Veja um perfil de Jorge Messias rejeitado para cargo de ministro de ministro do STF em 132 anos
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Com agência
(Brasília-DF, 29/06/2026) Nesta quarta-feira, 29, o ministro-Chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, teve sua indicação para uma ocupar uma vaga Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitada pelo Plenário do Senado.
Foi uma decisão histórica: a primeira vez que um indicado à Corte não é aprovado pela Casa desde 1894, quando cinco nomes propostos pelo governo do marechal Floriano Peixoto foram vetados.
Ao final, Messias só recebeu apenas 34 votos a favor da sua indicação. Eram necessários no mínimo 41. Outros 42 senadores votaram contra a indicação. Houve uma abstenção.
Esta é a primeira vez que um indicado à Corte não é aprovado pela Casa desde 1894, quando cinco nomes propostos pelo governo do marechal Floriano Peixoto foram vetados.
Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro de 2025, Messias só teve seu nome submetido ao Senado após cinco meses de negociações entre governo e parlamentares.
Lula esperava que Messias ocupasse a vaga no STF deixada por Luís Roberto Barroso. Ele era o terceiro nome indicado por Lula para compor o STF desde o início da atual administração, em janeiro de 2023.
Veterano de administrações petistas
Nascido no Recife em 1980, Jorge Messias é graduado em direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestre e doutor em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela Universidade de Brasília (UnB).
Messias ingressou na Advocacia Geral da União, na carreira de procurador da Fazenda Nacional, em 2007.
Nos anos seguintes, também atuou como procurador do Banco Central e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), consultor jurídico do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, entre outros cargos.
Notoriedade involuntária em 2016
Durante o governo Dilma Rousseff (2011-2016), Messias ainda atuou como subchefe para Assuntos Jurídicos (SAJ) da Presidência. Nos últimos meses da administração de Dilma, ele se tornou conhecido pelo apelido "Bessias", ao ser citado num notório grampo telefônico da Operação Lava Jato que foi vazado para a imprensa pelo então juiz federal Sergio Moro.
Na ligação, Dilma era ouvida conversando com Lula sobre a indicação deste último para o posto de ministro da Casa Civil e avisando que havia incumbido "Bessias" de levar os papéis necessários. À época, o conteúdo grampo foi interpretado por adversários do governo como um sinal de que Dilma estava supostamente tentando blindar Lula da Lava Jato com a nomeação, que acabou sendo bloqueada pelo STF.
Após o fim do governo Dilma, Messias passou a atuar como chefe de gabinete do petista Jaques Wagner no Senado.
Ministro da AGU
No final de 2022, com a vitória de Lula nas eleições presidenciais, integrou a equipe de transição do petista, e, em janeiro de 2023, assumiu a chefia da AGU, instituição que tem papel central na assessoria jurídica da Presidência e na representação da União junto ao STF.
No cargo, passou a ser visto como uma figura próxima de Lula, com que antes não compartilhava muita proximidade pessoal. A influência de Messias como consultor jurídico do governo ganhou mais força após a saída de Dino do governo, no início de 2024, quando este assumiu uma vaga no STF.
Em setembro de 2025, Messias, junto com outros membros do governo Lula e ministros do STF, teve seu visto para os EUA revogado pelo governo Donald Trump, em meio à ofensiva da Casa Branca na esteira do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Evangélico que esperava quebrar resistência da bancada da bíblia
Jorge Messias é evangélico, membro de uma denominação batista e diácono de uma congregação em Brasília.
Esse aspecto pessoal era visto como estratégico por membros do governo Lula para garantir que Messias conseguisse reunir votos no Senado entre a bancada evangélica, que nos últimos anos tem se alinhado mais com o bolsonarismo.
Em outubro, Messias chegou a participar de uma reunião com Lula e lideranças evangélicas no Palácio do Planalto. Messias já foi descrito por um pastor da sua denominação como um "evangélico raiz" ligado à "esquerda conservadora”. Mas, como mostrou o placar desta quarta-feira, a estratégia não foi suficiente para vencer a resistência no Senado.
No momento, o STF só conta com um evangélico, o ministro André Mendonça, que é presbiteriano e foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Não filiado ao PT, mas de esquerda
Messias, apesar da carreira ligada a administrações petistas, não é filiado ao PT. Mas ele é considerado progressista ou de esquerda por aliados, apesar de se apresentar como religiosamente mais conservador.
Em sua tese de doutorado, defendida em 2024 na Universidade de Brasília (UnB), Messias se posicionou de maneira crítica ao que chamou de "ultraliberalismo” que, segundo ele, caracterizou o período entre 2016 e 2022.
No mesmo texto, ele citou o que chamou de "conservadorismo e autoritarismo do STF", que teria atuado de "maneira partidarizada em detrimento dos interesses do Partido dos Trabalhadores e dos próprios trabalhadores e movimentos sociais" durante o julgamento do Mensalão e da Operação Lava Jato.
( da redação com agências, DW. Edição: Política Real)