31 de julho de 2025
ECONOMIA

ICOMEX, da FGV-IBRE, diz que em março o destaque foram as exportações de petróleo

Veja mais

Por Política Real com assessoria
Publicado em
ICOMEX. FGV. de março mostra comparativo Foto: site da FGV-IBRE

(Brasília-DF, 14/04/2026). Na manhã desta terça-feira, 14, o FGV-IBRE divulgo o seu ICOMEX, Indicador do Comércio Exterior referente a março de 2026.

Um novo choque na economia foi produzido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump com a guerra no Irã.

Novamente, entre anúncios de trégua e acirramento da tensão, o mercado de petróleo e derivados é o mais impactado no curto prazo. O não cumprimento das regras do direito internacional estabelecidas pelas instituições multilaterais torna cada vez mais imprevisível e incerto o cenário internacional, que passa a ter efeitos em toda a agenda das relações econômicas internacionais.

O ICOMEX optou por rever e analisar os impactos do tarifaço de Trump, pois os dados do primeiro trimestre do ano permitem avaliar quais mudanças podem identificar na pauta de comércio Estados Unidos-Brasil.

Em 2 de abril de 2025, no que ficou conhecido como Liberation Day, Trump anunciou sua “cruzada tarifária” em escala global. Antes, já havia imposto aumentos de tarifas sobre aço, alumínio e derivados, e produtos chineses. Para o Brasil, exportador de produtos siderúrgicos para os Estados Unidos, a medida teria efeito negativo, mas como no primeiro governo Trump, onde a mesma medida foi implementada, havia a possibilidade de uma negociação. O aumento generalizado do dia 2 de abril para o Brasil não assustou, em um primeiro momento, pois o percentual de 10% era o menor aplicado para países superavitários com os Estados Unidos. Em 9 de julho, Trump anuncia que o Brasil terá um aumento adicional de 40%, com exceções a cerca de 700 produtos. Em novembro, zera as tarifas de vários produtos agrícolas de forma global e outras tarifas da agropecuária são zeradas para o Brasil. Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte torna ilegal as tarifas anunciadas no “Liberation Day” e, em 26 de fevereiro, Trump anuncia uma tarifa adicional de 10%, pautado na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, por ameaça de crise do balanço de pagamentos.

Esses são fatos conhecidos, mas é sempre bom enfatizar a incerteza que permeia a política de Trump. Em recente artigo, Richard Baldwin argumenta que Trump não destruiu o sistema mundial de comércio, pois predominou o seu comportamento de avanços e recuos, que ficou popularizado como TACO (Trump Always Chickens Out). Esse comportamento, então, acabou por estimular a procura por novos mercados e parceiros. O parceiro Estados Unidos passou a ser “não confiável”, o que para os negócios afasta as transações.

As exportações para os Estados Unidos caíram, mesmo antes do tarifaço, mas a queda se acentuou. Entre o primeiro trimestre de 2025 e 2024, as exportações brasileiras tinham recuado, em valor, -0,8%, e na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e o de 2025, -18,7%.

Entre os 28 setores analisados, 24 registraram recuo nas exportações entre o primeiro trimestre de 2026 e o de 2025. Entre esses, 15 registraram variação positiva nas exportações para o resto do mundo e recuaram nas vendas para os Estados Unidos, enquanto 9 registraram queda para os Estados Unidos e o mundo. Quatro setores aumentaram as vendas para os Estados Unidos: equipamentos de informática; máquinas e aparelhos elétricos; máquinas e equipamentos; outros equipamentos de transporte.

A participação das vendas dos setores nas exportações totais do Brasil entre o primeiro trimestre de 2026 e o de 2025 aumentou para máquina e equipamentos elétricos, 4,2 pontos percentuais, fumo, 1,7 pontos percentuais, máquinas e equipamentos, 0,8 pontos percentuais e produtos de informática, 0,6 pontos percentuais. Para o restante dos 24 setores, a participação caiu, sendo as maiores perdas acima de 10 pontos percentuais) para móveis, pesca, produtos de madeira e produtos de minerais não metálicos. As exportações brasileiras totais excluído os Estados Unidos cresceram 12,4% entre o primeiro trimestre de 2025 e 2026. No agregado, o desempenho foi positivo. Na análise dos setores, porém, observa-se perda de participação para a maioria dos setores, ultrapassando 10 pontos percentuais para 4 setores. Negociações não devem ser descartadas e, além disso, ainda tem a Seção 301 pela frente que poderá impor novas tarifas para o Brasil.

Decisões de comércio requerem um horizonte de regras estáveis, e a procura por novos mercados pelas empresas brasileiras poderão consolidar nova configuração na geografia do comércio para certos setores/empresas.

Na comparação entre o primeiro trimestre de 2025 e 2026, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,5% para 9,5%, enquanto a da China aumentou de 25,5% para 29,0%. Se um dos objetivos da política comercial de Trump é diminuir a presença da China na América Latina, o tarifaço produziu o resultado oposto.

( da redação com informações da FGV-IBRE. Edição: Política Real)