31 de julho de 2025
PROJEÇÕES ECONÔMICAS

Governo Federal projeta crescimento econômico em 2,3% e inflação em 4,5%, informa boletim Macro Fiscal do Ministério da Fazenda

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Por Política Real com assessoria
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SPE do Ministério da Fazenda divulgou boletim Foto: Arquivo da Política Real

(Brasília-DF, 18/05/2026) Nesta segunda-feira, 18,  à tarde, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda realizou coletiva de imprensa para apresentação do Boletim Macrofiscal de maio de 2026. O destaque é que se projeta a inflação em 4,5% e o crescimento do PIB deve ser de 2,3%. Veja a íntegra AQUI.

O cenário internacional deteriorou-se de forma relevante desde o início do conflito entre EUA e Irã. O fechamento do Estreito de Ormuz e o choque nos preços do petróleo reverteram as perspectivas de crescimento e pressionaram a inflação global, levando o FMI a revisar as projeções para os próximos anos com criação, inclusive, de cenários mais severos. O choque de oferta se propaga de modo diferenciado entre as economias, a depender da intensidade e composição energética da produção e balança comercial, da ancoragem das expectativas inflacionárias e do grau de abertura comercial. Nesse ambiente de incerteza elevada, os principais bancos centrais adotaram postura mais cautelosa, postergando ou interrompendo ciclos de afrouxamento monetário.

No Brasil, os indicadores do primeiro trimestre de 2026 sugerem aceleração da atividade após o crescimento praticamente nulo no último trimestre de 2025. O resultado foi disseminado entre os setores: a indústria manteve trajetória de alta, o comércio avançou tanto nos segmentos sensíveis à renda quanto nos mais dependentes do crédito, e os serviços prestados às famílias surpreenderam positivamente. Por sua vez, os dados relacionados à agropecuária confirmaram desempenho positivo no primeiro trimestre. No mercado de trabalho, a taxa de desemprego permanece em patamar historicamente baixo, com destaque para a trajetória de crescimento das ocupações formais. Como vetores contrários, a inadimplência e o endividamento das famílias permaneceram elevados em um ambiente de juros reais em patamar restritivo, o que comprime a parcela da renda disponível bruta das famílias.

A projeção de crescimento para 2026 foi mantida em 2,3%, com desaceleração esperada no segundo e terceiro trimestres e ligeira retomada no final do ano. No primeiro trimestre, a projeção agregada também foi preservada, embora com alterações de composição: a indústria passou a contribuir menos, os serviços ganharam participação e a agropecuária manteve sua contribuição em relação à projeção anterior. Nos trimestres intermediários, o ritmo de crescimento deverá recuar, refletindo os efeitos defasados da política monetária restritiva, com recuperação prevista apenas no quarto trimestre, à medida que a indústria ganhe tração.

Da grade de março para a de maio, destacam-se mudanças tanto na cotação do petróleo como na estimativa de câmbio médio para 2026. A cotação média do petróleo estimada para 2026 subiu de US$ 73,09 para US$ 91,25 por barril, uma alta de aproximadamente 25,0%. No mesmo período, a estimativa de mercado para o câmbio médio de 2026 caiu de R$/US$ 5,32 para R$/US$ 5,16, uma apreciação de cerca de 3,0%, já considerando o câmbio efetivamente observado até abril. As expectativas também apontam para Selic mais elevada para o fim do ano, de 13,00% a.a., ante 12,00% na grade anterior.

Essas mudanças alteraram as estimativas de inflação para 2026. A perspectiva de maior inflação no ano reflete, principalmente, desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados. Contudo, as projeções também consideram que parte do impacto do choque nos preços do petróleo será contrabalanceada pelos efeitos do real mais apreciado, e por medidas mitigatórias adotadas pelo Governo Federal para conter o repasse do aumento dos combustíveis no mercado doméstico. Para 2026, a projeção para a inflação medida pelo IPCA foi revisada de 3,7% para 4,5%, atingindo 3,5% ao final de 2027. Para o INPC de 2026, a projeção de inflação saiu de 3,8% para 4,6%. Para o IGP-DI, a projeção se manteve em 4,9%, considerando a dinâmica do indicador ao longo do trimestre.

As projeções medianas de resultado primário e da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), aferidas pelo Prisma Fiscal, melhoraram consistentemente ao longo dos últimos três meses, e sugerem credibilidade do mercado em relação ao cumprimento da meta. No mês de maio, a mediana da projeção de primário para 2026 foi à R$ 57,8 bilhões, contra R$ 72,4 bilhões em janeiro de 2026, e a da DBGG foi à 83% do PIB, contra 83,7% no primeiro mês do ano. A gestão fiscal segue atenta aos desdobramentos no conflito do oriente médio, buscando garantir que receitas adicionais possam garantir melhores resultados fiscais e suavização do choque econômico.

( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)