Sexta-Feira Santa na Cidade Velha de Jerusalém está “silenciosa” por imposição de Israel por conta da guerra
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Com agência.
(Brasília-DF, 03/04/2026). Nesta Sexta-feira Santa as ruas estreitas da Cidade Velha de Jerusalém Oriental deveriam estar repletas de peregrinos durante as celebrações católicas da Páscoa, no entanto as restrições israelenses, devido à guerra entre os EUA e o Irã, mantiveram lojas e a maioria dos locais sagrados fechados. Após o Ramadã, a guerra agora lança sua sombra sobre a Páscoa e o Pessach.
Ao cair da noite dessa quarta-feira,01, começou o Pessach para os judeus em todo o mundo. Na Quinta-feira Santa,02, os cristãos iniciaram as celebrações da Páscoa, chamado Tríduo Pascal.
Habitualmente, na Sexta-feira Santa, dezenas de milhares de palestinos e cristãos estrangeiros percorreriam as ruas estreitas da Cidade Velha de Jerusalém Oriental, anexada por Israel, para seguir a Via Dolorosa.
Neste 2026, porém, apenas um pequeno grupo de monges franciscanos foi autorizado a realizar uma procissão simbólica ao longo da rota, que se acredita ser o caminho percorrido por Jesus a caminho de sua crucificação na Jerusalém romana.
A procissão termina na Igreja do Santo Sepulcro, uma das igrejas cristãs mais importantes, onde se acredita que Jesus foi sepultado e ressuscitou.
Os jornalistas só tiveram permissão para filmar a pequena congregação por alguns metros; a polícia israelense alegou a falta de abrigos na área como motivo das restrições, caso soasse um alerta de míssil iraniano.
“É muito triste ver isso. Obviamente, a Sexta-feira Santa é um dia triste, pois Jesus sofreu carregando a cruz, mas com tudo o que está acontecendo, é importante manter nossas tradições. Mas é triste ver que não há peregrinos aqui”, disse Issa Kassasieh, um cristão da Cidade Velha, à DW. “Só posso rezar para que esta guerra termine logo.”
Moradores palestinos da Cidade Velha questionaram as preocupações de segurança das autoridades israelenses e as classificaram como um duplo padrão. Enquanto a Cidade Velha está completamente isolada, a poucos metros de distância, em Jerusalém Ocidental, cafés e lojas estão abertos.
“Recebemos ordens para abrir apenas para comida para viagem, já que não temos abrigos na Cidade Velha”, disse à DW o dono de um café, que pediu para permanecer anônimo. “Mas mesmo isso não faz sentido, quase não há ninguém aqui.”
A procissão parou brevemente em cada uma das 14 estações da Via Dolorosa, com os participantes rezando por um curto período antes de seguirem rapidamente. A Páscoa católica será seguida pela Páscoa greco-ortodoxa na próxima semana, outro importante feriado religioso em Jerusalém Oriental, anexada por Israel.
Embora alguns líderes religiosos aqui em Jerusalém tenham lamentado a tristeza da situação atual, eles ressaltaram que muitos cristãos na região estão enfrentando dificuldades muito maiores, particularmente aqueles no vizinho Líbano, onde civis sofrem intensos bombardeios e centenas de milhares foram deslocados.
( da redação com textos da DW. Edição: Política Real)