incompatíveis com aquilo que o Vorcaro já representava naquele dia anterior à prisão.
Ele não era um santo até aquele dia e passou a ser tóxico no dia seguinte. Ele já era um cara tóxico, já repousava sobre ele uma série de suspeitas muito bem fundamentadas que depois se convolaram em fatos inquestionáveis, e a prisão simplesmente foi um ápice. O Flávio não tinha nada que ter mandado aquela mensagem.
( da redação com BBC Brasil. Edição: Política Real)