Face crescimento das operações com PIX, quase 70 trilhões de reais em pagamentos foram realizadas no segundo semestre de 2025, informa relatório do BC
TED ainda é a maior forma de transações no Brasil
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(Basília-DF, 07/04/2026) Nesta terça-feira, 07, o Banco Central divulgou o seu Estatísticas de Pagamentos de Varejo relativas ao segundo semestre de 2025. Elas já estão disponíveis no Portal Brasileiro de Dados Abertos do Banco Central.
Foram compiladas informações enviadas pelos diversos participantes do mercado referentes ao uso dos instrumentos de pagamento no país, ao mercado de cartões de pagamento e aos canais de acesso às transações bancárias, além de informações coletadas das infraestruturas operadas pelo Banco Central. Em relação às transações de pagamento utilizando dinheiro (em espécie), as estatísticas contemplam apenas os dados de saques.
No segundo semestre de 2025, as transações de pagamento continuaram apresentando crescimento, tanto em termos de quantidade de transações quanto de volume financeiro. Atingiu-se, nesse período, a totalidade de 78,4 bilhões de transações e montante financeiro de R$ 68,2 trilhões. Os dados representam um crescimento de 12,9% na quantidade de transações e de 14,1% no volume transacionado em comparação ao segundo semestre de 2024.
Pix
Grande parte do aumento da quantidade total de transações de pagamento verificado no segundo semestre de 2025, em comparação ao mesmo período do ano anterior, se deu pelo crescimento expressivo na utilização do Pix, de 24,3%. O Pix, continua sendo o instrumento de pagamento mais utilizado, responsável por 54,7% das transações efetuadas no segundo semestre de 2025, atingindo 42,9 bilhões de transações naquele período.
O mercado de cartões manteve sua tendência de expansão nas modalidades de crédito (+9,4%) e pré-pago (+2,2%), enquanto o cartão de débito se manteve praticamente estável (-0,2%). Juntos, respondem por 30,4% da quantidade total de transações efetuadas, com 23,8 bilhões de transações no segundo semestre de 2025.
Volumes Transacionados
O instrumento de pagamento com maior participação em volume financeiro transacionado continuou sendo o das transferências interbancárias realizadas por meio da TED, com 34,7%, seguido pelo Pix, com 28,6% do valor total transacionado no segundo semestre de 2025.
Dentre os cartões, o que mais cresceu em termos de volume financeiro, se comparado ao segundo semestre de 2024, foi o da modalidade de crédito (+13,0%), que também segue sendo a modalidade com maior participação no volume financeiro transacionado considerando somente esse tipo de instrumento (70,6%). A modalidade de crédito é também a que possui o maior número de cartões ativos, com 253,8 milhões ao final do segundo semestre de 2025, enquanto a de débito e a de pré-pago tinham 159,7 milhões e 63,6 milhões, respectivamente. A quantidade de cartões de crédito ativos em comparação com o final do segundo semestre de 2024 cresceu 7%, enquanto a de cartões de débito cresceu 3% e a de cartões pré-pago caiu 8,4%.
O valor médio das transações realizadas por meio da TED foi de R$ 58,3 mil no segundo semestre de 2025, o que representa aumento de aproximadamente 5,9% em relação ao observado no segundo semestre de 2024. No mesmo período, as transações efetuadas via Pix apresentaram valor médio de R$ 456, cerca de 7% superior ao registrado no segundo semestre do ano anterior. No âmbito das transações com cartão, a modalidade crédito registrou valor médio de R$ 138, enquanto as modalidades débito e pré-pago apresentaram valores médios de R$ 58 e R$ 41, respectivamente. Em comparação com o segundo semestre de 2024, observou-se crescimento de 3,4% no valor médio das transações com cartão de crédito, redução de 2,3% na modalidade débito e relativa estabilidade no valor médio das transações com cartão pré-pago.
A análise da evolução dos volumes financeiros transacionados por outros instrumentos demonstra ainda que o boleto continuou apresentando crescimento, tendo aumentado seu valor total transacionado em 3,7% no mesmo período de análise dos demais instrumentos, representando 7,6% do volume total das transações. Enquanto isso, o cheque teve uma queda de 18,7% no seu volume financeiro, perfazendo 0,5% do valor total transacionado no segundo semestre de 2025, com 63,3milhões de cheques emitidos e valor médio de R$ 4,9 mil.
Tarifa de Intercâmbio e Taxa de Desconto
As Tarifas de Intercâmbio (TIC) médias praticadas no mercado de cartões no segundo semestre de 2025, para a remuneração dos emissores nos arranjos débito e pré-pago, se mantiveram praticamente estáveis, próximas aos limites máximos definidos pela Resolução BCB nº 246, de 2022, de 0,50% e 0,70%, respectivamente. A TIC média observada nos arranjos de crédito foi de 1,71%, um pouco superior às médias de TICs do segundo semestre de anos anteriores (1,60% em 2023 e 1,68% em 2024). Esse aumento na TIC dos cartões de crédito pode ser parcialmente explicado pelo aumento da emissão de cartões considerados “premium” (platinum e superiores), que de maneira geral possuem TIC maiores e que somavam 70,5 milhões de cartões ativos no fim do segundo semestre de 2025 ante a 54,9 milhões no mesmo período do ano anterior, o que representou um crescimento de 28,5%. No mesmo período, o cartão de crédito da categoria básico nacional apresentou redução de 26,5% na sua quantidade de cartões ativos.
Considerando os segundos semestres de 2023, 2024 e 2025, observa-se redução gradual nas taxas praticadas para aceitação dos instrumentos no comércio (taxa de desconto ou MDR – do inglês Merchant Discount Rate), tanto para o cartão de crédito (de 2,29% para 2,17% e, por fim, 2,10%), quanto para o de débito (de 1,10% para 1,09% e, por fim, 1,08), e para o pré-pago (de 1,55% para 1,52% e, por fim, 1,47%).
Forma de captura
A captura de transações por aproximação (contactless), a mais utilizada nos pagamentos por cartões, atingiu 39,2% da quantidade de transações no cartão de crédito, 50,1% no cartão de débito e de 60,8% no pré-pago, no quarto trimestre de 2025. Com relação ao volume financeiro transacionado, tal tecnologia é a de maior proporção no pré-pago (54,6%), sendo que a captura presencial com chip inserido e senha ainda detém maior participação no volume financeiro transacionado no crédito (35,0%) e no débito (51,5%).
As transações pela internet representaram 23,3% das transações do cartão de crédito no quarto trimestre de 2025, período em que elas constituíram 10,4% das transações de cartão de débito e 6,8% das de cartão pré-pago. Já no volume financeiro transacionado, a captura pela internet foi responsável por 28,1% do volume das transações de crédito, 5,5% das transações de débito e 3,8% do pré-pago.
No caso do cartão de crédito, observa-se também um aumento gradual das transações relativas a pagamentos recorrentes (aquelas que geram pagamentos periódicos como por exemplo a assinatura de serviços de streaming ou a mensalidade de academias de ginástica). No quarto trimestre de 2025 elas foram responsáveis por 9,1% da quantidade de transações e 6,8% do valor transacionado na modalidade crédito, enquanto no mesmo período de 2024 elas significavam 8,9% das transações e 5,7% do valor transacionado.
Parcelamento de transações no cartão de crédito
O quarto trimestre de 2025 apresentou estabilidade em relação aos períodos anteriores quanto ao perfil de parcelamento de transações no cartão de crédito. A maior parte das transações continuam sendo à vista (87,3%), seguidas pelas transações de 2 ou 3 parcelas (8,2%), pelas transações de 4 a 6 parcelas (3%) e, finalmente, pelas de 7 ou mais parcelas (1,6%).
Quando se considera o valor das transações, aquelas pagas à vista representaram 51,9% do volume financeiro transacionado, as de 2 a 3 parcelas, 17,1%, as de 4 a 6 parcelas, 14,2%, e as de 7 ou mais parcelas, 16,8%.
Saques
Os saques nas modalidades tradicionais (1,1 bilhões de transações), seguem em sua trajetória de queda, tendo se reduzido em 13,8% na quantidade de transações em relação ao mesmo semestre do ano anterior. Houve redução no número de transações tanto nos canais de agências e postos tradicionais (-17,9%), ATMs (-13,6%) e correspondentes bancários (-9,0), como nos postos de atendimento cooperativo (-27,1%).
O Pix Saque, por sua vez, atingiu 8,5 milhões de transações no segundo semestre de 2025, apresentando um crescimento 20,9% em sua quantidade de transações quando comparado ao segundo semestre de 2024.
( da redação com informações de assessoria. Edição: Política Real)